Carlinhos Maia: “Acredita colega”
Em uma nova fase da carreira, Carlinhos Maia fala sobre a experiência em Milão, a força da família e os caminhos que pretende seguir
Algumas histórias começam pequenas, quase sem que ninguém imagine a dimensão que poderão alcançar. A de Carlinhos Maia começou em Penedo, no interior de Alagoas, ganhou espaço nas redes sociais e, aos poucos, ultrapassou as fronteiras da internet. Ao transformar a própria rotina, a família, os amigos e as situações do dia a dia em conteúdo, ele encontrou uma maneira particular de se comunicar e construiu uma relação de proximidade com milhões de pessoas. O que começou de forma espontânea se transformou em uma carreira que passou pelo humor, pela televisão, pelos realities e por diferentes projetos no entretenimento.
Ao longo desse caminho, Carlinhos também precisou fazer escolhas. Nem todas as oportunidades que surgiram foram aceitas, e algumas decisões ajudaram a definir os rumos que sua carreira tomou. A permanência à frente do Rancho do Maia, por exemplo, veio acompanhada da recusa a convites importantes da televisão. Mais do que seguir um roteiro pronto, ele passou a escolher os projetos que fazem sentido para o momento que vive e para aquilo que pretende construir daqui para frente.
Agora, essa trajetória entra em uma fase de novas possibilidades. A presença em Milão, onde desfilou para a Philipp Plein, representa uma dessas experiências que ampliam os horizontes de uma carreira construída no Brasil. Mas o momento atual vai muito além da moda. Carlinhos começa a olhar para o mercado internacional, planeja passar uma temporada nos Estados Unidos e se permite explorar novos espaços sem abandonar os projetos que já fazem parte de sua história.

Créditos: Marcos Duarte
Existe, nesse movimento, um contraste interessante. Quanto mais sua carreira cresce e mais longe ele chega, maior parece ser a importância de tudo aquilo que o trouxe até aqui. A família continua ocupando um lugar central, assim como a ligação com Penedo e com a realidade que sempre esteve presente em sua comunicação. A presença dos pais em Milão, por exemplo, tornou ainda mais evidente essa relação entre passado e presente: eles acompanharam os primeiros passos e também estiveram ao lado dele em uma conquista que ganhou proporções internacionais.
A história de Carlinhos Maia, portanto, não se resume aos números das redes sociais, aos projetos que acumulou ou aos lugares que passou a frequentar. Existe também uma trajetória de transformação, de escolhas e de reinvenção. O influenciador que ficou conhecido por mostrar a própria vida hoje se encontra diante de uma pergunta diferente: quais caminhos seguir quando aquilo que começou? Como uma forma de compartilhar o cotidiano se transforma em uma carreira com possibilidades cada vez maiores?
Entre o sucesso construído no Brasil e os novos planos que começam a ganhar forma fora do país, Carlinhos vive um período de mudanças. Uma fase em que experimentar novos mercados não significa necessariamente deixar para trás suas raízes, mas descobrir como levá-las para outros lugares. É nesse ponto entre a origem e o futuro que ele se encontra hoje: com novas oportunidades pela frente, projetos que ainda pretende realizar e a mesma história pessoal que continua sendo parte fundamental de quem ele é.
Nesta entrevista, Carlinhos Maia fala sobre a trajetória que o trouxe até aqui, a importância da família em suas conquistas, as escolhas que fez ao longo da carreira e os caminhos que pretende seguir daqui para frente. Entre o que já construiu e tudo aquilo que ainda deseja viver, ele reflete sobre um momento em que crescer profissionalmente também significa entender o que não pode ser deixado pelo caminho.

Créditos: Marcos Duarte
Você construiu uma carreira mostrando a vida real, a sua origem e a sua família. Ao desfilar em Milão, diante de uma das maiores vitrines da moda mundial, sentiu que estava levando não apenas o Carlinhos influenciador, mas também o menino de Penedo e toda a sua história para aquela passarela?
“Eu acho que a última coisa que senti nessa ideia de ser influenciador é que essa palavra me irrita muito, porque rede social é algo que é universal; todo mundo é influenciador. Uma pessoa que tem um seguidor, que tem milhares, sabe? Ter rede social é ser influenciador. Então, nem tudo eu levo baseado em influenciá-lo, e eu me senti como um fã de moda, porque sempre usei ela ao meu favor, porque entendia que as pessoas só dão valor quando você está bem vestido, então eu sabia que era uma armadura social e eu precisava entender. Então, por mais que muita gente tente torná-la elitista e fashionista, a moda tem muitas vertentes e eu adoro estar bem vestido, com as tendências ou não. E aí eu acho que me diverti. Não sou modelo, levei meus pais, então acho que deu uma humanizada na passarela e deu para mostrar que era uma brincadeira bonita de um menino, que a marca acha parecida com o lifestyle dela e deu super certo. Acho que não desfilaria de novo, mas eu acho que valeu a experiência e foi bonito.”
Seus pais estavam presentes em um momento tão simbólico. O que passou pela sua cabeça ao vê-los torcendo por você em Milão, e qual foi a reação deles ao perceber que aquele filho que começou mostrando a vida simples agora estava desfilando para uma grife internacional?
“Quanto aos meus pais estarem lá, eu acho que foi muito mais importante do que qualquer outra coisa, porque há dois anos atrás essa mesma marca me convidou para desfilar e meu pai estava com câncer; eu acabei voltando do aeroporto. Dois anos depois, meu pai estava curado e a primeira viagem internacional dele foi para ver o filho dele desfilar, então foi muito significativo. Eu honro meu pai e minha mãe acima de tudo e eu acho que é por isso que as coisas acontecem”.

Créditos: Marcos Duarte
A estreia na Philipp Plein pode representar uma nova fase profissional. Depois da televisão, do humor, dos realities e da influência digital, você pretende investir mais na moda, em campanhas internacionais ou em projetos que apresentem o Brasil especialmente o Nordeste ao mundo?
“Como falei, muita gente tenta tornar a moda elitista e distante, e eu sempre usei como uma armadura social. Eu não tenho uma pretensão de modificar a minha carreira; eu sou uma pessoa que fala, eu gosto de debater, eu tenho opiniões fortes, eu me permito errar, eu me permito ir contra. Então eu sou uma metamorfose ambulante, como diz o Raul Seixas. Então, o que tiver de ser meu e o que for parecido comigo, vai chegar até mim. Mas eu não pretendo forçar uma coisa com a moda. Assim como o Philipp Plein foi algo natural que aconteceu, outras coisas também vão acontecer”.

Créditos: Marcos Duarte
Você já recusou convites importantes da televisão para continuar à frente do Rancho do Maia e agora também planeja passar uma temporada nos Estados Unidos. Está começando uma nova fase mais internacional da sua carreira? O que você busca nessa mudança e o que jamais abriria mão de levar com você da sua origem, da sua família e da forma espontânea de se comunicar com o público?
“Eu não nasci para ter uma dinâmica rotineira, então, aceitar convites importantes de televisões que eu admiro e falhar com eles, eu prefiro não aceitar. Mas fico muito honrado com todos os convites. Até hoje eu ainda meto os pés pelas mãos, apenas tendo a carreira na rede social mais forte que as outras coisas. Então eu acho que eu ainda não me sinto pronto para assumir nenhuma coisa a longo prazo, que não seja com a minha própria vida e com o que eu já faço”.

Créditos: Marcos Duarte
Qual frase você mais gosta e que melhor define o momento que está vivendo?
“Acredita colega”
Créditos
Ediação de moda: Dudu Farias
Foto: Marcos Duarte
