Clientes do Will Bank enfrentam dificuldades para obter reembolso após liquidação do Banco Master
Clientes da financeira enfrentam dificuldades para reaver saldo após liquidação, enquanto FGC inicia reembolsos parciais a parte dos correntistas
Após o banco digital Will Bank ser liquidado pelo Banco Master, clientes enfrentam dificuldades para obter o dinheiro que estava em saldo. Em entrevista ao portal G1, alguns clientes afirmaram que o dinheiro seria usado para despesas básicas do mês, como conta de luz, água, aluguel e compra de alimentos. Mas, diante do ocorrido, até o momento aguardam o reembolso do saldo bancário.
Segundo informações divulgadas pelo próprio banco, 60% dos seus clientes se situavam no Nordeste, em sua maioria em cidades pequenas, afastadas das grandes metrópoles.
Algumas pessoas já começaram a receber o reembolso. Investidores em CDBs e letras de crédito (LCIs e LCAs) estão recebendo pelo Fundo Garantidor de Créditos (FGC), que funciona como se fosse um seguro que cobre perdas de até R$ 250 mil por instituição. Em fevereiro, o FGC adiantou cerca de R$ 6,1 milhões para clientes que tinham até R$ 1 mil para receber. Isso foi uma tentativa de reduzir a fila de pessoas para receber o dinheiro.
Pessoas que utilizavam o banco apenas para receber pagamentos ficaram de fora desse “seguro”. Mas, perante a legislação, o Banco Central terá que devolver todo o saldo ao indivíduo, porém isso só irá acontecer após o Banco Master informar todos os credores. Esse é um processo demorado, que demanda tempo e não tem prazo para acabar.

Cartão de crédito do Will Bank (Foto: reprodução/Instagram/@eusouwillbank)
Bloqueios das contas sem aviso prévio
Em entrevista ao G1, o servidor público Felipe Cândido, de 50 anos, contou que depositou cerca de R$ 6 mil no Will Bank, valor que seria destinado à matrícula da escola de suas duas filhas e à mudança de casa. Quatro dias depois, o servidor percebeu que o BC decretou a liquidação do Will Bank sem nenhum aviso prévio, retendo o saldo da conta.
“Estou com uma extensão ligada na casa da vizinha. Daqui sai energia para a geladeira, a televisão e o ventilador das crianças. Não tem como ficar sem luz. Daqui a pouco não vamos conseguir comprar comida. O dinheiro está todo retido.”
Felipe, que tem quatro filhas e cuida de uma neta, precisou se afastar do emprego para acompanhar a esposa, que estava com câncer de mama. Infelizmente, ela não resistiu e veio a falecer no início do ano. Como esse valor ultrapassa R$ 1 mil, ele não foi beneficiado com a antecipação do FGC.
Outra cliente do banco foi Deise, de 50 anos. Ela, que está desempregada, utilizava o Will para guardar o dinheiro que ganhava com a venda de salgados: “Era pouco o que eu tinha na conta, mas era meu. Para minha surpresa, quando abri o aplicativo, apareceu a mensagem de liquidação.”
Como o saldo de Deise não ultrapassava R$ 1 mil, ela conseguiu o reembolso antecipado pelo FGC.
Desde novembro de 2025, quem controlava o Will Bank era o Regime Especial de Administração Temporária (Raet). Isso aconteceu porque a medida buscava vender o banco após a liquidação do Banco Master. Como isso não ocorreu, o Will Bank também precisou ser liquidado.
Liquidação da Will Bank (Vídeo: reprodução/Youtube/g1globo)
Como pedir o reembolso
O FGC busca desembolsar cerca de R$ 6,3 bilhões para o reembolso. O pagamento será realizado entre 30 e 60 dias após o envio completo da lista de credores do BM, e o pedido de reembolso poderá ser feito digitalmente pelo aplicativo do FGC.
Atualmente, o aplicativo bancário do Will Bank ainda abre e é possível ver o saldo, mas fica impossibilitado quando a pessoa tenta fazer alguma transferência. Segundo o advogado Renato Scardoa, consultado pelo G1, se a pessoa estiver passando por dificuldades financeiras devido ao processo de liquidação, pode recorrer à Justiça.
