Investigação de Trump pode ameaçar o Pix no Brasil
Negociações de Lula com os EUA podem sofrer retrocesso após o avanço de uma nova e rigorosa investigação comercial de Washington contra o país
Nesta segunda-feira, 1º de junho, menos de um mês após os governos de Brasil e Estados Unidos buscarem um entendimento sobre barreiras comerciais, o cenário diplomático sofre uma reviravolta. Há uma crescente expectativa no mercado de que a Casa Branca possa recuar nos termos discutidos anteriormente e dar andamento a medidas punitivas contra produtos brasileiros.
Investigação da Casa Branca
Os americanos estariam apontando uma proteção inadequada aos direitos de propriedade intelectual no mercado brasileiro, além da persistência da pirataria física e digital. De acordo com os relatórios de Washington, a falta de uma fiscalização mais rígida contra essas práticas cria uma concorrência desleal que prejudica diretamente o faturamento e a operação de empresas estrangeiras que tentam atuar legalmente no país.
Estados Unidos em decisão ao Pix (Vídeo: reprodução/YouTube/uol)
A lista de queixas que compõe o pacote de investigações também abrange o setor ambiental e o sistema financeiro. Os Estados Unidos formalizaram contestações que vão desde os índices de desmatamento ilegal na Amazônia até o funcionamento do Pix. O ecossistema de transferências instantâneas regulado pelo Banco Central é visto com ressalvas por órgãos americanos, sob a alegação de barreiras comerciais a serviços privados de pagamento de fora.
O presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, conversaram por cerca de três horas na Casa Branca a respeito de temas comerciais. Na ocasião, foi debatido um impasse sobre tarifas de exportação e a investigação comercial aberta pelos americanos contra o Brasil. De acordo com o líder brasileiro, as duas gestões buscarão propostas para encerrar o conflito em um prazo de até 30 dias.
O governo dos Estados Unidos critica o sistema brasileiro e afirma que as regras do Banco Central geram uma concorrência injusta. De acordo com o Relatório sobre Barreiras Comerciais divulgado pelo governo americano, as práticas são consideradas desleais e criam barreiras contra companhias norte-americanas: “O formato atual prejudica a competitividade de empresas estrangeiras no setor.”
O Pix sob alerta: entenda a disputa com os EUA
Na era digital atual, o sistema de pagamentos instantâneos brasileiro tornou-se alvo de contestações por parte das autoridades dos Estados Unidos. Sob a justificativa de que ferramentas desenvolvidas por bancos centrais públicos geram concorrência desleal, o governo norte-americano argumenta que a plataforma nacional pode prejudicar diretamente a competitividade de suas empresas de tecnologia locais.
Deposito de dinheiro para enviar via Pix (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bloomberg)
