Polícia Civil finaliza investigação sobre morte do cão Orelha na Praia Brava
Polícia Civil concluiu o inquérito após analisar câmeras, ouvir testemunhas e apontar contradições no relato do adolescente investigado
Nesta terça-feira (03), a Polícia Civil do estado de Santa Catarina concluiu o inquérito que apurou a morte do cão comunitário conhecido como Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, e apontou a existência de inconsistências no depoimento do adolescente investigado pelo caso. Com o encerramento da investigação, o relatório foi remetido ao Ministério Público, solicitando a internação provisória do jovem envolvido nos maus-tratos ao falecido cachorro.
Segundo a Polícia Civil, vídeos de câmeras de segurança foram fundamentais para esclarecer a dinâmica dos fatos. As imagens mostram o adolescente deixando o condomínio onde estava hospedado por volta das 5h25 do dia 4 de janeiro e retornando cerca de meia hora depois, às 5h58, acompanhado de uma amiga. Inicialmente, o adolescente afirmou que teria permanecido o tempo todo na área interna do condomínio.
Horário da agressão e presença na praia
Segundo o delegado responsável pelo caso Orelha, Renan Balbino, a análise das imagens, somada a depoimentos e outros elementos de prova, revelou contradições e omissões consideradas relevantes para a investigação. Conforme apurado, adolescente reconheceu depois em depoimento, a agressão ao cão, que teria sido agredido por volta das 5h30, horário compatível com o deslocamento do adolescente até a praia. Vestimentas, testemunhos e registros audiovisuais reforçaram a presença do jovem no local no momento estimado da agressão.
Adolescente responsável pela morte de cão orelha identificado pela polícia civil (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)
Orelha foi encontrado gravemente ferido na manhã do dia 5 de janeiro, apresentando sinais de sofrimento intenso. Apesar do atendimento veterinário emergencial, o animal não resistiu. O laudo pericial indicou lesões severas na cabeça e no olho esquerdo, além de desidratação.
A Polícia Científica concluiu que o ferimento fatal foi provocado por um impacto contundente, possivelmente causado por um chute ou pelo uso de um objeto muito rígido, como madeira ou garrafa.
Depoimentos e número de testemunhas ouvidas
No decorrer da investigação, 24 testemunhas foram ouvidas, e ao menos oito adolescentes chegaram a ser analisados como possíveis envolvidos. A polícia também examinou mais de mil horas de gravações provenientes de 14 câmeras de segurança, além de ter utilizado ferramentas de geolocalização para reconstruir os deslocamentos na área. Peças de vestuário, como um moletom e um boné de cor rosa, também foram consideradas relevantes após levantarem suspeitas durante a abordagem do adolescente no retorno de uma viagem para fora do Brasil.
Em razão da idade do suspeito, detalhes como nome, idade e endereço permanecem confidenciais, conforme determina o Estatuto da Criança e do Adolescente. O processo agora segue para o Ministério Público, que poderá apresentar a representação à Vara da Infância e Juventude, dando início ao procedimento socioeducativo para o adolescente.
