Investigação interna do Banco Central analisa falhas no caso Banco Master

Apuração interna analisa atuação do Banco Central no caso Master, que envolveu crescimento acelerado, liquidação do banco e investigações da Polícia Federal

29 jan, 2026
Banco Master é o centro da operação | Reprodução/Agência Brasil/Rovena Rosa
Banco Master é o centro da operação | Reprodução/Agência Brasil/Rovena Rosa

O Banco Central instaurou uma investigação interna para analisar os procedimentos adotados no caso envolvendo o banco Master, a instituição financeira controlada por Daniel Vorcaro. A apuração pretende identificar possíveis falhas nos processos de fiscalização e de liquidação conduzidos pela autoridade monetária. A sindicância é realizada de forma sigilosa pela corregedoria do órgão e foi determinada pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, no final do ano passado.

Durante o andamento das investigações, houve movimentações na cúpula da área responsável pela supervisão bancária. Belline Santana e Paulo Sérgio Neves de Souza, então lotados no Departamento de Supervisão Bancária (Desup), saíram dos cargos que ocupavam. Segundo informações oficiais, não existem acusações formais contra os dois servidores. O Banco Central informou, por meio de nota, que a troca de ocupantes em funções comissionadas faz parte da rotina administrativa do setor público.

Dirigentes deixam cargos sem acusações formais

A primeira saída oficializada foi do integrante dos quadros permanentes do Banco Central, Paulo Sérgio Neves de Souza. Ele já havia atuado como diretor de fiscalização e foi o responsável pela autorização da aquisição do Banco Máxima, renomeado para Banco Master. Na fase mais recente de sua trajetória, também desempenhava o cargo de chefe-adjunto do Desup, acompanhando aspectos relacionados à estabilidade do mercado financeiro.


Daniel Vorcaro menciona diretor do banco central em depoimento (Vídeo: reprodução/YouTube/UOL)


À frente do Departamento de Supervisão Bancária, Belline Santana estava na frente dos nomes cogitados para assumir a diretoria de Fiscalização da autoridade monetária. Durante sua atuação, subscreveu comunicações oficiais direcionadas ao Ministério Público Federal a respeito do Banco Master. Uma parcela de documentos enviados, foi incorporada pela defesa de Vorcaro em manifestações à Justiça, com menções a operações desfeitas e à falta de evidências de irregularidades em algumas transações de crédito consignado.

De acordo com fontes do Banco Central, a investigação interna tem caráter analítico e não disciplinar neste momento. A iniciativa busca compreender as causas que levaram à deterioração da instituição e utilizar as conclusões para aperfeiçoar os mecanismos de supervisão e controle, à semelhança das análises realizadas após acidentes relevantes em outros setores da economia.

Crescimento acelerado do Banco Master elevou nível de risco

O crescimento do Banco Master ocorreu de forma acelerada antes do agravamento da crise, sustentado principalmente pela captação de recursos por meio de CDBs com rendimentos superiores à média do sistema financeiro. Diferentemente de concorrentes que seguiam parâmetros próximos ao CDI, a instituição passou a ofertar taxas significativamente mais altas, ampliando os riscos associados à sua estratégia.


Policia Federal investiga a rede de fraudes do grupo Master (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Diante da piora da situação financeira, a instituição entrou em regime de monitoramento mais rigoroso a partir de 2024. Nesse período, avançaram negociações para a transferência do controle ao Banco de Brasília (BRB), que vinha atuando no apoio ao Master por meio da aquisição de ativos de crédito. O Banco Central decretou a liquidação do banco, em novembro de 2025 afastando os dirigentes e ordenou o bloqueio de patrimônio para assegurar o pagamento de credores.

Paralelamente, a Polícia Federal iniciou operações para investigar suspeitas de irregularidades em transações que envolvem o Banco Master, o Banco de Brasília (BRB) e a gestora Reag DTVM. As apurações indicaram a existência de operações financeiras consideradas atípicas, como empréstimos e transferências rápidas de recursos entre fundos. As instituições citadas negam irregularidades e afirmam que as conclusões apresentadas até o momento são preliminares.

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