Ministério da Saúde suspende vacina contra dengue de Instituto Butantan
Foram descobertos 42 casos graves de reações adversas registradas pelo sistema de vigilância pós-vacinação; a vacina do SUS segue o calendário normalmente
Em comunicado oficial nesta segunda-feira (8), o Ministério da Saúde informou que a estratégia de vacinação contra a dengue foi interrompida. A vacina produzida pelo Instituto Butantan foi interrompida, enquanto as vacinas oferecidas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos não foram afetadas.
A suspensão foi feita em decorrência da descoberta de 42 casos graves de reações adversas registradas pelo sistema de vigilância pós-vacinação. A medida visa exclusivamente às vacinas fabricadas pelo Butantan, que estavam sendo aplicadas nos profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto realizados em municípios selecionados. O comunicado foi informado por meio do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, durante coletiva para a imprensa.
Durante a coletiva, Padilha confirmou a pausa:
“Nós estamos tomando uma decisão hoje de descontinuar temporariamente a atual estratégia de uso da vacina do Butantan contra a dengue no país.”
O ministro também deixou claro que aproximadamente 500.000 doses já haviam sido efetuadas quando foram identificados os casos de reações adversas pelo sistema de vigilância. De acordo com Padilha, entre esses 42 casos, alguns sintomas não tinham sido constatados nos estudos clínicos das fases 1, 2 e 3, concluídos antes da vacina ser autorizada.
Casos registrados
Dos 42 que foram identificados, em três deles houve situações graves, incluindo duas mortes que vão ter a devida investigação por parte do Ministério da Saúde. Padilha relatou que as apurações feitas até o momento não apontaram evidências suficientes que mostrem uma relação de causa e efeito entre a vacinação e as ocorrências.
Segundo palavras do próprio ministro explicando o caso: “Não existem informações suficientes para estabelecer uma causalidade entre a vacina e esses óbitos. Também não existem, até este momento, dados suficientes para estabelecer uma causalidade da vacina com a ocorrência desses casos graves.” – disse a autoridade.
Foi ressaltado pelo ministro que os 42 registros correspondem a cerca de oito casos graves a cada 100 mil doses administradas. Embora a incidência seja baixa, o ministério optou por tomar uma medida de precaução. Mesmo que pareça um número baixo, foi ligado um sinal de alerta para a interrupção da campanha até que as investigações terminem.
Sede do Ministério da Saúde em Brasília (Foto: reprodução/Getty Images Embed/mtcurado)
Vacinas já distribuídas e vacina do SUS
Apesar da medida, o Ministério, no decorrer dos dias, vai realizar reuniões com gestores municipais e estaduais, orientando a pausa da vacinação e o manifesto de uma nota técnica com detalhes recomendativos. Padilha deixou claro que as vacinas já compartilhadas devem ficar armazenadas nas redes de frio dos estados e municípios até que tudo fique esclarecido.
A entidade de saúde brasileira esclareceu que a interrupção não está relacionada à outra vacina contra a dengue que está sendo administrada pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O que está sendo investigado é a vacina desenvolvida pelo Instituto Butantan, administrada a profissionais da atenção primária à saúde e em projetos-piloto realizados em cidades escolhidas.
