Defesa de adolescente questiona apuração em caso do cão Orelha
Advogados afirmam que vídeo mostra animal após o horário estimado da agressão e contesta a cronologia apresentada pela Polícia Civil
A investigação sobre o caso Orelha ganhou um novo desdobramento nesta quarta-feira (04), após a divulgação feita pela defesa do adolescente investigado, de um vídeo que mostra o animal circulando pela vizinhança na manhã de 4 de janeiro. As imagens, de acordo com advogados do menor, teriam sido gravadas por volta das 7h, horário posterior ao intervalo indicado inicialmente pela Polícia Civil como o mais provável para a ocorrência da agressão, estimado em torno das 5h30.
A polícia finalizou o inquérito nesta terça-feira (3), com o pedido de internação provisória do adolescente. Porém, a defesa sustenta que o jovem não participou do crime e argumenta que o vídeo apresentado compromete a linha do tempo construída pela investigação. Para os advogados, a ausência de imagens do momento exato da agressão e de testemunhas presenciais diretas impede a definição precisa de quando o animal foi ferido e, posteriormente, morreu.
Advogados apresentam vídeo e polícia mantém versão
Mardjoli Valcareggi, delegada responsável pelo caso, confirmou a autenticidade do vídeo, mas reiterou que a Polícia Civil nunca afirmou que o cachorro tenha morrido imediatamente após a agressão. Segundo a delegada, desde o começo das investigações, a hipótese considerada foi a de que o ferimento evoluiu ao longo de alguns dias.
Testemunhas relataram ter visto Orelha machucado ainda no dia 4, enquanto pessoas envolvidas no resgate informaram que o quadro clínico do animal se agravou no dia seguinte.
Advogados divulgam vídeo de cão orelha (Video: reprodução/YouTube/Globonews)
Laudos técnicos e depoimentos recolhidos de pessoas que atenderam o cão indicam que a lesão na cabeça não era fatal de forma imediata, sendo compatível com uma agressão ocorrida cerca de dois dias antes da morte. Orelha foi encontrado em estado grave na Praia Brava no dia 5 de janeiro e morreu após receber atendimento veterinário.
O laudo da Polícia Científica aponta que o animal sofreu um impacto violento na região da cabeça, possivelmente causado por chute ou objeto contundente, além de apresentar lesões no olho esquerdo e sinais de desidratação severa.
Investigação sobre morte de Orelha
Investigação reuniu 24 testemunhas que prestaram depoimentoss e oito adolescentes chegaram a ser apurados. A Polícia Civil também examinou imagens de câmeras de segurança que, segundo os investigadores, revelam inconsistências no depoimento do principal suspeito. Um dos vídeos mostra o adolescente saindo do local onde estava hospedado às 5h25 e retornando às 5h58, contrariando a versão de que ele teria permanecido na área da piscina durante todo o período.
Outro ponto considerado importante foi a identificação das roupas usadas pelo adolescente na data dos fatos. A vestimenta foram apreendidas após a chegada dele ao Brasil, no fim de janeiro, e comparadas com registros de vídeo coletados ao longo da apuração. Os nomes e demais dados pessoais dos envolvidos não foram divulgados, em cumprimento ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que determina o sigilo em casos envolvendo menores de idade.
