Estudo aponta que 64 milhões de brasileiros não concluíram a educação básica

Pesquisa de organizações da sociedade civil defende fortalecimento da EJA e estima impacto bilionário na economia com maior escolarização

08 jul, 2026
Professor e aluna | Reprodução/Unsplash/Monica Melton
Professor e aluna | Reprodução/Unsplash/Monica Melton

Um levantamento divulgado por 16 organizações da sociedade civil revelou que cerca de 64 milhões de brasileiros com 15 anos ou mais não concluíram a educação básica. Desse total, mais de 44 milhões não terminaram o ensino fundamental, enquanto outros 19 milhões interromperam os estudos antes de concluir o ensino médio.

Os dados foram apresentados durante o lançamento de uma rede formada por instituições como a Fundação Roberto Marinho, a Unesco e o Unicef. A iniciativa busca contribuir com propostas para o novo Plano Nacional de Educação (PNE), que estabelecerá as metas para o ensino brasileiro na próxima década.

EJA tem procura de 2%

O estudo destaca que, apesar do elevado número de pessoas sem a formação básica completa, menos de 2% desse público está matriculado na Educação de Jovens e Adultos (EJA), modalidade voltada para quem deseja retomar os estudos.

Histórias como a de Francisca Laura Silva ilustram esse cenário. Após passar cerca de 30 anos longe da escola por causa do trabalho como empregada doméstica, das responsabilidades familiares e das dificuldades financeiras, ela decidiu voltar a estudar, incentivada pela família. Agora, sonha em seguir uma carreira na área da saúde e afirma que deseja se tornar médica para ajudar outras pessoas.

As organizações responsáveis pela pesquisa defendem que a EJA seja fortalecida como uma ferramenta de inclusão social e qualificação profissional. Segundo Rebeca Otero, coordenadora de Educação da Unesco no Brasil, ampliar o acesso à educação também significa criar melhores oportunidades de emprego e contribuir para o desenvolvimento econômico do país.


Idoso estudando na EJA (Foto: reprodução/Getty Images Embed/andresr)


Impactos na renda anual

Além dos impactos sociais, o levantamento aponta reflexos diretos na economia brasileira. De acordo com a pesquisa, o Brasil poderia gerar cerca de R$ 66 bilhões adicionais em renda por ano caso essa parcela da população concluísse a educação básica. O valor corresponde a aproximadamente 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional.

Para as entidades envolvidas, a ampliação da Educação de Jovens e Adultos deve ser tratada como uma prioridade nas políticas públicas. O grupo afirma que reduzir o déficit educacional é fundamental para promover inclusão, aumentar a produtividade e ampliar as oportunidades para milhões de brasileiros.

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