João Menna: “Um artista que ajuda profissionais a mostrarem quem realmente são em sua essência e competência, se tornando inesquecíveis”
Com uma trajetória marcada por grandes retratos, João Menna amplia seu olhar para o universo empresarial e mostra por que imagem também é estratégia
Uma fotografia pode registrar um instante, preservar uma memória ou revelar, em poucos segundos, aquilo que muitas palavras não conseguem explicar. Por trás de cada retrato, existe um olhar capaz de escolher o que será mostrado e, principalmente, qual percepção aquela imagem pretende despertar. Para o retratista e empresário João Menna, essa capacidade de transformar percepções foi muito além do trabalho com a câmera. O que começou como uma oportunidade de entrar em lugares aos quais talvez não tivesse acesso se transformou em uma carreira construída sobre imagem, estratégia, posicionamento e valor.
Sua história com a fotografia começou ainda no interior da Bahia, em uma trajetória marcada por trabalhos operacionais e experiências que ajudaram a formar seu olhar profissional. Entre elas, a cobertura do Carnaval, quando chegou a trabalhar por 12 horas recebendo apenas R$ 200. Foi nesse caminho que João percebeu uma questão que se tornaria central em sua carreira: não basta possuir competência; é preciso que ela também seja percebida.
Essa percepção ganhou força em 2018, durante um trabalho ligado à Le Creuset. Ao fotografar produtos de alto valor, João começou a questionar a própria precificação e a relação entre estética e valor percebido. A experiência mostrou que marcas e pessoas não buscavam apenas uma fotografia tecnicamente bonita, mas a percepção que aquela imagem seria capaz de produzir. No ano seguinte, sua primeira venda de R$ 15 mil consolidou uma nova perspectiva: havia espaço para investir em fotografia quando ela deixava de ser apenas estética e passava a funcionar como estratégia.
A partir daí, os próprios clientes começaram a ampliar as perguntas: como se vestir, como falar, o que publicar e como transformar uma nova percepção em oportunidades. João passou, então, a atuar também como estrategista de percepção, reputação e valor. Ao longo da carreira, retratou presidentes, ministros, bilionários, grandes empresários e nomes de destaque nos cenários político e intelectual. Para ele, uma imagem não deve apenas registrar uma pessoa, mas revelar e fortalecer aquilo que ela representa.
Entre os trabalhos que marcaram essa trajetória está o ensaio com Jair Bolsonaro, no qual João buscou registrar também a cicatriz deixada pelo atentado sofrido pelo ex-presidente. Segundo ele, foi difícil convencer o fotografado a realizar a imagem, que acabou ganhando relevância justamente por revelar uma camada além da imagem pública.
Essa experiência ajuda a explicar por que, para João, fotografia e posicionamento caminham juntos. Ao observar uma pessoa através das lentes, ele procura compreender a distância entre aquilo que ela é, o que deseja transmitir e aquilo que o mercado efetivamente enxerga. Seu trabalho busca comunicar atributos como força, inteligência, sofisticação, liderança ou humanidade sem transformar a pessoa em um personagem.
Depois de conquistar seu primeiro milhão aos 30 anos e participar da construção de negócios que faturam dezenas de milhões de reais, João levou essa experiência prática para uma metodologia voltada a profissionais que desejam conquistar reconhecimento, elevar sua percepção de valor e deixar de competir apenas por preço. Fundador da MAGNUS, empresa especializada em marca pessoal, imagem e posicionamento, lidera projetos para empresários, médicos, advogados, executivos e profissionais de alta performance. Por meio de suas consultorias digitais, seu trabalho já impactou mais de 150 mil alunos e alcançou milhões de pessoas nas redes sociais.

Créditos: RetratAi do João Menna
No centro dessa atuação está o conceito de Capital de Reputação, definido por João como um ativo invisível capaz de influenciar o quanto alguém é lembrado, ouvido, respeitado, escolhido e valorizado. Sua principal tese é que, em um mercado saturado de informações e cada vez mais influenciado pela inteligência artificial, competência técnica isolada já não garante reconhecimento. As pessoas escolhem, contratam e seguem aqueles em quem confiam. Nesse cenário, reputação, imagem e credibilidade deixam de ser elementos acessórios e passam a representar ativos estratégicos para profissionais e empresas.
Esse pensamento também está presente em sua mentoria exclusiva, desenvolvida para um grupo seleto de empresários. A proposta nasceu da percepção de que profissionais de alto nível muitas vezes não precisam de mais informação, mas de clareza, ambiente e confronto estratégico para entender quais sinais estão se fortalecendo, ou sabotando o próprio valor. O processo trabalha aspectos como identidade, território, narrativa, presença, imagem, conteúdo e autoridade, buscando transformar competência em relevância proporcional à trajetória de cada participante.
É também a partir dessa visão que nasceu sua mentoria exclusiva para empresários. A escolha por um formato mais restrito também acompanha a visão de João sobre o próprio processo. Ao reunir empresários que vivem desafios semelhantes, a mentoria cria um ambiente de troca e aprofundamento, no qual questões como diferenciação, comunicação de valor e construção de autoridade podem ser discutidas de maneira mais estratégica. No fundo, o objetivo não é simplesmente tornar essas pessoas mais conhecidas, mas ajudá-las a ocupar, de maneira intencional, o espaço que suas histórias, competências e ambições já permitem alcançar.
Em entrevista exclusiva à Lorena Magazine, João revisita os caminhos que o trouxeram até aqui, fala sobre fotografias que marcaram sua trajetória, os desafios de retratar personalidades e revela por que, em um mercado movido cada vez mais pela atenção e pela percepção, ser competente pode não ser suficiente, é preciso também saber ser lembrado.
Quando você olha para o início da sua trajetória, o que mais te impactou e o incentivou a seguir, inicialmente na fotografia?
No início, a fotografia foi uma forma de entrar em lugares aos quais eu talvez não tivesse acesso de outra maneira. Morei no interior da Bahia e comecei a fazer trabalhos muito operacionais, cheguei a trabalhar no carnaval por R$ 200 durante 12 horas. Mas, mesmo ali, havia algo que me inquietava: perceber como uma imagem podia mudar a maneira como alguém era visto.
A fotografia me ensinou cedo que não basta ser bom; é preciso ser percebido como alguém bom. Esse foi o começo de tudo. A câmera era o instrumento, mas a percepção sempre foi o tema que dominava minhas noites de insônia. Percepção e poder.
Em que momento você percebeu que poderia transformar o olhar fotográfico em um grande negócio?
O primeiro grande estalo veio em 2018, em um trabalho ligado à Le Creuset. Percebi que marcas e pessoas não compravam apenas uma fotografia bonita; compravam a percepção que aquela fotografia gerava. Fotografei por R$ 400 reais, panelas de R$ 7 mil. Percebi o como eu mesmo estava me desvalorizando. Em 2019, fiz minha primeira venda de R$ 15 mil e entendi que havia um mercado disposto a pagar muito por imagem quando ela deixava de ser estética e passava a ser estratégia.
Ali ficou claro para mim que eu não queria construir uma carreira baseada em “fazer fotos”. Eu queria construir uma empresa capaz de aumentar o valor percebido de pessoas e negócios relevantes.

Créditos: RetratAi do João Menna
Ao longo da sua carreira, você certamente esteve diante de pessoas e situações que renderam imagens especiais. Existe alguma fotografia que tenha um significado particularmente importante para você? Por quê?
Existem muitos retratos importantes, mas os que mais me marcam são aqueles em que a imagem consegue carregar uma história que não precisa ser explicada em legenda. Um olhar, uma cicatriz, uma postura, tudo isso comunica. O retrato é o passado de cada um.
Tenho um carinho especial por retratos de pessoas que já chegam muito carregadas de narrativa pública. Quando a fotografia consegue atravessar o personagem e revelar uma camada humana, simbólica e histórica, ela deixa de ser apenas um registro. Ela se torna documento de um tempo.
Qual foi a fotografia mais desafiadora ou marcante que você já produziu e que, de alguma forma, mudou sua maneira de enxergar o próprio trabalho?
Os retratos de grandes figuras públicas foram particularmente desafiadores porque exigem muito mais do que técnica. Você tem pouco tempo, uma pessoa acostumada a ser observada e uma imagem pública que já vem pronta antes de você apertar o obturador.
Isso mudou meu olhar porque me fez entender que um bom retrato não é sobre controlar alguém. É sobre criar um ambiente em que a pessoa abaixe, por alguns segundos, a guarda do personagem que construiu. É nesse intervalo que a imagem ganha verdade.
Fiz isso com o Bolsonaro ao mostrar a cicatriz dele, que foi difícil de convencer. Mas ele entendeu a importância dessa imagem.
João, o que você busca revelar em uma pessoa quando está por trás das lentes?
Eu busco revelar a tensão entre quem aquela pessoa é e como ela deseja ser percebida. Todo mundo tem uma presença que antecede a fala. Muitas vezes, ela está desalinhada com a competência, com a ambição ou com a história que aquela pessoa carrega.
Meu trabalho é encontrar os elementos que comunicam força, inteligência, sofisticação, liderança ou humanidade sem que isso pareça encenado. A melhor imagem é aquela em que a pessoa se reconhece, mas o mundo a enxerga em uma dimensão maior.
Em sua trajetória, você passou da fotografia para um trabalho mais estratégico envolvendo posicionamento de imagem. Por que decidiu mudar de olhar e seguir um trabalho diferente? O que isso significou?
Porque eu percebi que a fotografia era só uma parte da transformação. Depois de um retrato, os clientes começaram a me perguntar como se vestir, como falar, o que publicar, quais opiniões defender e como transformar aquela nova percepção em negócios.
Foi quando entendi que o problema não era apenas visual. Era de posicionamento. A fotografia abriu a porta, mas a estratégia me permitiu ficar na sala onde as decisões realmente acontecem. Essa transição significou sair do papel de fornecedor de imagem para me tornar um estrategista de percepção, reputação e valor.
Hoje, quando falamos em posicionamento de imagem, existe uma diferença entre simplesmente “parecer bem” e construir uma imagem capaz de gerar valor. Como você enxerga essa diferença?
Parecer bem é estética. Gerar valor é estratégia. Uma pessoa pode estar muito bem vestida, ter fotos bonitas e uma presença digital organizada, mas ainda assim não ser lembrada, indicada ou bem remunerada. Isso acontece porque a imagem não é só aparência. É a interpretação que o mercado faz dos seus sinais.
Uma imagem que gera valor aumenta confiança, reduz objeções, atrai oportunidades melhores e permite que você cobre mais pelo que já sabe fazer. O objetivo não é parecer rico, importante ou sofisticado. É fazer com que a percepção externa esteja à altura, ou à frente, daquilo que você entrega.
Você trabalha com o conceito de “Capital de Reputação”. Como explicaria esse conceito para um empresário que ainda não percebeu o quanto sua reputação influencia diretamente seus negócios?
Capital de Reputação é o ativo invisível que faz alguém confiar em você antes mesmo de conhecer profundamente o seu trabalho. É o que determina se você será lembrado numa sala, indicado por alguém importante, escolhido antes de uma reunião ou considerado caro demais.
Todo empresário já entende o valor de capital financeiro, equipe e marca. Mas a reputação é o capital que potencializa todos os outros. Ela atrai talentos, clientes, parceiros, imprensa, investidores e oportunidades que dinheiro sozinho não compra.
No fim, as pessoas não fazem negócios apenas com empresas. Elas fazem negócios com a confiança que têm em quem está por trás delas.

Créditos: @biancafotografa
A reputação é construída ao longo do tempo, mas também pode ser comprometida rapidamente. Quais são os erros de posicionamento que você mais observa entre empresários e profissionais de alta performance?
O primeiro é tentar copiar uma imagem que não sustenta. A pessoa vê alguém funcionando nas redes, imita o tom, a roupa, os temas e o estilo de vida, mas não constrói uma identidade própria.
Outro erro é confundir a visibilidade com autoridade. Ser visto não é necessariamente ser respeitado. Há pessoas com muito alcance e pouco valor percebido; outras falam menos, mas quando entram em uma conversa, mudam o nível dela.
Também vejo muitos empresários delegando a própria identidade por completo. Ter equipe é fundamental, mas ninguém pode terceirizar suas convicções. Marcas têm slogans; pessoas relevantes têm opiniões.
Até que ponto imagem e reputação precisam estar alinhadas com aquilo que uma pessoa realmente entrega? É possível sustentar uma imagem forte sem que exista consistência por trás dela?
Não por muito tempo. A imagem pode abrir portas, mas é a entrega que decide se elas permanecerão abertas.
Eu acredito que imagem não deve ser uma fantasia; deve ser uma antecipação honesta daquilo que a pessoa é capaz de entregar. Quando existe coerência, a reputação se multiplica. Quando não existe, a mesma imagem que colocou alguém em evidência acelera a queda.
A estética pode chamar atenção. A consistência é o que transforma atenção em legado.
Você acredita que todo empresário precisa ser uma “marca pessoal” ou existem profissionais que podem construir grandes negócios sem necessariamente ocupar esse lugar de exposição?
Nem todo empresário precisa ser influenciador ou estar exposto todos os dias. Mas todo empresário relevante tem uma reputação, queira ele ou não.
É possível construir um grande negócio com baixa exposição pública. O que não é possível é acreditar que ausência de posicionamento significa neutralidade. Se você não constrói sua narrativa, o mercado constrói uma por você — e normalmente de forma muito mais limitada.
A questão não é aparecer por aparecer. É ocupar, de forma intencional, o lugar que a sua ambição exige.
Seu trabalho envolve ajudar empresários a compreenderem a imagem como um todo e como ser transmitida. Sem muitos spoilers, o que um empresário pode encontrar na sua mentoria?
Ele encontra clareza. Clareza sobre quem é, qual território precisa ocupar, que percepção deve gerar e quais sinais estão sabotando o próprio valor.
A mentoria passa por identidade, território, arquétipos, narrativa, presença, imagem, conteúdo, autoridade e aquisição. Mas, acima de tudo, ela organiza uma pessoa que já tem competência, porém ainda não conseguiu transformar isso em relevância proporcional.
Não é sobre criar um personagem. É sobre dar forma, linguagem e consistência ao que já existe de mais valioso naquela trajetória.

Créditos: RetratAi do João Menna
Sobre sua mentoria exclusiva para um grupo seleto de empresários, o que levou você a querer desenvolvê-lo neste formato?
Porque percebi que empresários de alto nível não precisam apenas de informação. Eles precisam de ambiente, confronto estratégico e execução.
O formato seleto permite profundidade. Cada pessoa chega com uma história, um mercado e uma ambição diferentes, mas existem padrões muito claros: dificuldade de comunicar valor, excesso de operação, pouca diferenciação e uma reputação abaixo do próprio potencial.
Quando você reúne pessoas que estão jogando um jogo parecido, a conversa sobe de nível. E isso acelera decisões que, sozinhas, poderiam levar anos.
Quem chega até você buscando construir ou fortalecer seu Capital de Reputação normalmente está procurando o quê: mais autoridade, reconhecimento, oportunidades, influência ou valorização financeira?
Normalmente, a pessoa chega pedindo uma dessas coisas, mas descobre que todas estão conectadas.
Ela quer cobrar mais, mas precisa de autoridade. Quer mais autoridade, mas precisa ser reconhecida. Quer reconhecimento, mas precisa ocupar um território claro. Quer oportunidades, mas precisa ser lembrada pelas pessoas certas.
No fundo, ela está buscando coerência entre o valor que entrega e o valor que o mercado percebe. A valorização financeira é consequência quando essa distância diminui.
Existe um momento específico na carreira de um empresário em que investir na própria reputação deixa de ser uma escolha e passa a ser uma necessidade estratégica?
Sim. Isso acontece quando a empresa cresce mais do que a imagem do fundador; quando ele começa a disputar clientes, talentos e parceiros em um nível mais alto; ou quando percebe que está sendo comparado apenas por preço.
Em determinado estágio, competência deixa de ser diferencial porque todos ao redor também parecem competentes. A reputação passa a ser o filtro. É ela que explica por que alguém escolhe você antes mesmo de comparar propostas.
Neste momento, não investir na própria imagem deixa de ser modéstia. Passa a ser uma decisão cara.
Na era das redes sociais, em que todos podem produzir conteúdo e disputar atenção, o que realmente faz uma pessoa se diferenciar e conquistar autoridade em meio a tanto ruído?
A coragem de ser específico. Quase todo mundo tenta ser aceito por todos e, por isso, acaba sendo irrelevante para qualquer pessoa. A autoridade nasce quando alguém assume um território, tem repertório para defendê-lo e mantém consistência suficiente para ser associado àquela ideia. Não basta ter conteúdo; é preciso ter visão. Não basta ensinar; é preciso interpretar o mundo de uma forma que faça as pessoas pensarem: “eu nunca tinha visto por esse ângulo”.
No excesso de informação, vence quem tem clareza, opinião e uma narrativa impossível de confundir.

Créditos: RetratAi do João Menna
Olhando para os próximos anos, quais são os seus novos projetos e onde você acredita que estará o próximo grande capítulo da sua trajetória?
Meu próximo capítulo é ampliar o que construí com a fotografia e o posicionamento para criar uma empresa de reputação em escala. A MAGNUS nasceu da ideia de posicionar profissionais relevantes para o século XXI, e esse continua sendo o centro da visão.
Quero levar esse método para mais empresários, executivos e profissionais que têm substância, mas ainda não ocupam o lugar que merecem. Isso passa por mentorias, consultorias, experiências presenciais, conteúdo, propriedade intelectual e projetos de educação.
Minha ambição não é simplesmente formar pessoas mais conhecidas. É ajudar a formar uma geração de profissionais mais difíceis de ignorar.
Para fechar, se pudesse se definir em uma frase, qual seria?
Um artista com uma empresa de marketing. Que ajuda profissionais a mostrarem quem realmente são. Em sua essência e competência. Se tornando inesquecíveis.
