PF afirma que Grupo Fictor usava empresa de fachada para lavar dinheiro

Segundo a Polícia Federal, o grupo bancário utilizava o mesmo esquema de células utilizado pelo Comando Vermelho para cometer irregularidades

26 mar, 2026
Logo Grupo Fictor em maquinas de cartão | Reprodução/Instagram/@grupofictor
Logo Grupo Fictor em maquinas de cartão | Reprodução/Instagram/@grupofictor

Na manhã desta quinta-feira (26), a Polícia Federal deflagrou a Operação Fallax em três estados para apurar irregularidades financeiras cometidas pelo Grupo Fictor.

Segundo investigações da PF, O grupo bancário tinha um esquema de lavagem de dinheiro muito parecido com o que é feito pela facção Comando Vermelho.

Grupo Fictor usava empresas de fachada

Segundo a Polícia Federal, que investiga o grupo bancário desde 2024, o esquema de lavagem de dinheiro era feito de forma profissional, utilizando técnicas feitas pela facção criminosa Comando Vermelho no Rio de Janeiro.

De acordo com a investigação, o Grupo Fictor injetava recursos que alimentavam simulações de fluxo de caixa que ajudavam a montar empresas de fachada com o objetivo de gerar mecanismos para enganar instituições financeiras, fazendo com que elas liberassem limites maiores de crédito, o que permitia que os valores ilícitos circulassem sem levantar suspeitas.


Grupo Fictor é alvo de operação da PF (Vídeo: Reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Após o dinheiro circular por essas firmas de fachada, ele era convertido em bens de luxo e criptoativos para dificultar o rastreamento por órgãos regulatórios e pela Polícia Federal, que classificou como “ecossistema criminoso” esse modus operandi.

Essas empresas de fachada tinham características padronizadas, como sócio único, capital social simulado e objetivo social genérico, e até cumpriam obrigações fiscais nos primeiros meses de funcionamento.

Funcionários de bancos também faziam parte do sistema

Outro momento importante para que o sistema desse certo era a participação direta de funcionários de instituições financeiras, principalmente gerentes bancários.

Segundo a investigação, os gerentes inseriam dados falsos nos sistemas financeiros para facilitar saques e transferências indevidas e também acelerar ou aprovar operações de crédito com base em informações manipuladas.

A investigação mostrou que isso ocorria por um período limitado que não passava de um ano e meio com essas empresas de fachada, movimentando milhões, tomando crédito e criando histórico positivo com a organização criminosa, abandonando essas empresas para tornar a recuperação dos valores praticamente impossível para os bancos.

Estimativas da PF apontam que bancos como a Caixa, Santander, Safra, Bradesco e Banco do Brasil tiveram prejuízos milionários com o golpe.

CEO do grupo foi alvo da operação

Um dos alvos da Operação Fallax foi Rafael de Gois, sócio-fundador e e CEO do Grupo Fictor. Contra ele, a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão em seus endereços em São Paulo.

Em nota, os advogados de Rafael afirmaram que apenas um celular foi apreendido na residência dele e que, assim que tiver acesso ao conteúdo da investigação, vai prestar os esclarecimentos necessários.

Outro alvo da operação foi Luiz Rubini, ex-sócio do Grupo Fictor, que além da busca e apreensão, também tem uma determinação de quebra de sigilo bancário contra ele. A defesa de Rubini não teve conhecimento prévio do processo e deve se manisfestar assim que julgar oportunos.

Ao todo, a Operação Fallax cumpriu 43 mandados de busca e apreensão e 21 mandados de prisão preventiva determinados pela Justiça Federal de São Paulo. 

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