Justiça torna Deolane Bezerra e Marcola réus por suposta ligação com PCC

Justiça de SP torna Deolane e Marcola réus por organização criminosa e lavagem de dinheiro ligadas ao PCC; processo segue para fase de provas

18 jun, 2026
Deolane | Reprodução/Instagram/@deolane
Deolane | Reprodução/Instagram/@deolane

A Justiça de São Paulo oficializou um passo decisivo em uma investigação complexa envolvendo a influenciadora e advogada Deolane Bezerra. O juiz Deyvison Heberth dos Reis, da 3ª Vara de Presidente Venceslau, no interior do estado, aceitou a denúncia oferecida pelo Ministério Público, tornando Deolane ré por suposta organização criminosa e lavagem de dinheiro ligada ao Primeiro Comando da Capital (PCC).

A decisão judicial marca o início formal da ação penal contra a influenciadora, que se encontra presa preventivamente desde o dia 21 de maio de 2026, na unidade prisional de Tupi Paulista. O mesmo despacho judicial estendeu a condição de réus a membros da cúpula do PCC, incluindo Marco Willian Herbas Camacho, o Marcola, além de familiares deste, como Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior.


Justiça aceitou denúncia que acusa a influenciadora de lavar dinheiro para o PCC (Vídeo: Reprodução/ YouTube/@g1)


Contexto da denúncia

O oferecimento da denúncia foi articulado pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), núcleo de Presidente Prudente, sob a coordenação do promotor Lincoln Gakiya, referência internacional no combate ao PCC. O documento, assinado por Gakiya e outros seis promotores, detalha uma estrutura na qual ordens de líderes da facção eram transmitidas a familiares ou pessoas de confiança para a distribuição de renda ilícita obtida por meio de uma empresa de transportes.

Conforme a acusação do Ministério Público, esses montantes eram depositados em contas em favor de Deolane Bezerra, Everton de Souza e Paloma Sanches Herbas Camacho. Os relatórios de inteligência financeira, que incluíram quebras de sigilo bancário e fiscal, apontam para uma estratégia meticulosa de ocultação e dissimulação dessas quantias, visando reinseri-las na economia formal com aparência de legalidade.

É importante ressaltar que o recebimento da denúncia pelo Poder Judiciário não implica, por si só, em condenação. O processo entra agora em uma nova fase, dedicada à produção de provas e à apresentação dos argumentos de defesa, garantindo o devido processo legal até que o magistrado decida pela culpa ou inocência dos acusados.


 

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Advogada se torna oficialmente ré após Justiça aceitar a denúncia (Foto: Reprodução/Instagram/@portalg1)


Defesas refutam acusações

Após a decisão, a defesa de Marco Willians Herbas Camacho, Paloma Sanches Herbas Camacho, Leonardo Alexsander Ribeiro Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior se manifestou por meio de nota oficial. O advogado Bruno Ferullo Rita destacou que a acusação padece de equívocos fundamentais.

“A Defesa reitera que Marco Willians Herbas Camacho e Alejandro Juvenal Herbas Camacho Junior encontram-se custodiados em estabelecimento penal federal de segurança máxima desde fevereiro de 2019, submetidos a severas restrições de contato e comunicação, o que, por si só, torna inviável qualquer participação nos fatos investigados”, afirmou a defesa. Além disso, o documento ressalta que o simples vínculo familiar não pode ser equiparado à participação criminosa.

Quanto às questões financeiras citadas na denúncia, os defensores sustentam que os elementos serão “devidamente contextualizados no decorrer da instrução processual”, prometendo apresentar provas da regularidade das operações financeiras questionadas pelo MP.

Questões sobre a prisão de Deolane

Paralelamente ao recebimento da denúncia, a Justiça paulista negou pedidos formulados pela defesa da influenciadora Deolane Bezerra. Os advogados pleiteavam sua transferência para uma Sala de Estado-Maior, prerrogativa prevista no Estatuto da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para advogados presos antes de condenação definitiva, ou a substituição da prisão preventiva pela domiciliar.

O Ministério Público se posicionou de forma contrária a ambos os pedidos. Em relação à prisão domiciliar, o promotor reforçou que esse benefício não é aplicado em casos de organizações criminosas que operam mediante violência. O núcleo de Presidente Prudente argumentou, ainda, que Deolane possui condições adequadas para permanecer na unidade de Tupi Paulista e que a existência de uma filha menor de 12 anos não deve ser avaliada isoladamente, sem levar em consideração a gravidade dos fatos e os demais elementos do caso.

À medida que o processo avança, a expectativa é de que novos detalhes sobre o suposto esquema de lavagem de dinheiro sejam expostos, enquanto as defesas tentam desmontar a narrativa construída pelo Ministério Público, em um embate jurídico que promete ser prolongado e complexo, dada a natureza das imputações e a relevância dos envolvidos.

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