Dr. Fernando Mattioli: “Técnica é algo que dá para ensinar. Talento é uma coisa que não dá para ensinar.”
Uma conversa sobre vocação, disciplina, ciência e a busca permanente pela excelência
Há mais de 30 anos dedicado exclusivamente à cirurgia plástica da face, Dr. Fernando Mattioli transformou conhecimento, inovação e ensino em uma carreira reconhecida internacionalmente. Criador da técnica Halo Lift 4K e à frente de importantes sociedades científicas, o cirurgião defende que excelência não depende apenas de formação: nasce do talento, é construída com estudo diário e consolidada pela experiência.
Em um momento em que a cirurgia plástica facial vive uma verdadeira revolução tecnológica, com pacientes cada vez mais exigentes e em busca de resultados naturais, poucos profissionais dedicaram a vida de forma tão exclusiva ao estudo da face quanto o cirurgião plástico Dr. Fernando Mattioli. Há mais de três décadas, ele concentra sua atuação exclusivamente no rejuvenescimento facial, unindo experiência cirúrgica, inovação científica e formação contínua de especialistas no Brasil e no exterior.
Muito além da prática clínica, Mattioli tornou-se um dos principais nomes da cirurgia plástica facial ao desenvolver uma técnica própria de rejuvenescimento, o Halo Lift 4K, atualmente apresentada em congressos nacionais e internacionais. Sua rotina também inclui a coordenação científica de cursos, demonstrações cirúrgicas ao vivo, treinamentos em cadáver e constante intercâmbio com especialistas de diferentes países, mantendo contato permanente com as mais recentes evoluções da especialidade.
Operando exclusivamente nos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, em São Paulo, o cirurgião recebe pacientes de diversas regiões do Brasil e do exterior. Para ele, porém, o verdadeiro diferencial não está apenas na tecnologia, mas na filosofia de preservar a identidade de cada paciente, promovendo um rejuvenescimento natural, seguro e baseado em profundo conhecimento anatômico.
Nesta entrevista exclusiva à Lorena Magazine, Dr. Fernando Mattioli revisita sua trajetória, fala sobre talento, formação, dedicação exclusiva à cirurgia da face, inovação, ensino e revela o legado que deseja deixar para as futuras gerações de cirurgiões plásticos e para seus três filhos.
Uma conversa sobre vocação, disciplina, ciência e a busca permanente pela excelência.

Créditos (@mauriciobatistax)
O senhor costuma dizer que, para ser cirurgião plástico da face, talento é indispensável. Por quê?
“Primeiro detalhe é assim: para ser cirurgião plástico, principalmente cirurgião plástico da face, tem que ter talento. É uma profissão semelhante à de um artista, semelhante a um ator, a um jogador de futebol, a um pintor, a um escultor. Não é todo mundo que, mesmo passando em várias provas, tem talento para fazer cirurgia, porque não é só técnica. Técnica é algo que dá para ensinar. Talento é uma coisa que não dá para ensinar. Eu acho que a pessoa nasce com aquilo. Claro que desenvolve habilidades, mas talento é uma coisa nata.”
Depois do talento, qual é o caminho para construir uma carreira de excelência?
“Quando tem talento, aí tem que correr atrás da formação médica. A formação médica é extremamente importante. Vem da base, de uma faculdade de Medicina bem feita, depois residência médica em Cirurgia Geral, três anos de Cirurgia Plástica e, depois, se subespecializar. Acompanhar cirurgiões mais experientes, fazer cursos, cadáver lab, cirurgias ao vivo, buscar aperfeiçoamento naquela área. O segredo é estudar. Até hoje, quando eu não estou atendendo e não estou operando, eu estou estudando.”
O senhor escolheu dedicar toda a carreira exclusivamente à cirurgia da face. Como surgiu essa decisão?
“Desde a faculdade de Medicina eu já sabia que ia ser cirurgião. Quando entrei na faculdade, me apaixonei pela anatomia da face. Desde o começo eu queria ser cirurgião plástico e especialista em face. Depois da faculdade fiz cinco residências médicas relacionadas à cirurgia da face. Fiz Cirurgia Geral, Cirurgia Plástica, Cirurgia de Cabeça e Pescoço para entender mais anatomia, ORL e Cirurgia Cervicofacial para entender trauma e malformações da face e Dermatologia para entender mais de pele. Foram 17 anos de formação ligados exclusivamente à cirurgia da face.”

Créditos (@mauriciobatistax)
Hoje muitos cirurgiões atuam em diversas áreas. Por que o senhor optou pela dedicação exclusiva à face?
“Hoje nós pensamos em face, fazendo só face. Damos palestras só de face, ouvimos só face, discutimos só face. Vivemos o dia a dia da face com dedicação exclusiva durante 30 anos. É bem diferente. Isso eu comparo com um piloto de avião. O nosso tempo de voo é muito grande. Nós operamos dentro dos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês, com total segurança, e dedicados exclusivamente à cirurgia da face.”
Nos últimos anos, o Halo Lift 4K ganhou destaque nacional e internacional. Como surgiu essa técnica?
“Desde o final da nossa formação, há 30 anos, nós achávamos que a face deveria ser reposicionada no sentido vertical, porque a face desce no sentido vertical. Ela escorrega, ela derrete no sentido vertical. Achávamos lógico pegar todos esses tecidos profundos, os músculos, os ligamentos e as gorduras, e reposicionar no mesmo sentido em que eles caíram. A ideia surgiu porque o rosto não poderia ser esticado para a lateral, mas sim para cima.”
O que diferencia o Halo Lift 4K das técnicas tradicionais de rejuvenescimento facial?
“A nossa técnica é chamada Halo Lift 4K porque utiliza quatro tecnologias. A primeira é a videocirurgia para reposicionamento da face e do pescoço. A segunda é o laser nas pálpebras, que preserva a musculatura dos olhos. A terceira é o Ligasure, utilizado no pescoço para tratar a gordura profunda sem fazer lipo de papada. E a quarta tecnologia é o Nanofat com células-tronco, em que retiramos uma pequena quantidade de gordura da própria paciente, processamos esse material e reinjetamos, guiados por ultrassom, nas regiões que precisam recuperar volume. Primeiro reposicionamos a face. Depois devolvemos volume onde ele foi perdido.”
A naturalidade parece ser uma das principais preocupações do senhor. Como alcançar esse resultado?
“A paciente não vai mudar a face dela. Ela vai ser ela mesma, só que mais rejuvenescida. Nós vamos reposicionar os tecidos que caíram para as posições em que eles estavam dez ou quinze anos atrás. Não vamos colocar esses tecidos em uma posição diferente, puxando para a lateral. O objetivo é devolver aquilo que o tempo levou, preservando a identidade da paciente.”
Muitos pacientes ainda recorrem a preenchimentos e bioestimuladores antes da cirurgia. Como o senhor avalia esses procedimentos?
“Nós mostramos para a paciente que não compensa fazer tratamentos alternativos, como preenchedores, bioestimuladores e tecnologias de colágeno, porque isso danifica os tecidos, leva à artificialidade e provoca fibrose, uma cicatriz interna que deixa o tecido endurecido. O principal preenchedor é o ácido hialurônico. O problema é que ele causa volume. A pessoa vai colocando, colocando, colocando e acaba ficando com uma face totalmente artificial. Os bioestimuladores também induzem fibrose. E tecnologias como ultrassom microfocado e radiofrequência provocam dano tecidual, o que dificulta inclusive uma futura cirurgia.”

Créditos (@mauriciobatistax)
Além da atuação clínica, o senhor dedica grande parte da carreira ao ensino. O que representa essa missão?
“Além do talento e de correr atrás da formação, acho que o legado que tenho para deixar para as novas gerações é justamente estar à frente de sociedades que têm o intuito de ensinar cirurgiões plásticos brasileiros e internacionais a operar. O nosso prazer é sempre ver pacientes bem operadas. Quando ensinamos, também aprendemos, porque estamos em contato com cirurgiões plásticos do mundo inteiro, trazendo inovações de maneira instantânea. Participamos diariamente de grupos científicos e frequentamos cursos presenciais pelo menos uma vez por mês. É muito conhecimento chegando de forma instantânea.”
O senhor participa constantemente de congressos internacionais. Como esse intercâmbio influencia a sua prática?
“Hoje nós temos acesso a todas as tecnologias mais modernas que existem na cirurgia da face. Temos um contato muito direto com cirurgiões plásticos americanos e europeus. Participamos de grupos de WhatsApp exclusivos de cirurgia plástica facial, de congressos nacionais e internacionais, dando palestras e também assistindo às técnicas dos colegas. Durante esses cursos a gente aprende muito, porque está ali vendo o cirurgião americano operando ao vivo, ensinando a técnica dele. Hoje a nossa técnica está de igual para igual com a cirurgia americana. O Halo Lift 4K foi muito bem aceito nos Estados Unidos e na Europa, onde tivemos a oportunidade de apresentar nossos resultados e nossas cirurgias ao vivo.”
O senhor costuma dizer que também aprende enquanto ensina. Como isso acontece na prática?
“Eu sou fundador de cursos que reúnem cirurgiões plásticos do Brasil e do mundo. Temos aulas teóricas, demonstrações em cadáver e cirurgias ao vivo. O colega aprende vendo a técnica e depois treina sob nossa supervisão. Ensinar também faz com que a gente aprenda, porque estamos em contato permanente com especialistas do mundo inteiro. É uma troca constante de conhecimento.”
O senhor recebe pacientes de diferentes estados brasileiros e também do exterior. Como funciona esse atendimento?
“Nossa clínica fica na Vila Nova Conceição, em São Paulo. Atendemos pacientes do Brasil inteiro e de outros países, principalmente dos Estados Unidos e de Portugal. Opero apenas nos hospitais Albert Einstein e Sírio-Libanês. A paciente permanece internada apenas um dia, recebe alta no dia seguinte e, em aproximadamente uma semana, já pode retornar de avião para casa. Nós não usamos dreno, não há curativo e nem pontos para retirar. Nossa equipe acompanha toda a recuperação presencialmente em São Paulo e depois seguimos o acompanhamento online.”

Créditos (@mauriciobatistax)
Depois de tantos anos dedicados exclusivamente à cirurgia da face, qual o maior marco da sua carreira?
“Nos últimos cinco anos nós criamos uma técnica que permite operar pacientes de uma maneira extremamente segura, natural e com recuperação rápida. Essa técnica ganhou o mundo. É um orgulho muito grande saber que ela está chegando à comunidade científica internacional e sendo muito bem aceita. Recebemos inúmeros convites para palestras nacionais e internacionais justamente por causa dessa filosofia de reposicionamento vertical dos tecidos utilizando quatro tecnologias. Acho que o maior marco da minha carreira foi ter criado o Halo Lift 4K e ver essa técnica sendo reconhecida dentro das principais sociedades científicas.”
Qual legado o senhor espera deixar para as futuras gerações e para seus filhos?
“Eu tenho três meninos e o meu legado para eles é que eles veem o pai estudar absolutamente todos os dias. Quando eu não estou atendendo nem operando, estou estudando. Na nossa casa até brincamos: ‘Vamos ver quem estuda mais, eu ou vocês’. Eles me acompanham ocupando posições em congressos, presidindo eventos científicos e convivendo com cirurgiões do mundo inteiro. Não quero que necessariamente sigam a Medicina. Quero que levem essa filosofia para a vida: quando você tem que fazer alguma coisa, tem que dar o seu melhor.”
Se pudesse resumir toda a sua trajetória em uma única mensagem, qual seria?
“Para ser cirurgião plástico da face tem que ter talento. Depois disso, é preciso correr atrás da formação, estudar todos os dias e nunca parar de aprender. A cirurgia mudou muito. Hoje buscamos oferecer uma face rejuvenescida de maneira natural, segura, com tecnologia e conhecimento científico. Esse sempre foi o propósito da minha carreira.”
