Delação de Vorcaro entra no radar e PF pode conduzir negociação

Grupo “A Turma” agia como milícia privada e teria invadido servidores da PF; servidores do BC eram cooptados com até R$ 1 milhão mensais, aponta PF

05 mar, 2026
Daniel Vorcaro dono do Banco Master|reprodução/X/@boletimbr)
Daniel Vorcaro dono do Banco Master|reprodução/X/@boletimbr)

O banqueiro Daniel Vorcaro voltou a ser preso nesta quarta-feira (4) durante uma nova fase da Operação Compliance Zero. Sua prisão gerou discussões nos bastidores das investigações sobre uma possível declaração premiada. 

Com a saída do ministro Dias Toffoli como relator do caso e a entrada do ministro André Mendonça, e o distanciamento da Procuradoria-Geral da República (PGR) do caso, investigadores avaliam a possibilidade de uma eventual colaboração de Vorcaro que pode ser negociada diretamente com a Polícia Federal.

Mudança na relatoria e o sinal de Mendonça

Após a revelação do vínculo societário do ministro Dias Toffoli com uma empresa que negociou com fundos ligados ao Banco Master, o ministro deixou a relatoria do caso, em fevereiro, por interesses institucionais. O ministro André Mendonça assumiu o cargo de relator do caso e, logo em sua primeira grande decisão, determinou a prisão preventiva de Vorcaro, acatando o pedido da PF que, até o momento, não havia recebido apoio nenhum da PGR.


Dias Toffoli, ministro do STF (Foto: reprodução/Evaristo SA/Getty Images Embed)


O ministro classificou a falta de apoio da PGR para as medidas solicitadas pelos investigadores como “lamentável”. Nos bastidores das investigações, a decisão do ministro indica que Mendonça pretende dar respaldo à condução das investigações pela PF, inclusive em caso de uma delação premiada.

As provas contra Vorcaro

A Polícia Federal reúne um grande volume de provas contra Daniel Vorcaro e a organização criminosa a qual comandava. Segundo as investigações, um grupo chamado de “A Turma” agia como uma milícia privada que era utilizada para monitorar e intimidar ilegalmente opositores, autoridades e jornalistas.

Outro alicerce fundamental do esquema criminoso era a cooptação de servidores do Banco Central. Vorcaro se utilizava de funcionários em cargos de chefia que atuavam como seus consultores informais, antecipando fiscalizações em troca de pagamentos que chegavam até a R$ 1 milhão por mês.


Fachada do Banco Master (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)


Com a troca na relatoria do STF, o distanciamento da PGR do caso e o volume de provas reunidas pela Polícia Federal, a instituição se torna a protagonista da condução de uma possível delação premiada de Daniel Vorcaro.

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