Toffoli deixa relatoria de inquérito no STF
Ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) demonstrou resistência à ideia do inquérito que investiga fraudes bilionárias ligadas ao Banco Master
O ministro Dias Toffoli decidiu nesta quinta-feira (12) deixar a relatoria do inquérito que apura supostas fraudes de até R$ 47 bilhões envolvendo o Banco Master, após demonstrar inicialmente resistência à ideia entre colegas do Supremo Tribunal Federal (STF). A avaliação interna, porém, apontou que a saída voluntária de Toffoli poderia reduzir o desgaste institucional provocado pelas notícias sobre sua possível proximidade com pessoas ligadas ao caso e preservar a validade dos atos já praticados no processo.
Debate e preocupação institucional
A mudança ocorreu após uma reunião entre os ministros do STF para discutir a condução do inquérito da Polícia Federal e os impactos que a permanência de Toffoli à frente do caso vinha causando à reputação da Corte. Segundo relatos de participantes, Toffoli inicialmente resistiu à sugestão de deixar a relatoria, mas acabou convencido pelos argumentos de colegas de que sua saída poderia reduzir a tensão e preservar a credibilidade do tribunal.
Uma das preocupações levantadas pelos integrantes da Corte foi que a permanência de Toffoli poderia tornar o tribunal alvo de questionamentos políticos e de credibilidade, mesmo com a inexistência formal de suspeição ou impedimento legal.

Dias Toffoli (Foto: reprodução/Instagram/@painelpolitico)
Atos já praticados permanecem válidos
Ao optar por deixar a relatoria, Toffoli garantiu que todos os atos que ele já havia praticado no inquérito permanecem válidos e não serão automaticamente questionados por sua saída. Essa posição foi destacada como uma forma de evitar impugnações técnicas ou legais que poderiam atrasar as investigações.
Com a mudança, a relatoria foi redistribuída por sorteio e agora caberá ao ministro André Mendonça conduzir o processo, inclusive eventuais decisões futuras relacionadas ao andamento da apuração.
Pressão e contexto do inquérito
A investigação baseada em apurações da Polícia Federal busca esclarecer irregularidades e possíveis crimes ligados à liquidação fraudulenta do Banco Master, que entrou em colapso sob suspeitas de crimes financeiros e gestão fraudulenta. A condução do processo vinha gerando polêmica e debates sobre imparcialidade dentro e fora da Corte.
Relatórios citados na reunião interna mencionaram conversas e conexões que foram objeto de atenção, mas não configuraram formalmente nenhum pedido de suspeição contra o ministro. Ainda assim, o impacto político e a reputação institucional foram fatores levados em conta por Toffoli e seus pares.
