Oxford envia 62 fósseis ao Museu Nacional para ajudar na reconstrução do acervo
Espécimes coletados em território brasileiro voltarão a coleção do Museu Nacional, que perdeu cerca de 80% do acervo em incêndio de 2018
Após um incêndio destruir parte do acervo do Museu Nacional, no Rio de Janeiro, em 2018, a instituição receberá peças de outros museus para recompor sua coleção. Entre as instituições parceiras, a Universidade de Oxford enviará 62 espécimes para contribuir com a restauração do museu brasileiro.
No desastre, estima-se que cerca de 80% do acervo tenha sido destruído pelas chamas, gerando perdas irreparáveis para a ciência e para a antropologia das Américas. Desde então, diversas instituições vêm se mobilizando para colaborar com sua reconstrução.
Fósseis brasileiros voltarão ao país após décadas em Oxford
O Museu de História Natural da Universidade de Oxford é uma das instituições envolvidas nesse esforço. As peças enviadas passarão a integrar, de forma definitiva, o acervo do museu brasileiro.
Sobre a iniciativa, a paleontóloga Emma Nicholls afirmou à BBC News Brasil que, quando surgiu a oportunidade de contribuir para a reconstrução do Museu Nacional, a instituição não teve dúvidas em participar.
Os fósseis, na verdade, retornarão ao seu local de origem. Embora façam parte do acervo da universidade britânica, um levantamento realizado pelos curadores de Oxford revelou que todos foram coletados em território brasileiro.
Equipes trabalham na reconstrução do Museu Nacional (Foto: reprodução/AFP/Mauro Pimentel/Getty Images Embed)
O primeiro deles foi encontrado em 1979, no Paraná, pelo pesquisador J. A. Cartwright. Outro exemplar data de 1993 e foi coletado no Ceará. Além desses, outros 116 espécimes de origem brasileira foram identificados no acervo da centenária instituição inglesa.
Conforme apuração da BBC News Brasil, os espécimes são bastante variados, incluindo insetos, rastros de animais extintos há milhões de anos e peixes preservados em rochas, encapsulados e conservados em três dimensões.
As peças serão enviadas ao Brasil em excelente estado de conservação e poderão auxiliar pesquisadores em estudos sobre o passado das regiões onde foram coletadas. Algumas delas têm mais de 400 milhões de anos e, portanto, são anteriores à Era Mesozóica, período em que os dinossauros viveram na Terra, entre 252 milhões e 66 milhões de anos atrás.
Seleção priorizou fósseis que não comprometem pesquisas em andamento
Apesar de todos os 118 espécimes identificados terem origem brasileira, nem todos poderão ser enviados ao país. Segundo Emma Nicholls, dois critérios foram adotados para definir quais fósseis deixariam o acervo inglês.
Os primeiros excluídos da lista foram os espécimes atualmente utilizados em pesquisas. Em seguida, ficaram de fora os chamados “espécimes-tipo”, peças formalmente vinculadas à coleção da universidade.
Isso ocorre porque, caso um pesquisador precise replicar o estudo original, será necessário localizar exatamente o mesmo exemplar, que deve permanecer na instituição onde foi descrito pela primeira vez em um artigo científico.
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Fósseis a serem enviados ao Museu Nacional (Vídeo: reprodução/Instagram/@bbcbrasil)
Após o processo de seleção, a instituição chegou ao número final de 62 fósseis, que deverão ser enviados ao Brasil o quanto antes. Por fim, Nicholls afirmou que a intenção da universidade é ajudar o Museu Nacional fazendo tudo o que estiver ao seu alcance “para recuperar parte das coleções”.
O Museu Nacional reabriu parcialmente em comemoração aos seus 208 anos e permanecerá aberto até 30 de agosto de 2026, com exposições gratuitas. A conclusão das obras de restauração está prevista para 2027.
