Gabriela Saporito: “Sou a prova de que esforço e coragem podem te levar muito mais longe que privilégios”
Ex-participante do BBB 26, Gabriela Saporito, relembra sua trajetória antes e depois do reality, comenta decisões que marcaram sua passagem pelo programa e detalha os projetos para o futuro
Muito antes de o Brasil se render ao meme “panquequinha de banana”, Gabriela Saporito já travava batalhas diárias longe das câmeras. Entre a faculdade de Psicologia, o trabalho com crianças autistas e a venda de doces nos fins de semana para complementar a renda da família, a jovem de 21 anos aprendeu cedo o significado de persistência, responsabilidade e resiliência. Foi justamente essa combinação de sensibilidade e determinação que conquistou o público durante sua passagem pelo Big Brother Brasil 26.
Dona de um jeito doce, espontâneo e acolhedor, Gabi entrou no reality pela Casa de Vidro, enfrentou o intenso Quarto Branco logo nos primeiros dias e, ao longo da temporada, mostrou que por trás da imagem da “menina fofa” existia também uma mulher forte, capaz de defender suas convicções e encarar os conflitos do jogo sem abrir mão de sua essência. Sua amizade com Chaiany emocionou os telespectadores, sua autenticidade a transformou em uma das participantes mais queridas da edição e sua frase despretensiosa sobre uma simples panquequinha de banana acabou entrando para a lista dos momentos mais marcantes do programa.
Eliminada a apenas uma semana da grande final, na sexta colocação, Gabriela deixou a casa mais vigiada do Brasil carregando algo que considera ainda mais valioso: o carinho do público. Hoje, com milhões de seguidores nas redes sociais e novos projetos pela frente, ela segue determinada a usar sua visibilidade para falar sobre educação, psicologia, autoestima, inclusão e autismo, temas que fazem parte de sua história e de seus propósitos.
Em uma conversa exclusiva com a Lorena Magazine, Gabriela Saporito relembra os desafios antes da fama, abre o coração sobre sua trajetória no BBB 26, comenta os momentos mais marcantes do reality e revela os sonhos que pretende transformar em realidade daqui para frente.

(Foto: Trumpas)
Gabi, sua rotina antes do reality era extremamente intensa, chegando a passar horas por dia na rua entre trabalho e a faculdade psicologia. Olhando para trás, como você avalia esse momento?
“Eu me sinto realizada, muito feliz. É olhar para trás e ver que aquela menina cheia de sonhos, cheia de garra, que buscava uma oportunidade, conseguiu. Receber um “sim” do Big Brother foi algo muito especial para mim. Meu coração fica cheio de orgulho e gratidão por todas as oportunidades e por tudo o que o programa proporcionou. Vem aquela sensação de que valeu a pena sonhar, valeu a pena guerrear e lutar por aquilo em que eu acreditava.”
Você trabalhava como auxiliar em uma instituição para crianças autistas e vendia os doces que sua mãe produzia nos fins de semana. Como essa dupla jornada moldou a mulher determinada que vimos na TV?
“Eu tenho muito orgulho da minha jornada. Sempre fui muito feliz, porque era muito grata por poder trabalhar na minha área. Eu tinha muita vontade de mudar a realidade da minha família, então qualquer oportunidade que aparecia eu agarrava com todas as forças. Acho que isso me deixava mais forte. Quando a gente precisa lutar, a gente se torna forte, porque não pode deixar a peteca cair.”
“Tenho muito orgulho das minhas duas jornadas. Os doces eram uma parte importante da minha renda. Eles me ajudavam em tudo praticamente: faculdade, medicamentos e até momentos de lazer. Às vezes eu queria ir ao shopping ou fazer alguma coisa diferente e o salário sozinho não dava conta. Então os doces me davam essa renda extra que me ajudava a viver esses momentos. Tenho muito orgulho de tudo isso.”
Bom, falando agora sobre sua passagem pelo BBB 26. A sua trajetória começou na “Casa de Vidro” e logo no início do jogo você enfrentou e sobreviveu ao temido “Quarto Branco”. Como foi viver essas dinâmicas extremas logo de cara?
“Olha, eu sou muito grata ao Quarto Branco, porque foi graças a ele que eu consegui entrar no programa. Quando eu entrei ali, pensei: “Cara, eu vou agarrar essa chance com todas as minhas forças”. Naquele momento eu senti que precisava dar o meu melhor e fazer tudo o que estivesse ao meu alcance.”
“Foi uma experiência muito intensa, muito louca, mas ao mesmo tempo muito feliz. Passar por aqueles momentos e depois entrar na casa foi algo extremamente gratificante. Tenho muita gratidão pelo Quarto Branco, porque ele fez parte da realização de um sonho.”
No início do jogo, você sempre foi vista como uma “menina fofa” cheia de alegria. Mas no decorrer, mostrou que também não engolia sapo e iria sempre pro embate quando necessário. Como você avalia essa transformação?
“Eu sempre digo que tenho esses dois lados. Sou muito fofa, delicada, amorosa e acolhedora, mas ao mesmo tempo tenho meu lado leoa, de defender aquilo em que acredito, de defender minhas ideias e não ter medo de falar o que penso.”
“Eu sabia que isso poderia surpreender algumas pessoas, porque sou muito oito ou oitenta. Acho que consegui mostrar esses dois lados. Muitas vezes as pessoas olham para alguém e pensam: “Nossa, ela é tão fofinha, tão meiga”. Mas dá para ser doce e forte ao mesmo tempo.Inclusive, eu falava isso para a produção nas entrevistas. Eu tinha esse lado da fofura e da sensibilidade, mas também esse lado de me posicionar, de ir para o embate quando fosse necessário, de expor meus pensamentos e defender aquilo em que acreditava.”
Lá dentro, você acabou mantendo aliança com o grupo do “Quarto Sonho de Voar”, mesmo sabendo que não era a prioridade máxima deles. Se pudesse voltar no tempo, mudaria sua estratégia de jogo ou agiria novamente pelo coração?
“Olha, eu ouviria mais a minha intuição. Muitas vezes eu sentia algumas coisas, mas acabava me questionando e pensando: “Será que eu estou doida?”. Então acho que teria confiado mais no que eu estava sentindo.”
“Também tentaria ser um pouco mais estratégica. Acho que essas seriam as principais mudanças.”

(Foto: Trumpas)
Sua amizade com a Chaiany comoveu muita gente, e sua dor na eliminação dela foi nítida. Primeiro, como foi construir essa amizade com ela? Segundo, como foi esse momento da eliminação de sua maior aliada?
“Eu falo que foi um presente que Deus me deu. Nossa amizade começou a ser construída ali no Quarto Branco. Quando a gente venceu aquela prova e segurou a mão uma da outra, nós estávamos muito abaladas por tudo o que tinha acontecido, mas ao mesmo tempo o sonho de entrar no Big Brother e mudar nossas vidas estava se realizando.”
“A partir dali nasceu um vínculo muito especial. Mesmo estando em grupos diferentes e seguindo caminhos diferentes dentro do jogo, sempre respeitamos muito a opinião uma da outra. Sempre seguramos a mão uma da outra e apoiamos.”
“Quando a Chaiany saiu e o Tadeu falou o nome dela, eu senti como se um pedaço de mim estivesse indo embora também. Foi um sentimento de tristeza muito profundo. Lá dentro todas as emoções são intensificadas. Doeu muito porque ela estava comigo nos momentos felizes, tristes e difíceis.”
“Quando o nome dela foi anunciado, veio aquele sentimento de que o sonho dela estava acabando naquele momento. Foi uma dor muito grande ver alguém que eu gostava tanto deixando a casa. Foi um momento muito triste para mim.”
A sua icônica frase “panquequinha de banana” virou um dos grandes memes da edição. Você imaginava que um hábito simples da sua dieta ganharia tanta repercussão e viralizaria aqui fora?
“Não fazia ideia. Lá dentro a gente não tem noção de nada do que está acontecendo aqui fora. Eu jamais imaginei que a minha “piquinha de banana”, que era algo tão normal no meu dia a dia, viraria meme.”
“Então não, eu realmente não tinha nenhuma noção de que aquilo teria toda essa repercussão.”
O jogo teve momentos de muita faísca. O que pesou mais na hora de indicar o Cowboy ao Monstro após ele te chamar de “fraca”? Foi puro instinto ou teve estratégia?
“Foi muito pelo sentimento que eu estava vivendo naquele momento. Eu estava triste e chateada porque ele tinha me chamado de fraca.
“Eu pensei: ‘Cara, como assim uma pessoa de quem eu gosto está me chamando de fraca?’. Aquilo me machucou muito e acabou se tornando um sentimento muito forte dentro de mim.”
“Se eu tivesse escolhido outra pessoa naquele momento, estaria sendo incoerente com o que eu estava sentindo. Então eu simplesmente segui o meu coração e fiz o que achei certo naquele momento.”
Você foi eliminada a apenas uma semana da final, conquistando a 6ª posição. Sentir o carinho do público ao sair te confortou de alguma forma pela perda do prêmio máximo?
“Foi incrível receber o carinho do público. Eu não imaginava receber tanto amor, tanto afeto e tanto acolhimento. Fico muito feliz em saber que as pessoas gostaram de mim, da minha história e da forma como eu fui dentro do programa. Saber que tantas pessoas se identificaram com o meu jeito me traz uma felicidade enorme. É um sentimento de muita gratidão. Sou muito grata por todo o carinho que recebi e estou muito feliz por tudo o que vivi”.

(Foto: Trumpas)
E daqui para frente? O que os fãs podem esperar da Gabriela?
“Daqui pra frente, os fãs podem esperar muito estudo, aprendizado e conteúdo de valor. Quero continuar focada na minha faculdade e compartilhar mais sobre essa jornada, trazendo conteúdos relacionados à psicologia, educação e desenvolvimento humano.”
“Também quero investir cada vez mais na comunicação, que é uma área pela qual sou apaixonada. Tenho muita vontade de fazer teatro, não necessariamente para atuar, mas porque acredito que ele ajuda na expressão corporal, na dicção e na forma de se comunicar com as pessoas.Quero mostrar mais da nossa cultura, compartilhar receitas, informações e conteúdos que possam agregar na vida de quem me acompanha. Claro que também vou trazer tendências, momentos divertidos e tudo o que estiver em alta, mas sempre com propósito”.
“Além disso, quero continuar incentivando as mulheres, falando sobre autoestima, independência e confiança, e também trazer pautas importantes sobre o autismo, uma área que faz parte da minha rotina e tem um significado muito especial para mim. Quero que minhas redes sejam um espaço de informação, inspiração e conexão verdadeira com o público”.
Para finalizar, se você pudesse se definir em uma frase, qual seria?
“Sou a prova de que esforço, coragem e constância podem levar alguém muito mais longe do que qualquer privilégio.”
Créditos
Fotógrafia: Trumpas
Stylist: Yumi Kurita
Beleza: Nathália Maia
Entrevista/repórter: André Pontes
Editora Chefe: Lorena
