Escala 6×1 alcança setor de aviação e amplia debate sobre jornadas
Categoria afirma que regras atuais favorecem jornadas extensas; proposta tem o objetivo de ampliar medidas para reduzir a fadiga entre tripulantes
A discussão sobre o fim da escala 6×1 passou a envolver o setor de aviação e abriu novos questionamentos sobre a jornada de trabalho de pilotos e comissários. Enquanto o Sindicato Nacional dos Aeronautas defende que as regras de jornada sejam definidas por negociação entre trabalhadores e empresas, as companhias aéreas afirmam que a atividade tem características específicas que pedem um tratamento diferenciado.
A discussão também envolve preocupações com o cansaço dos funcionários e os impactos nas operações aéreas.
Sindicato defende mudanças
O Sindicato Nacional dos Aeronautas diz que mudanças ocasionais na legislação trabalhista devem permitir que pilotos e comissários negociem com as empresas as condições de jornada e descanso através de acordos coletivos.
Para a entidade, a Agência Nacional de Aviação Civil deve aplicar somente os limites máximos de segurança para as operações, enquanto as demais condições deveriam ser analisadas em conjunto por empregadores e trabalhadores.
Atualmente, a Lei do Aeronauta determina jornadas de até nove horas para pilotas, mas autoriza que a Anac regulamente algumas situações. Desde 2020, a agência permite operações de até 12 horas em alguns casos, desde que essas horas sejam seguidas por um tempo mínimo de descanso.
Por Jenifer Ribeiro –> Escala 6×1 chega à aviação e reacende debate sobre fadiga de tripulanteshttps://t.co/2VjxHIepA6
— CNN Economia (@CNNEconomia) June 26, 2026
Discussão sobre Escala 6×1 atinge setor de aviação (Foto: reprodução/X/@CNNEconomia)
O sindicato também informou que está avaliando novamente a chance de recorrer à Justiça para protestar contra a regulamentação vigente. A medida havia sido adiada graças à expectativa de avanço do projeto que analisa o fim da escala 6×1 no Congresso Nacional, mas voltou a ser considerada após a tramitação perder ritmo.
Sindicato defende regras mais rígidas contra fadiga em voos
Outro ponto discutido pelo sindicato são os relatos de fadiga entre os tripulantes. A entidade afirma que os sistemas utilizados pelas empresas para elaborar as escalas tentam aproveitar ao máximo os limites permitidos pela regulamentação, podendo resultar em horários de trabalho mais longos e tempo mínimo de descanso.
Algumas das mudanças defendidas são o aumento do tempo mínimo de permanência em hotéis durante pernoites, a inclusão do trajeto entre hotel e aeroporto como parte da jornada de trabalho, e regras mais rígidas para voos que acontecem durante a madrugada.
As empresas aéreas, representadas pela Associação Brasileira das Empresas Aéreas, dizem que o setor carrega características operacionais próprias e defendem que essas particularidades sejam consideradas na discussão. A entidade também afirma que mudanças nas regras podem afetar a prestação dos serviços e a operação de algumas rotas, principalmente as internacionais.
A temática ganhou repercussão após manifestações sobre os possíveis impactos da proposta em voos com tempo longo. Mas o sindicato sustenta que as rotas internacionais podem continuar trabalhando normalmente e afirma que qualquer necessidade específica pode ser tratada por meio de diálogos entre empresas e trabalhadores.
