Caio Carneiro: “Sou um homem que entra pra rachar em tudo o que faz”

Por trás dos números e dos negócios, Caio Carneiro revela por que seu maior legado não está no tamanho das empresas, mas nas pessoas que ajuda a transformar

06 ago, 2026

Há quem conheça Caio Carneiro pelos números, pelos negócios e pela presença marcante no universo empresarial. Outros o acompanham pelas ideias que compartilha, pelos projetos que lidera ou pela capacidade de reunir pessoas em torno de grandes movimentos. Mas existe uma dimensão que os números não conseguem traduzir: o homem por trás das conquistas.

Empresário, investidor, autor e uma das vozes mais conhecidas do empreendedorismo brasileiro, Caio construiu uma trajetória pautada por intensidade, disciplina e busca constante por excelência. À frente de projetos como a Trinca, criada ao lado de Flávio Augusto e Joel Jota, e da MLS, que alcançou a marca de R$ 1 bilhão em faturamento em apenas dois anos, ele também se tornou uma referência para empresários que buscam não apenas crescimento, mas ambientes capazes de acelerar conexões, decisões e resultados.

Por trás dessa imagem pública, porém, existe um homem que faz questão de colocar outras prioridades no centro da própria história. Cristão, marido de Fabiana e pai, Caio define a família como a base que dá sentido às demais conquistas. É nesse equilíbrio entre ambição e propósito que ele procura construir o que considera seu verdadeiro legado: não apenas empresas lucrativas, mas pessoas desenvolvidas, líderes formados e famílias fortalecidas.

Essa visão também ajuda a explicar os novos capítulos de sua trajetória. Ao lado da esposa, lançou o livro 21 Princípios para Casais, que nasce de mais de duas décadas de vida a dois e propõe uma reflexão sobre escolhas, compromisso, diálogo e construção de uma relação duradoura.

Já no esporte, mais especificamente no jiu-jítsu, Caio encontrou uma escola de humildade, consistência e disciplina. Ali, títulos, patrimônio e reconhecimento perdem relevância diante de uma realidade simples: sempre existe algo a aprender. É uma filosofia que, segundo ele, ultrapassa os limites dos tatames e se conecta diretamente à forma como encara a vida.

Em uma entrevista exclusiva ao Lorena Magazine, Caio Carneiro revela uma faceta menos conhecida de sua trajetória, onde passa por assuntos que falam sobre sua identidade, projetos como a Trinca e MLS, pelo novo livro e pelos ensinamentos do jiu-jítsu, escolhas que o guiaram e que fazem dele quem é.



Muito além dos negócios e dos projetos que lidera, quem é o Caio Carneiro que poucas pessoas conhecem

“Eu sou um homem que busca viver em ordem. Antes de ser empresário, eu sou cristão, marido da Fabiana e pai dos meus filhos. Tudo o que construí faz sentido porque existe alguém para compartilhar isso comigo. As pessoas enxergam muito a intensidade do meu lado profissional, mas poucos conhecem o quanto eu gosto de uma vida simples. Gosto de treinar, de estudar a Bíblia, de passar tempo em família, de conversar sem pressa e de construir ambientes onde as pessoas que amo possam viver bem. No fim do dia, meu maior objetivo não é ser lembrado pelo tamanho das empresas que construí, mas pelo caráter que deixei e pelas pessoas que ajudei a crescer.”

Quais são os valores que te norteiam? 

“Minha fé é o fundamento de tudo. Depois dela vêm alguns valores que procuro viver diariamente: integridade, responsabilidade, trabalho, excelência, família e generosidade. Também acredito muito em uma frase que carrego comigo: ‘Entra pra rachar.’ Essa frase é um mantra para a excelência, para fazer sempre o melhor que posso. Essa disciplina vale para os negócios, para as decisões pessoais. É um estilo de vida. E acredito profundamente que ambientes transformam pessoas. Por isso escolho com muito cuidado quem caminha ao meu lado.”

Quais transformações você viveu nos últimos anos e que gostaria de destacar, tanto para o lado pessoal como para o lado profissional? 

“A maior transformação foi entender que crescer não significa fazer mais coisas. Hoje penso muito mais em construir sistemas do que depender de mim. Aprendi a formar líderes, abrir espaço para pessoas melhores do que eu em várias funções e pensar em legado. Na vida pessoal, Deus me trouxe uma compreensão ainda maior sobre prioridades. O sucesso profissional nunca pode custar o casamento ou os filhos. Hoje eu busco vencer em todas as áreas da vida, não apenas nos negócios.”



Bom, falando agora sobre alguns de seus negócios, a Trinca, surgiu com você, Flávio Augusto e Joel Jota. Qual a essência por trás desse projeto que te guia? Como tem sido levar esse conhecimento a outros empresários e ajudá-los neste desenvolvimento? 

“A Trinca nasceu da sinergia e da confiança. Antes de existir um projeto, existia confiança, respeito e admiração entre nós três. A ideia era somar habilidades para potencializar projetos. Sempre foi criar um ambiente onde empresários pudessem acelerar resultados convivendo com pessoas que já percorreram caminhos parecidos. Conhecimento é importante, mas relacionamento acelera muito mais.”

O que diferencia a Trinca de tantas outras comunidades e iniciativas voltadas ao desenvolvimento empresarial existentes atualmente?

“A Trinca não gira em torno de gurus. Ela gira em torno de empresários que continuam jogando o jogo todos os dias. Tudo o que ensinamos continua sendo testado nas nossas próprias empresas. Existe muita prática e pouca teoria. Além disso, existe vulnerabilidade. A gente fala dos acertos, mas também dos erros, porque é isso que realmente gera aprendizado.”

A MLS também vem conquistando espaço no mercado. Qual impacto vocês conseguem gerar por meio dessa rede de negócios?

“A MLS nasceu para conectar os empresários certos, no ambiente certo e com os valores certos. Percebemos que muitos empresários não precisavam apenas de mais conhecimento. Precisavam estar próximos das pessoas certas. O melhor professor de um empresário é outro empresário que está um pouco mais à frente. Quando você coloca empreendedores para trocar experiências, fazer negócios e crescer juntos, o resultado aparece naturalmente. Nosso objetivo nunca foi construir apenas uma rede de networking, mas um ecossistema que acelera empresas.”

Caio, a MLS alcançou a marca de R$ 1 bilhão em faturamento em apenas dois anos, um resultado que chama a atenção do mercado. O que esse marco representa para vocês? 

“Representa validação. Mostra que existe uma demanda enorme por ambientes de qualidade. Mas, sinceramente, eu comemoro mais a transformação das empresas do que o faturamento consolidado. O número impressiona, mas ele é consequência. O verdadeiro indicador é ver empresários crescendo, contratando mais pessoas, gerando empregos e mudando a vida das suas famílias.”



O que esse resultado revela sobre o modelo de negócios da MLS?

“Revela que conhecimento sozinho já não basta. O empresário busca conexão, velocidade e acesso. Hoje, o diferencial competitivo não é apenas saber. É estar no ambiente onde as oportunidades acontecem. A MLS foi construída exatamente sobre esse princípio.”

Quando você olha para o futuro dessas iniciativas, quais são os próximos passos que pretendem seguir?

“Meu objetivo nunca foi construir algo sem pensar no impacto positivo que isso gera. É construir empresas altamente lucrativas que gerem um forte impacto positivo em nossos clientes. Quero formar líderes, contribuir com os empreendedores, ajudar pessoas a alcançarem seus objetivos, ampliar nosso impacto e criar organizações que continuem transformando pessoas durante muitos anos. Olhar para trás e ver isso é algo que me motiva muito. Um projeto relevante, para mim, é isso: gera lucro e transformação na ponta.”

Falando agora sobre o seu lado como autor, depois de escrever sobre negócios e desenvolvimento pessoal, o que despertou em você e também em sua esposa, na Fabiana, esse desejo de lançar um livro voltado aos relacionamentos?

“Porque percebemos que muitas pessoas aprendem a construir patrimônio, mas não aprendem a construir uma família. Nós vivemos juntos há mais de vinte anos, passamos por fases difíceis, fases extraordinárias e entendemos que existiam princípios que poderiam ajudar outros casais. Não escrevemos como especialistas perfeitos. Escrevemos como dois aprendizes que continuam construindo um casamento todos os dias.”



Por que falar sobre casamento e vida a dois se tornou uma missão importante neste momento da sua trajetória e de Fabiana?

“Porque acredito que a família é a base da sociedade. Você pode construir uma empresa bilionária e, ainda assim, fracassar naquilo que mais importa. Existe uma geração em que a unidade do casamento está desacreditada. O índice de divórcios está nas alturas e, como nós acreditamos na família, na vida a dois e na força de um casal unido, temos como missão contribuir com outras famílias. Queremos incentivar casamentos fortes, famílias saudáveis e relacionamentos que atravessem as estações da vida. Acreditamos que o casal é a base de uma família realizada. Nosso objetivo com o livro foi trazer 21 princípios práticos que foram decisivos para que alcançássemos nossos objetivos.”

Sem dar spoilers, qual princípio do livro você acredita que mais vai surpreender os leitores?

“Provavelmente o entendimento de que o casamento não é sustentado por sentimentos. Ele é sustentado por decisões. O amor verdadeiro aparece justamente quando a emoção já não resolve tudo.”

Se o leitor pudesse terminar 21 Princípios para Casais levando apenas um aprendizado para a vida, qual você gostaria que fosse?

“Que um grande casamento não acontece por acaso. Ele é construído diariamente, por meio de pequenas escolhas, muita conversa, humildade, perdão e compromisso. Casamentos extraordinários são fruto de princípios extraordinários praticados de forma consistente.”



Caio, você pratica jiu-jítsu e ele tem ocupado um espaço importante na sua rotina. O que esse esporte representa para você hoje, além da prática física? E o que você leva de aprendizado para dentro dos seus negócios? 

“O jiu-jítsu me ensinou humildade. No tatame, não importa seu patrimônio, sua empresa ou quantos seguidores você tem. Todo dia existe alguém capaz de mostrar que você ainda pode evoluir. Também aprendi sobre consistência. Não existe atalho. Assim como nos negócios, a excelência nasce da repetição. O jiu-jítsu me lembra constantemente que disciplina vence talento quando o talento não é disciplinado.”

Se você pudesse se definir em uma frase, qual seria?

“Sou um homem que entra pra rachar em tudo o que faz, salvo pela graça de Deus, comprometido em desenvolver pessoas, construir legado por meio da minha família, do meu trabalho e da forma como vivo.”

Mais notícias