Acordo nuclear com Irã: do pacto de Obama à guerra de Trump
O enriquecimento de urânio pelo Irã é o centro dos desentendimentos com os Estado Unidos; Após ataques americanos Irã bombardeia bases americanas
O presidente americano Donald Trump, nesta segunda-feira (2) voltou a criticar o acordo nuclear firmado entre o Irã e os Estados Unidos em 2015, pelo então presidente Barack Obama. O pacto tinha como objetivo limitar o programa nuclear do Irã em troca da retirada e sanções internacionais.
Trump declarou que “está feliz de ter derrubado o horrível acordo nuclear”. A declaração ocorre dois dias após bombardeios americanos atingirem alvos em territórios iranianos. Segundo o governo americano, os alvos eram ligados a membros da alta cúpula militar do país, incluindo o líder supremo do país, o aiatolá Ali Khamenei.
O que dizia o acordo
O acordo foi assinado em 2015, na Áustria e envolveu o Irã, Estados Unidos, Grã-Bretanha, França, Rússia, China e Alemanha. O acordo foi firmado entre o então presidente americano Barack Obama e o presidente iraniano Hasan Rohani.
O acordo estabeleceu que o Irã reduzirá sua capacidade nuclear e reservas de urânio, não acumulasse urânio enriquecido e autorizasse inspeções americanas em instalações iranianas e em troca receberia a liberação de ativos congelados, as sanções internacionais impostas ao país seriam retiradas e o Irã sairia da lista de países sancionados pela ONU (Organização das Nações Unidas).

Presidente dos Estados Unidos Donald Trump (Foto: reprodução/Instagram/@realdonaldtrump)
Durante seu primeiro termo como presidente, em 2018, Donald Trump retirou os Estados Unidos do acordo, que chamou de pacto desastroso por não oferecer aos Estados Unidos garantias de que o Irã encerraria sua produção de mísseis balísticos.
A importância do programa nuclear para o Irã
O urânio é utilizado como combustível em usinas nucleares para a produção de energia, mas quando enriquecido ele se torna o principal elemento de composição de uma bomba atômica. As divergências entre os Estados Unidos e Irã se dão em sua maioria pela insistência do Irã em enriquecer urânio em seu próprio território.
O Irã afirma que está em seu direito ao desenvolver programas de energia nuclear para fins pacíficos, os Estados Unidos reconhece este direito mas não é confiante nas garantias oferecidas por Teerã de que manterá o programa pacífico.

Iranianos protestam contra ataques americanos (Foto: reprodução/x/@soupalestina)
É pouco provável que o Irã mude de ideia em relação à produção de urânio enriquecido, o programa nuclear oferece para o país uma vantagem estratégica ao permitir a produção de uma arma nuclear se necessário.
Desde a ruptura do acordo em 2018, o Irã retomou o enriquecimento de urânio e os recentes ataques americanos apenas elevam o conflito a um novo patamar. O Irã retaliou os ataques americanos com bombardeios a bases americanas a países vizinhos, aumentando o risco de um conflito generalizado no Oriente Médio.
