Polícia Civil expõe grupo que planejava atentados no Distrito Federal

Grupo compartilhava conteúdos de cunho neonazistas, misóginos e manuais para fabricação de explosivos para atentados no Distrito Federal

10 ago, 2026
Congresso Nacional | reprodução/Pexels/Magali Guimarães
Congresso Nacional | reprodução/Pexels/Magali Guimarães

A Polícia Civil descobriu um grupo que planejava atentados contra políticos e prédios públicos no Distrito Federal. A investigação revelou uma rede de contatos que se estendia a moradores de oito cidades, em cinco estados brasileiros.

Nas conversas monitoradas pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, os homens combinavam ataques violentos e a fabricação de explosivos, além de disseminarem discursos neonazistas e misóginos.

De acordo com Wellington César Lima e Silva, ministro da Justiça e Segurança Pública, o que eles planejavam “eram atentados sérios”. O ministro também ressaltou a importância de a sociedade estar atenta a esse tipo de comportamento, para que ele não seja normalizado.

O CiberLab, laboratório do Ministério da Justiça especializado em crimes cibernéticos, classificou como elevado o grau de periculosidade do conteúdo compartilhado, devido ao excesso de incentivo à violência.

Grupo usava Telegram para identificar pessoas dispostas a matar

Nenhum dos criminosos se conhecia pessoalmente, e a comunicação entre eles ocorria por meio de dois grupos no Telegram, ambos controlados pelos mesmos administradores.


Pessoa segura celular na mão. A tela do aparelho mostra o aplicativo Telegram.

Aplicativo do telegram (Foto: reprodução/Pexels/@viralyft)


No maior deles, havia mais de 600 membros. O grupo era usado como porta de entrada para a comunidade, e era por meio dele que os administradores buscavam identificar pessoas dispostas a matar.

Os participantes que correspondiam ao perfil procurado ou que se radicalizavam recebiam o convite para o segundo grupo, onde trocavam informações detalhadas sobre os ataques, como custos, quantidade de explosivos e instruções sobre os planos.

Esse segundo fórum contava com 46 integrantes. Nele, os participantes também recebiam manuais para a fabricação de explosivos, coquetéis molotov e outros artefatos da mesma categoria, que seriam usados nos ataques.

Palácio do Planalto era o principal alvo do grupo

O objetivo do grupo era se organizar para cumprir uma série de atentados, sendo o Palácio do Planalto um dos principais alvos. Eles buscavam utilizar a violência e a destruição do patrimônio brasileiro como forma de enviar um “recado” para todo o país.


 Palácio do Planalto, no Distrito Federal, em Brasília (Foto: reprodução/AFP/Evaristo Sá/Getty Images Embed)


Uma das mensagens trocadas pelo grupo e divulgada pelo Fantástico revelou que eles planejavam explodir o prédio onde ocorreria o debate dos candidatos no 2º turno das eleições presidenciais deste ano.

Segundo o delegado Coelho, os criminosos também tinham acesso a recursos sensíveis, como os mapas dos prédios do Congresso Nacional, dos ministérios, do Supremo Tribunal Federal e do Palácio do Planalto — o que os auxiliava no planejamento detalhado dos ataques.

Os mandados de busca e apreensão foram cumpridos na última terça-feira, 4, e os investigados devem responder na Justiça por incitação ao crime, associação criminosa, apologia à ideologia neonazista e distribuição de material nazista.

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