Caso Master amplia desgaste de Toffoli e acende alerta interno no STF

Desde dezembro o ministro concentra no STF fases sensíveis do caso; o que pode ampliar o desgaste e expor a Corte a pressões políticas

26 jan, 2026
Ministro abriu mão da relatoria sobre a CPI do Banco Master | Reprodução/Instagram/@painelpolitico
Ministro abriu mão da relatoria sobre a CPI do Banco Master | Reprodução/Instagram/@painelpolitico

Após assumir a relatoria do caso Banco Master, em dezembro, o ministro Dias Toffoli tem adotado uma postura na condução do processo vista por investigadores e por integrantes da Corte como um fator de desgaste crescente, com potencial de transformar um caso específico em uma crise institucional mais ampla. Decisões recentes ampliaram a tensão em torno da investigação e acenderam um alerta dentro do Supremo Tribunal Federal (STF).

Toffoli e o STF

A investigação envolvendo Dias Toffoli tem gerado preocupação dentro do STF. Pessoas que acompanham o caso avaliam que a permanência do ministro à frente do processo aumenta o desgaste e pode aprofundar a crise. Em janeiro desse ano, o ministro prorrogou por mais 60 dias das investigações que apuram possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB).

Além disso, alterações no cronograma de depoimentos e decisões que mudaram o rumo das diligências ampliaram o debate interno sobre a condução do caso. O alerta chegou a outros ministros, que veem risco de o desgaste deixar de ser individual e atingir a imagem do STF. A situação ganhou ainda mais peso após a revelação de que fundos ligados ao Banco Master compraram a participação de irmãos de Toffoli no resort Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR).


Situação de Toffoli acendeu alerta interno no STF (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Bruno Escolastico Sousa Silva)


Além disso, alterações no cronograma de depoimentos e decisões que mudaram o rumo das diligências ampliaram o debate interno sobre a condução do caso. O alerta chegou a outros ministros, que veem risco de o desgaste deixar de ser individual e atingir a imagem do STF. A situação ganhou ainda mais peso após a revelação de que fundos ligados ao Banco Master compraram a participação de irmãos de Toffoli no resort Tayayá, na cidade de Ribeirão Claro (PR).

Caso Banco Master

Em novembro de 2025, o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master devido a irregularidades financeiras. A instituição, que havia registrado forte crescimento impulsionado pela oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs), passou a ser investigada pela Polícia Federal (PF).

Em janeiro desse ano, as investigações deixaram de pertencer apenas ao campo policial, e autoridades passaram a considerar a possibilidade de o caso impactar o sistema financeiro do país. Assim, as ações das autoridades avançaram para apurar possíveis fraudes e desvios de recursos, e parte dos desdobramentos chegou a ficar sob sigilo no Supremo Tribunal Federal (STF).


 Fachada da sede do Banco Master (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Victor Moriyama)


A PGR afirmou ao STF que há indícios consistentes de que o Banco Master teria utilizado “vulnerabilidades do mercado de capitais e do sistema de regulação e fiscalização” para desviar bilhões de reais em benefício de seus controladores, especialmente o empresário Daniel Vorcaro e pessoas ligadas a ele.

Segundo a investigação da Polícia Federal, acolhida pela PGR, o Banco Master captava recursos no mercado por meio da emissão de CDBs e os direcionava a fundos dos quais ele próprio era cotista único. Esses fundos, por sua vez, adquiriam notas comerciais e direitos creditórios de empresas vinculadas a sócios do banco ou a pessoas próximas, sem lastro econômico real. A operação está na segunda fase e já contou com 42 mandados de busca e apreensão, determinados pelo ministro Dias Toffoli, além de medidas de sequestro e bloqueio de bens e valores que superam R$ 5,7 bilhões.

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