Flávio Bolsonaro envia defesa escrita à PF em inquérito sobre calúnia contra Lula
Senador argumenta que não houve crime porque não atribuiu fatos específicos e falsos ao presidente, e que crimes mencionados se referem a Nicolás Maduro
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência da República, apresentou nesta terça-feira (28) esclarecimentos por escrito à Polícia Federal no inquérito que apura uma suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A manifestação da defesa tem sete páginas e sustenta que o parlamentar não cometeu qualquer ofensa ou atribuição criminosa ao chefe do Executivo.
A investigação teve origem em uma publicação feita por Flávio no X, em 3 de janeiro, após Nicolás Maduro ser capturado por militares dos Estados Unidos. O depoimento do senador havia sido determinado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), mas, na condição de investigado, ele tinha o direito de não prestar esclarecimentos presencialmente ou por videoconferência e optou pelo envio de uma manifestação escrita.
Defesa contesta interpretação da publicação
Na postagem que motivou o inquérito, Flávio escreveu: “Lula será delatado. É o fim do Foro de São Paulo: tráfico internacional de drogas e armas, lavagem de dinheiro, suporte a terroristas e ditaduras, eleições fraudadas”. O senador também compartilhou duas reportagens jornalísticas junto à mensagem.
A defesa, conduzida pelo criminalista Tracy Reinaldet, argumenta que a frase “Lula será delatado” não configura atribuição de um crime ao presidente. Segundo os advogados, a expressão apenas indicaria uma possibilidade de que Lula fosse mencionado em uma eventual colaboração de Nicolás Maduro.
“A frase ‘Lula será delatado’ não imputa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nenhum fato determinado, muito menos fato definido como crime.”
Os advogados também afirmam que, para caracterizar calúnia, seria necessário atribuir a alguém um fato específico e falso definido como crime. Na avaliação apresentada à PF, a mensagem publicada por Flávio não teria preenchido esses requisitos.
Outro ponto destacado pela defesa é que as acusações de tráfico de drogas e armas, lavagem de dinheiro e apoio a terroristas não teriam sido direcionadas a Lula. Os advogados sustentam que essa parte da publicação fazia referência a Maduro.
“Em nenhum momento da postagem, nem expressa nem implicitamente, tais tipos penais são atribuídos ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.”
🚨URGENTE! Flávio Bolsonaro ARREGOU e CANCELOU depoimento presencial na PF!
Com MEDO de ENCARAR o Delegado pessoalmente o Rachadinha preferiu entregar declaração POR ESCRITO !
SUA HORA VAI CHEGAR, FLÁVIO! 🚓 👀 pic.twitter.com/BByai809HU
— Pedro Rousseff (@pedrorousseff) July 28, 2026
Flávio Bolsonaro envia defesa escrita à PF (Vídeo: reprodução/X/@pedrorousseff)
Defesa questiona origem do inquérito
A defesa também argumenta que a investigação não foi aberta por iniciativa direta de Lula. Segundo os advogados, o procedimento teve origem em uma iniciativa da deputada federal Dandara Tonantzin (PT-MG). Para a equipe jurídica do senador, esse fator reforçaria a interpretação de que a publicação não teria sido considerada uma ofensa pessoal pelo presidente.
A manifestação ainda cita o contexto envolvendo Nicolás Maduro para sustentar que os crimes mencionados na publicação estavam relacionados ao político venezuelano. A defesa afirma que os termos utilizados no post não poderiam ser interpretados como uma acusação direta contra Lula.
Agora, caberá à Polícia Federal analisar os esclarecimentos apresentados pelos advogados de Flávio Bolsonaro. Após a conclusão dessa etapa, o material deverá ser encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR), que poderá decidir entre oferecer uma denúncia, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento do caso.
O inquérito segue, portanto, em fase de apuração. A apresentação da defesa por escrito representa a manifestação do senador como investigado, sem que isso signifique, por si só, uma conclusão sobre eventual responsabilidade criminal.
