Toffoli prorroga por 60 dias inquérito sobre a compra do Banco Master pelo BRB

Ministro atende pedido da Polícia Federal por mais prazo para analisar dados de supostas irregularidades na negociação entre as duas instituições

16 jan, 2026
Ministro Dias Toffoli | Reprodução/Agência Brasil/Bruno Peres
Ministro Dias Toffoli | Reprodução/Agência Brasil/Bruno Peres

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta sexta-feira (16) a prorrogação por mais 60 dias das investigações que apuram possíveis irregularidades na tentativa de compra do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). A decisão foi tomada após uma solicitação formal da Polícia Federal (PF), que indicou a necessidade de um período adicional para processar o vasto volume de informações obtidas em fases recentes da apuração.

O inquérito, que corre sob sigilo, busca esclarecer se a transação bilionária foi utilizada como fachada para crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e gestão fraudulenta. Toffoli, relator do caso na Corte, considerou que a complexidade dos dados financeiros e a natureza dos envolvidos justificam a continuidade das diligências para evitar prejuízos à instrução processual.

Análise de dados em nuvem e perícia técnica

O ponto central para o pedido de dilação de prazo pela Polícia Federal reside na análise de materiais extraídos de servidores de armazenamento em nuvem. Durante as últimas etapas da investigação, os agentes federais conseguiram autorização para acessar contas digitais e backups de mensagens de executivos e intermediários que participaram ativamente das tratativas comerciais entre 2024 e 2025.

A perícia técnica da PF trabalha agora no cruzamento desses dados com os fluxos financeiros registrados nos balanços das instituições. O objetivo é identificar se houve o pagamento de vantagens indevidas a agentes públicos ou se o valor de avaliação do Banco Master foi inflado artificialmente para justificar o aporte de capital por parte do banco estatal brasiliense. De acordo com fontes próximas ao caso, a quantidade de arquivos criptografados tem sido o principal desafio para a conclusão do relatório final.

Envolvimento de autoridades

A tramitação do processo no Supremo Tribunal Federal deve-se à presença de alvos com foro por prerrogativa de função. Embora a lista oficial de investigados permaneça protegida pelo segredo de justiça, a citação de parlamentares e membros da alta cúpula do governo do Distrito Federal (GDF) no bojo das apurações impediu que o caso fosse remetido à primeira instância da Justiça Federal.

Toffoli tem mantido uma postura rigorosa quanto aos prazos, mas reconheceu que o “atropelo” das fases periciais poderia levar à nulidade de provas futuras. O Ministério Público Federal (MPF) também se manifestou favoravelmente à prorrogação, reforçando que a conclusão do inquérito depende da finalização dos laudos que detalham a estrutura societária montada para viabilizar a aquisição, que acabou não se concretizando após o início do escrutínio dos órgãos de controle.


Tentativa de compra do Banco Master pelo BRB levanta suspeitas e inquérito é prorrogado (Foto: reprodução/Bloomberg/Getty Images Embed)


Impacto na governança e fiscalização do BRB

A investigação lançou luz sobre os processos de conformidade (compliance) do Banco de Brasília. Sendo o BRB uma instituição de economia mista, controlada pelo GDF, qualquer transação desse porte exige pareceres técnicos robustos e aprovação por conselhos de administração. A Polícia Federal investiga se esses pareceres foram ideologicamente falsificados ou se houve pressão política direta para que a governança do banco ignorasse alertas de risco emitidos por auditores independentes.

O Banco Central também forneceu informações preliminares que auxiliam os investigadores a entender como a proposta de compra foi estruturada. O Master, que vem apresentando um crescimento acelerado no mercado de crédito e investimentos, afirma que todas as suas operações são auditadas e seguem rigorosamente as normas bancárias vigentes. No entanto, a PF apura se a agressividade da expansão da instituição privada tinha conexões com facilitação política dentro da estrutura do banco público.

Próximos passos e expectativa de conclusão

Com o novo prazo de 60 dias, a expectativa é que a Polícia Federal entregue o relatório conclusivo até meados de março de 2026. Após a entrega, caberá à Procuradoria-Geral da República (PGR) decidir se oferece denúncia contra os envolvidos, se solicita novas diligências ou se pede o arquivamento do inquérito por falta de provas de materialidade.

Até o momento, as defesas dos executivos citados e as assessorias das instituições financeiras envolvidas têm reiterado que a operação de compra foi pautada por critérios exclusivamente comerciais e estratégicos. O BRB ressaltou, em notas anteriores, que colabora com a Justiça para demonstrar a lisura de suas decisões, enquanto o Banco Master nega qualquer participação em esquemas ilícitos, classificando as suspeitas como interpretações equivocadas de movimentos de mercado.

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