BRB elabora plano de reforço de capital após operações com o Banco Master

Plano prevê recomposição bilionária, envolve governo do DF e ocorre enquanto apurações e reclamações de consumidores seguem em andamento

06 fev, 2026
Fachada de agência do BRB | 
Reprodução/Instagram/@infomoney
Fachada de agência do BRB | Reprodução/Instagram/@infomoney

Nesta sexta-feira (06), o Banco de Brasília (BRB) deve encaminhar ao Banco Central um projeto de fortalecimento patrimonial que prevê a reconstrução de seu capital em, no mínimo, R$ 5 bilhões. A proposta faz parte de um conjunto de medidas exigidas pelo órgão regulador para aprimorar a solidez financeira do banco e reduzir riscos associados à qualidade de seus ativos.

O valor definitivo será apresentado no documento oficial, que ainda não foi disponibilizado para o público. Caso seja aprovado pelo Banco Central, a execução deverá ser implementada no prazo máximo de seis meses. Dependendo das escolhas das medidas, especialmente aquelas que envolvam recursos ou patrimônio do governo do Distrito Federal, o principal acionista do banco, será necessária autorização política da Câmara Legislativa do DF.

Medidas de recomposição patrimonial

A principal centralidade da iniciativa é preservar a estabilidade do Banco de Brasília e evitar reduzir os riscos sobre sua credibilidade no mercado financeiro. A preocupação aumentou após operações realizadas no final de 2024, quando o BRB adquiriu carteiras de crédito vinculadas ao Banco Master.

Posteriormente, vieram a público informações de que esses mesmos ativos haviam sido comprados pelo Master de outra instituição por valores significativamente inferiores aos pagos pelo BRB. Além disso, as apurações também apontaram que o Master não chegou a desembolsar recursos para adquirir tais créditos antes de revendê-los.


Banco de Brasilia projeta plano de recomposição (Video:reprodução/Youtube/CNN Brasil)


Essas circunstâncias contribuíram para o enfraquecimento da estrutura patrimonial do BRB. Ainda assim, especialistas ouvidos pela imprensa afirmam que não há risco iminente de quebra ou liquidação da instituição, sobretudo porque o controlador do banco é o governo do Distrito Federal, que dispõe de capacidade de intervir ou  apoiar o banco financeiramente, se necessário

Em comunicado divulgado no fim de janeiro, o BRB informou ter estudado alternativas para restabelecer seu capital. Entre as possibilidades analisadas estão a criação de um fundo de investimento imobiliário com imóveis pertencentes ao governo do DF, a contratação de financiamentos com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e a realização de aportes diretos pelos acionistas. Atualmente, o governo distrital detém cerca de 72% do capital do banco.

Regularização depende de informações do liquidante

Paralelamente, as investigações envolvendo o Banco Master seguem em andamento, após ter sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro, após a identificação de uma severa crise de liquidez. O BRB realizou repasses bilionários na instituição entre 2024 e 2025, operações atualmente estão sendo analisadas pelo Ministério Público sob suspeita de irregularidades na gestão.

Além dos aspectos financeiros, clientes do Will Bank, integrante do conglomerado do Master reclamaram nos registro de dívidas após a transferência de carteiras de crédito para o BRB. Segundo o banco público, a falta de informações completas por parte do liquidante tem dificultado a atualização dos dados no Sistema de Informações de Créditos do Banco Central. Analistas em direito do consumidor destacam que, apesar das dificuldades operacionais, a responsabilidade pela correção das informações agora cabe à instituição que adquiriu os créditos.

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