Dias Toffoli explica sociedade em empresa e descarta amizade com Daniel Vorcato
Em Nota, Ministro do STF, Dias Toffoli confirma que é sócio de empresa familiar, nega vínculos com investigado do Banco Master, Daniel Vorcaro
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, divulgou nesta quinta-feira (12) um comunicado oficial para esclarecer sua participação societária na empresa Maridt e negar qualquer vínculo pessoal ou financeiro com o empresário Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, que é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal.
Dias Toffoli admite que é sócio da empresa
De acordo com a nota emitida pelo gabinete do ministro, Toffoli confirma que faz parte do quadro societário da Maridt, porém destaca que não exerce funções administrativas na empresa. Segundo o comunicado, a gestão do negócio é conduzida por familiares, prática que, conforme ressaltado, está dentro do que permite a Lei Orgânica da Magistratura (Loman). A legislação autoriza magistrados a participarem de sociedades empresariais e a receberem dividendos, desde que não atuem diretamente na administração das companhias.
O texto ainda informa que a Maridt é uma empresa familiar estruturada como sociedade anônima de capital fechado, devidamente registrada nos órgãos competentes e com suas obrigações fiscais regularmente apresentadas à Receita Federal. Segundo o gabinete, tanto a empresa quanto seus acionistas tiveram todas as declarações aprovadas pelos órgãos responsáveis.
A nota também detalha a relação anterior da Maridt com o grupo Tayayá Ribeirão Claro, responsável pela administração do resort Tayayá, localizado no Paraná. Conforme o esclarecimento, a empresa deixou de integrar o grupo após duas operações comerciais. A primeira ocorreu em setembro de 2021, quando parte das cotas foi vendida ao Fundo Arleen, administrado pela gestora de investimentos Reag, que possui ligação com o Banco Master. A segunda negociação aconteceu em fevereiro de 2025, com a venda do restante da participação à PHB Holding, concluindo a saída definitiva da sociedade.
Ainda segundo o comunicado, todas as transações foram realizadas dentro dos valores praticados pelo mercado e devidamente informadas à Receita Federal, embora os montantes não tenham sido divulgados publicamente. Interlocutores próximos ao caso afirmam que Toffoli chegou a receber dividendos provenientes da empresa enquanto ela ainda integrava o grupo responsável pelo resort.
Dias Toffoli confirma sociedade com empresa e nega pagamentos (Foto: reprodução/YouTube/@globonews)
O gabinete também ressaltou que o processo envolvendo a tentativa de aquisição do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB) foi encaminhado ao ministro somente em novembro de 2025, período posterior à saída da Maridt do grupo empresarial ligado ao empreendimento turístico.
Por fim, Toffoli negou qualquer relação com Daniel Vorcaro, com o gestor do Fundo Arleen e também com Fabiano Zettel, cunhado do empresário e foi preso pela Polícia Federal em janeiro deste ano. No comunicado, o ministro afirma que nunca recebeu valores dessas pessoas e reforça que não possui ligação pessoal com os investigados.
Nota de Dias Toffoli
“A Maridt é uma empresa familiar, constituída na forma de sociedade anônima de capital fechado, prevista na Lei 6.404/76, devidamente registrada na Junta Comercial e com prestação de declarações anuais à Receita Federal do Brasil. Suas declarações à Receita Federal, bem como as de seus acionistas, sempre foram devidamente aprovadas.
O Ministro Dias Toffoli faz parte do quadro societário, sendo a referida empresa administrada por parentes do Ministro. De acordo com a Lei Orgânica da Magistratura, no artigo 36 da Lei Complementar 35/1979, o magistrado pode integrar o quadro societário de empresas e dela receber dividendos, sendo-lhe apenas vedado praticar atos de gestão na qualidade de administrador.
A referida empresa foi integrante do grupo Tayaya Ribeirão Claro até 21 de fevereiro de 2025. A participação anteriormente existente foi integralmente encerrada por meio de duas operações sucessivas, sendo a primeira a venda de cotas ao Fundo Arllen, em 27 de setembro de 2021, e a segunda a alienação do saldo remanescente à empresa PHD Holding, em 21 de fevereiro de 2025. Deve-se ressaltar que tudo foi devidamente declarado à Receita Federal do Brasil e que todas as vendas foram realizadas dentro de valor de mercado. Todos os atos e informações da Maridt e de seus sócios estão devidamente declarados à Receita Federal do Brasil sem nenhuma restrição.”
Ainda segundo a nota, a ação relacionada à compra do Banco Master pelo BRB foi distribuída ao ministro Dias Toffoli em 28 de novembro de 2025, período em que a Maridt já não integrava mais o grupo Tayaya Ribeirão Claro.
O ministro também afirma não conhecer o gestor do Fundo Arllen e nega ter mantido qualquer tipo de relação de amizade — muito menos amizade íntima — com o investigado Daniel Vorcaro. Ele acrescenta ainda que nunca recebeu valores de Vorcaro nem de seu cunhado, Fabiano Zettel.
