Rubio diz que EUA desconheciam lentidão em satélites da Ucrânia
Autoridades ucranianas relatam prejuízos nas comunicações militares; Kiev enfrenta desafios para manter a cooperação com Washington durante a guerra
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmou nesta quarta-feira (21) que o governo americano não sabia sobre os problemas de velocidade nos sistemas de comunicação por satélite da SpaceX usados pela Ucrânia durante a guerra contra a Rússia. Em uma declaração feita em Mumbai, na Índia, o diplomata negou que o presidente Donald Trump esteja envolvido nas decisões dos serviços Starlink e Starshield, operados pela empresa de Elon Musk.
Rubio afasta participação de Trump
Rubio declarou para os jornalistas que a SpaceX é uma empresa privada e que a Casa Branca não tem envolvimento com as decisões operacionais da companhia. O secretário justifica que o presidente americano não administra a empresa e nem decide quais as medidas adotadas por Musk sobre os serviços oferecidos.
O chefe da diplomacia também negou que Washington tenha diminuído o acesso da Ucrânia à rede de satélites. A declaração contraria as suspeitas levantadas por representantes de Kiev, que apontaram uma possível relação entre a redução da capacidade dos sistemas e as divergências políticas envolvendo os dois países.
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Secretário Marco Rubio e presidente Donald Trump (Foto: reprodução/X/@anoopjain247)
A tecnologia desempenha funções diferentes no território ucraniano. Enquanto o Starlink atende atividades civis, o Starshield é utilizado em trabalhos militares, como comunicação entre unidades, coordenação de ataques com drones e funcionamento de equipamentos instalados na defesa contra aeronaves não tripuladas.
As declarações sobre a diminuição da velocidade aconteceram em um cenário de preocupações das autoridades ucranianas com o funcionamento das comunicações no campo de batalha. Além dos impactos sobre as operações militares, representantes do país afirmaram que as dificuldades também alcançaram alertas emitidos à população diante de ataques russos com mísseis e drones.
Kiev tenta preservar apoio americano
Além das reclamações, Volodimir Zelensky também demonstrou descontentamento com a assistência prestada por Washington. O presidente ucraniano criticou a demora na entrega de mísseis interceptadores adquiridos por países europeus para fortalecer a defesa aérea do país. Ele declarou que os armamentos dependem de uma autorização do secretário de Defesa americano, Pete Hegseth.
Com esses acontecimentos, a manutenção do apoio dos Estados Unidos ainda fica entre os desafios diplomáticos de Kiev, que procura conseguir recursos para enfrentar as forças russas e manter a cooperação com o governo de Trump. As divergências sobre os equipamentos de comunicação se juntam com as discussões sobre a ajuda militar e compartilhamento de informações de inteligência.
Rubio também comentou as conversas feitas na terça-feira (20), em Oslo, na Noruega, entre Zelensky e Steve Witkoff, enviado especial americano responsável por negociações relacionadas ao conflito. O secretário disse que o encontro foi positivo e afirmou que Witkoff levaria as ideias conversadas para apresentá-las ao lado russo.
O representante da Casa Branca tinha uma reunião prevista com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, nesta quarta-feira. A expectativa americana é utilizar os contatos diplomáticos para avaliar possibilidades de avanço nas negociações, enquanto a Ucrânia procura manter sua relação com Washington em meio às divergências sobre a condução da guerra, iniciada há mais de três anos.
