Trump amplia cota de carne bovina e abre espaço para exportações brasileiras

Medida de Trump busca aumentar a oferta e reduzir preços nos EUA; Brasil pode ampliar embarques, apesar da tarifa extra de 26,4% após o limite da cota

27 ago, 2026
Nova cota será válida por 90 dias | Reprodução/X/@news_de
Nova cota será válida por 90 dias | Reprodução/X/@news_de

O governo de Donald Trump decidiu ampliar temporariamente a entrada de carne bovina no mercado dos Estados Unidos como parte de uma estratégia para aumentar a disponibilidade do produto e pressionar os preços para menos.

A decisão foi formalizada nesta quarta-feira (26), por meio de uma proclamação assinada pelo presidente e divulgada pela Casa Branca, em Washington.

Mercado norte-americano

A medida contempla apenas carnes classificadas como magras, matéria-prima utilizada principalmente na produção de carne moída e de hambúrgueres. A nova regra começa a valer em 1º de setembro e permanecerá em vigor por 90 dias, período em que os Estados Unidos poderão importar até 100 mil toneladas por mês dentro da cota ampliada.

De acordo com as estimativas apresentadas pelo governo norte-americano, o aumento da oferta poderá contribuir para uma queda de até 25% nos preços da carne em comparação com os valores atuais. A administração Trump também projeta um crescimento de aproximadamente 10% na quantidade do produto disponível no mercado interno.


Mercado dos Estados Unidos (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/Bob Riha Jr.)


A decisão não modifica os acordos de livre-comércio firmados pelos Estados Unidos e mantém as cotas específicas já estabelecidas para determinados países exportadores de carne bovina. Portanto, a ampliação anunciada não se sobrepõe aos limites previstos nesses acordos.

A possibilidade de aumentar as importações já havia sido sinalizada por Trump na sexta-feira (21). Na ocasião, o presidente utilizou as redes sociais para anunciar a intenção de ampliar a cota, diante da preocupação com a oferta e os preços da carne no mercado norte-americano.

E como fica o Brasil

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) avalia que o Brasil está entre os países que poderão aproveitar a ampliação temporária da cota de importação anunciada pelo governo dos Estados Unidos. Em declaração ao portal G1, a entidade ressaltou, porém, que o país não será o único fornecedor beneficiado pela mudança.

Apesar da possibilidade de aumento nos embarques, o impacto positivo para os frigoríficos brasileiros pode ser limitado. Isso ocorre porque a medida adotada pelo governo norte-americano tem como uma de suas principais metas reduzir o preço da carne para o consumidor final.

Para o zootecnista e consultor de mercado da Scot Consultoria, Felipe Fabbri, o Brasil tende a se beneficiar da mudança anunciada pelo governo norte-americano. Na avaliação do especialista, uma cota maior ou a redução das tarifas cobradas sobre as importações poderia tornar a carne brasileira mais competitiva nos Estados Unidos e favorecer o aumento dos embarques para o país.

Atualmente, os exportadores brasileiros dividem com outros fornecedores uma cota destinada ao mercado norte-americano. Esse limite costuma ser atingido ainda nas primeiras semanas do ano. Após o esgotamento do volume permitido, a carne brasileira continua podendo ser comercializada nos EUA, mas fica sujeita a uma tarifa adicional de 26,4%. Nesse cenário, uma eventual ampliação da cota incluindo o Brasil reduziria as barreiras para a entrada do produto brasileiro e poderia criar condições mais favoráveis para os exportadores.

A mudança anunciada por Trump ocorre ainda em um momento de retração das vendas brasileiras para a China, principal destino da carne bovina nacional. Os embarques para o mercado chinês diminuíram depois que o Brasil atingiu o limite da cota que permite exportações sem a cobrança de uma tarifa adicional. A decisão anunciada por Trump acontece em meio à pressão sobre o orçamento dos consumidores norte-americanos, que enfrentam uma elevação contínua nos preços da carne bovina e sentem os impactos diretamente nas compras do dia a dia.

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