Dias Toffoli admite vínculo societário com empresa ligada ao Banco Master
Ministro admite ter ligação com corporação envolvida no caso do banco e determina que PF envie todos os dados de celulares apreendidos
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, relator do caso Master, determinou nesta quinta-feira (12), que a Polícia Federal entregue os dados dos aparelhos celulares apreendidos nas investigações.
A determinação vem logo após o diretor da Polícia Federal (PF), Andrei Rodrigues, entregar ao presidente do Supremo, Edson Fachin, um relatório da perícia sobre o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Segundo as investigações, o nome de Dias Toffoli aparece em mensagens contidas no aparelho.
No mesmo dia, o ministro admitiu publicamente fazer parte do quadro societário de uma empresa familiar que manteve negócios com um dos fundos ligados ao Banco Master. A revelação aumenta a pressão sobre o ministro para se declarar impedido de permanecer no cargo de relator do caso.
Sócio e relator: a ligação com o Master
A ligação do ministro com o caso Master não acaba com seu cargo como relator do caso. Nesta quinta-feira, em nota, Toffoli admitiu ser sócio da empresa Maridt. Uma empresa familiar que, até fevereiro de 2025, integrou o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pelo resort Tayayá, no Paraná.

Fachada do Banco Master (Foto: reprodução/Instagram/@infomoney)
A empresa negociou cotas com um fundo controlado pela Raeg, administradora de investimentos ligados ao Banco Master. Toffoli afirmou que todas as operações da empresa foram declaradas à Receita Federal. O ministro nega a existência de qualquer relação pessoal e financeira com Daniel Vorcaro ou qualquer outra pessoa envolvida no caso.
A defesa do ministro afirma que Toffoli não cometeu nenhuma irregularidade e que, segundo o artigo 36 da Lei Orgânica da Magistratura (Loman), é permitido que o magistrado integre quadros societários e receba dividendos, é, entretanto, proibido que estes tomem qualquer medida relacionada à gestão das empresas que integram.
Um histórico de polêmicas
Com a revelação do vínculo societário entre Dias Toffoli e fundos monetários ligados ao Banco Master, a pressão para o ministro sair do cargo de relator do caso aumentou. Toffoli já acumula decisões polêmicas em relação à sua condução do caso.
Em novembro de 2025, Toffoli transferiu a jurisdição do caso para o STF, algo que só pode ser feito se membros do Supremo estiverem envolvidos nas investigações, o que não era o caso das investigações relacionadas ao Banco Master. Em janeiro de 2026, o ministro criticou publicamente a PF por descumprir um prazo estipulado para a deflagração de uma operação e chegou a cobrar explicações do diretor-geral da Polícia Federal.
Reportagem sobre o envolvimento de Toffoli com Daniel Vorcaro (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)
Dias Toffoli também determinou a lacração e envio ao STF de todo o material apreendido nas investigações antes que estes pudessem ser periciados, o que preocupou os peritos, que alegaram que a ação poderia causar a perda de evidências. O ministro também chegou a decretar sigilo absoluto sobre o caso, medida que poderia interferir na transparência das investigações, mas rapidamente retrocedeu em sua decisão.
Toffoli tem se defendido das críticas em relação às menções feitas a sua pessoa nos conteúdos encontrados no celular do dono do Banco Master, ele as classificou como “ilações” e declarou que “não cabe à PF apresentar pedidos de declaração de suspeição”. Sobre sua vinculação com a Marist, o ministro admitiu sua participação no quadro societário da empresa e afirmou ser resguardado por lei.
