Polícia Federal investiga se dinheiro de banqueiro financia Eduardo Bolsonaro

Investigação apura se repasses de Daniel Vorcaro destinados a filme sobre ex-presidente foram desviados para custear permanência de deputado nos EUA

14 maio, 2026
Jair e Flavio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@capitaocontar
Jair e Flavio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@capitaocontar

A Polícia Federal (PF) abriu uma nova linha de investigação para apurar se recursos do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, foram utilizados para pagar despesas pessoais do deputado Eduardo Bolsonaro (PL) nos Estados Unidos. A suspeita ganhou força nesta semana após a revelação de áudios em que o senador Flávio Bolsonaro cobrava repasses de Vorcaro sob a justificativa de financiar o filme “Dark Horse”, uma cinebiografia de Jair Bolsonaro. Os investigadores buscam entender se a produção audiovisual serviu como fachada para transferir valores ao deputado, ocultando o real destino do dinheiro para evitar a fiscalização das autoridades.

O caminho do dinheiro e as conexões no Texas

O foco central da Polícia Federal está no fluxo financeiro que liga o Banco Master ao círculo íntimo da família Bolsonaro. Segundo dados do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), a empresa Entre Investimentos teria intermediado repasses de Vorcaro que somam milhões de reais. O acordo total previa o pagamento de R$ 124 milhões, dos quais pelo menos R$ 61 milhões já teriam sido desembolsados pelo banqueiro.


 

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Vídeo de Flávio Bolsonaro (Vídeo: reprodução/Instagram/@portalg1)


A peça-chave da investigação é uma transferência de US$ 2 milhões para um fundo sediado no Texas, chamado Havengate Development Fund LP. O que chamou a atenção da PF é que um dos responsáveis legais por esse fundo é o advogado Paulo Calixto, que representa Eduardo Bolsonaro. Como o deputado reside atualmente nos Estados Unidos, a hipótese principal é que esse montante tenha servido para custear sua permanência e atividades em solo americano, e não para a produção do filme.

Essa tese é reforçada por contradições entre os envolvidos. Enquanto Flávio Bolsonaro cobrava os valores em áudios, o produtor executivo do filme, Mário Frias, e a produtora GOUP Entertainment divulgaram notas oficiais afirmando que a cinebiografia não recebeu nenhum centavo do banqueiro Daniel Vorcaro. Para os investigadores, essa negativa sugere que o “projeto audiovisual” pode ter sido apenas um código ou pretexto para a movimentação dos recursos.

Delação premiada e a pressão sobre o clã

A situação jurídica de Daniel Vorcaro tornou-se ainda mais delicada com a recente prisão de seu pai. Ele é investigado por liderar um grupo que teria ameaçado inimigos do ex-banqueiro. Esse fato novo, segundo analistas, pode acelerar um acordo de delação premiada. Vorcaro já entregou oito celulares à Polícia Federal, e o conteúdo de apenas um desses aparelhos já está revelando informações comprometedoras sobre a relação financeira entre o banco e figuras políticas.


Flávio Bolsonaro em entrevista ao Globo News (Vídeo: reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro)


Nos bastidores do Supremo Tribunal Federal, o clima é de expectativa. O ministro André Mendonça, relator do caso, acompanha de perto as perícias. Fontes ligadas à investigação afirmam que o celular de Vorcaro “já está entregando tudo”, o que pode tornar a colaboração premiada inevitável e muito mais detalhada do que o banqueiro planejava inicialmente. A possibilidade de novos áudios e comprovantes de transferência virem à tona coloca a estratégia de defesa de Flávio e Eduardo Bolsonaro em xeque.

O impacto político e o futuro da direita

As revelações causaram um forte mal-estar na campanha de Flávio Bolsonaro, que é pré-candidato à Presidência. Aliados políticos criticam a falta de uma estratégia de resposta rápida, permitindo que a oposição utilize o caso para desgastar a imagem da família. O deputado Lindbergh Farias (PT) chegou a publicar um vídeo afirmando que o filme era um “código” e que o verdadeiro objetivo era financiar uma campanha contra o Brasil no exterior.

Para o campo conservador, o escândalo pode provocar um racha. Analistas políticos observam que lideranças como os governadores Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) podem aproveitar o momento para se distanciarem do “bolsonarismo raiz” e se consolidarem como alternativas viáveis para 2026. Até mesmo setores evangélicos, base histórica de apoio da família, já sinalizam preferência por nomes menos envolvidos em escândalos judiciais, como o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas.

Enquanto a Polícia Federal aprofunda o rastreio das contas internacionais, Eduardo Bolsonaro permanece nos Estados Unidos sem comentar diretamente as acusações sobre o fundo no Texas. O desfecho desta investigação promete ser um divisor de águas para as pretensões políticas da família Bolsonaro nos próximos anos.

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