Trump afirma que Irã não receberá repasses financeiros
Presidente dos eua declara que o Irã não receberá recursos do governo após o acordo de paz, endurecendo o discurso e aumentando as dúvidas
Nesta sexta-feira (19), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o Irã “não receberá nenhum dinheiro” do governo norte-americano, apesar do acordo de paz assinado entre os dois países prever medidas de reconstrução econômica para Teerã. A declaração foi feita em resposta às críticas do líder supremo iraniano, Mojtaba Khamenei, e ampliou as incertezas sobre a implementação do tratado que encerrou oficialmente a guerra entre as duas nações.
Declaração de Trump aumenta tensão após assinatura do acordo
Em publicação na rede social Truth Social, Trump negou que tenha agido por desespero para alcançar um entendimento com o Irã, como havia afirmado Khamenei um dia antes. O líder iraniano declarou que os Estados Unidos utilizaram “todo tipo de alavancas” para conseguir o acordo, alegando que Washington teria sido pressionado pelas circunstâncias do conflito.
Ao responder às críticas, Trump afirmou que o Irã é quem estaria em situação fragilizada após a guerra e garantiu que os Estados Unidos cumprirão o prazo de 60 dias estabelecido para as negociações complementares sobre o programa nuclear iraniano. No entanto, reforçou que o governo iraniano não receberá recursos financeiros dos EUA.
A fala do presidente norte-americano ocorre em meio a sinais de desgaste do acordo firmado na quarta-feira (17). Na véspera, Trump já havia rejeitado a possibilidade de os Estados Unidos financiarem o plano de reconstrução econômica do Irã, estimado em pelo menos US$ 300 bilhões. Além disso, o vice-presidente JD Vance cancelou sua participação na primeira rodada de negociações nucleares prevista pelo tratado, e o encontro entre representantes dos dois países na Suíça acabou suspenso.
Trump no G-7 (Reprodução/Anna Moneymaker/Getty Images Embed)
Tratado prevê fim da guerra, suspensão de sanções e negociações nucleares
O acordo assinado entre Estados Unidos e Irã possui 14 cláusulas e estabelece o encerramento imediato e permanente da guerra em todas as frentes, incluindo o Líbano. O documento também prevê que os dois países se comprometam a não iniciar novos conflitos e a respeitar mutuamente suas soberanias.
Entre os principais pontos do tratado está a abertura de negociações para um acordo definitivo em até 60 dias. O texto determina ainda que os Estados Unidos retirem forças militares da região próxima ao Irã e suspendam seu bloqueio naval, enquanto Teerã deverá reabrir o Estreito de Ormuz e garantir a livre circulação de embarcações comerciais.
O acordo também aborda questões econômicas e nucleares. Washington se comprometeu a encerrar sanções contra o Irã, liberar ativos iranianos congelados e apoiar, juntamente com parceiros do Golfo Pérsico, um programa de reconstrução e desenvolvimento econômico com financiamento mínimo de US$ 300 bilhões. Em contrapartida, o Irã reafirmou que não produzirá nem adquirirá armas nucleares e aceitou discutir o enriquecimento de urânio sob supervisão da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA).
Apesar da assinatura do tratado, as recentes declarações de Trump e os impasses envolvendo as negociações posteriores indicam que a implementação do acordo ainda enfrenta obstáculos. Analistas avaliam que o sucesso do entendimento dependerá do cumprimento dos compromissos assumidos por ambas as partes ao longo dos próximos meses.
