Relatório da PF amplia pressão sobre Moraes no Caso Master

Relação entre banqueiro e ministro aparece em investigação da PF; contrato com escritório de advocacia amplia os questionamentos sobre o caso

02 set, 2026
Ministro Alexandre de Moraes | Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo
Ministro Alexandre de Moraes | Reprodução/Agência Brasil/Marcelo Camargo

Um relatório da Polícia Federal trouxe novas informações sobre o Caso Master entre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o banqueiro Daniel Vorcaro. O documento, que teve o sigilo retirado pelo ministro André Mendonça, mostra que os dois mantiveram contatos antes de Vorcaro ser preso e indica que Moraes teria colaborado com o preparo de cláusulas de um contrato entre o Banco Master e o escritório de advocacia de sua esposa, Viviane Barci de Moraes.

As descobertas agora podem fazem com que o plenário do STF converse sobre o início de uma investigação contra o ministro.

Mensagens geram questionamentos

Alguns dos elementos encontrados pela PF são mensagens enviadas por Vorcaro a um contato que os investigadores atribuíram Moraes. Em uma delas, o banqueiro teria pedido ao ministro para procurar a ajuda do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, para que eles pudessem bloquear e segurar uma investigação que poderia atingir seus interesses.

O pedido aconteceu quando Vorcaro passava por problemas financeiros no Banco Master e buscava meios para o futuro da instituição. As informações da investigação relatam que ele havia recebido relatos sigilosos de que o Banco Central estava sendo pressionado a adotar medidas contra o banco.


PF aponta menção de Andrei Rodrigues e Paulo Gonet nas mensagens (Foto: reprodução/X/@Economesteter)


Ainda com a solicitação atribuída ao banqueiro, não há uma confirmação de que Moraes tenha efetivamente procurado Gonet ou Rodrigues para ajudá-lo. A Polícia Federal antecipou a prisão de Vorcaro depois de receber informações de que a operação poderia ter vazado, além da possibilidade de uma fuga dele para Abu Dhabi. O banqueiro foi preso naquele mesmo dia.

As respostas de Moraes também não foram recuperadas. A PF afirma que os dois usavam imagens de mensagens escritas no bloco de notas dos celulares, enviadas com visualização única. Os investigadores, porém, encontraram no telefone de Vorcaro os registros das mensagens que ele havia escrito e identificaram o envio ao contato atribuído ao ministro.

Supremo analisa relatório

Outro ponto citado na investigação envolve o escritório de Viviane Barci de Moraes, que mantinha um contrato de R$ 131 milhões com o Banco Master. O relatório aponta que Alexandre de Moraes teria editado o documento. O escritório se pronunciou dizendo que verificou com o ministro possíveis impedimentos legais antes da contratação, e declarou que não identificou restrições, ressaltando que ele jamais julgou uma causa envolvendo o banco.

André Mendonça afirmou que as novas informações devem ser analisadas pelo plenário do STF. Primeiro, ele determinou que a Procuradoria-Geral da República avaliasse o relatório e se manifestasse sobre uma possível investigação. Paulo Gonet, porém, pediu que a apuração fosse anulada, argumentando que Mendonça deveria ter submetido a questão ao plenário com antecedência.

O fato de Gonet aparecer nas mensagens aparecer nas mensagens sobre Vorcaro trouxe uma dimensão maior para o caso. Especialistas ouvidos pela BBC avaliam que a situação pode exigir uma análise sobre uma possível suspeição do procurador-geral. Se isso acontecesse, a condução das investigações ficaria sob o comando do vice-procurador-geral da República.

Especialistas apontam que uma eventual investigação não causaria o afastamento de Moraes de forma automática, pois isso dependeria de uma decisão da própria Corte. A chance de impeachment no Senado também está sendo discutida, mesmo com pedidos anteriores contra o ministro não tendo avançado.

Mais notícias