Mendonça e Moraes ficam lado a lado em primeiro encontro após embate e ignoram crise; veja imagens

Ministros participaram de sessão sobre temas tributários sem mencionar o caso. Segurança foi reforçada e clima nos bastidores é descrito como tenso

03 set, 2026
Alexandre de Moraes e André Mendonça | Reprodução/Antonio Augusto/STF
Alexandre de Moraes e André Mendonça | Reprodução/Antonio Augusto/STF

Os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes se encontraram lado a lado no plenário do Supremo Tribunal Federal nesta quarta-feira, um dia após Mendonça divulgar relatório da Polícia Federal com mensagens de Vorcaro a Moraes. Sem menções públicas à crise, os dois participaram de sessão que discutiu temas tributários, mas segurança foi reforçada e clima nos bastidores permanece tenso.

No plenário, não houve manifestações públicas sobre o caso Master. Os ministros discutiram, sob aparente normalidade, dois temas envolvendo questões tributárias que já estavam previstos para serem debatidos neste dia. O encontro marca a primeira sessão do Supremo após a revelação dos diálogos entre o banqueiro e o ministro.

A normalidade que esconde tensão

Um ministro ouvido pelo jornal O GLOBO, sob reserva, definiu o clima na Corte como “tenso” diante dos últimos desdobramentos do caso Master. A tensão era esperada entre os integrantes da Corte, considerando a escalada da crise e seus reflexos internos no tribunal.

As dependências do Supremo tiveram segurança reforçada. O número de policiais judiciais circulando pelas dependências estava acima do normal, e ministros se deslocaram acompanhados por mais seguranças do que de costume.


Alexandre de Moraes e André Mendonça (Foto: reprodução/Antonio Augusto/STF)

O que o relatório revela

O documento da Polícia Federal foi produzido por determinação do ministro André Mendonça, relator das investigações sobre o Banco Master. O relatório reúne diálogos que fazem referências a Moraes, Paulo Gonet, procurador-geral da República, e Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal.

O material foi elaborado pela PF a partir da análise do celular de Vorcaro e encaminhado a Mendonça no âmbito da Operação Compliance Zero. Entre os diálogos identificados pelos investigadores estão mensagens em que o banqueiro faz referências a autoridades e relata movimentos para tentar contornar problemas enfrentados pelo Banco Master.


Alexandre de Moraes e André Mendonça (Foto: reprodução/Antonio Augusto/STF)

Vorcaro utilizava um método específico para comunicação: redigia textos em aplicativo de notas, fazia captura de tela e enviava a imagem a Moraes. As mensagens detalham contatos e articulações de Vorcaro em um momento no qual o banco enfrentava pressão de órgãos de investigação e fiscalização.

Uma das conversas que provocou maior repercussão envolve referências diretas a Moraes. De acordo com a Polícia Federal e informações encaminhadas a O Globo, o material também registra uma mensagem na qual Vorcaro afirma precisar da “proteção” de “Andrei e Paulo”. A Polícia Federal identificou as referências como sendo ao diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e ao procurador-geral da República, Paulo Gonet.

A reação do Ministério Público

Mendonça enviou o material à PGR e estabeleceu prazo para que Gonet se manifestasse sobre as informações reunidas pela Polícia Federal. Na noite de terça-feira, o procurador-geral da República se manifestou sobre o caso e defendeu a anulação do relatório produzido pela corporação.


Alexandre de Moraes e André Mendonça (Foto: reprodução/Antonio Augusto/STF)

Na avaliação de Gonet, Mendonça extrapolou suas atribuições ao determinar que a PF aprofundasse a apuração sobre as mensagens envolvendo Moraes sem pedido do Ministério Público ou da própria corporação. O procurador sustentou que uma eventual investigação envolvendo um ministro do Supremo dependeria de autorização do plenário da Corte.

Para o procurador-geral, as determinações de Mendonça e os elementos obtidos a partir delas estariam sujeitos a uma dupla nulidade. Gonet também defendeu a interrupção das investigações decorrentes dessas ordens.

O caminho para o plenário

Mendonça sinalizou que pretende levar a discussão ao colegiado do Supremo, mesmo antes da manifestação da PGR. O presidente do STF, Edson Fachin, iniciou conversas individuais com ministros da Corte para medir o ambiente interno antes de decidir o destino do pedido de apuração que envolve Moraes.

Segundo interlocutores do tribunal, Fachin passou a ouvir separadamente colegas do Supremo sobre o caso. As consultas ocorrem diante de uma pressão interna para que o presidente evite tomar sozinho uma decisão sobre uma questão considerada divisiva para a Corte e submeta o tema ao plenário.

Uma das alternativas discutidas é justamente levar o pedido ao colegiado, ainda que não haja maioria entre os ministros favorável à abertura de uma investigação contra Moraes. Nessa leitura, uma decisão coletiva permitiria ao Supremo dar uma resposta institucional ao episódio e dividir entre os integrantes da Corte o ônus de uma definição sobre o caso.

Repercussão recorde nas redes

O episódio é o mais comentado do ano neste período entre os casos monitorados pelo Instituto Democracia em Xeque. Relatório do instituto mostrou que as revelações envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça movimentaram valor não divulgado de menções nas redes sociais em 24 horas.

A repercussão faz com que o assunto seja o episódio político mais comentado do ano neste período. O caso de maior engajamento anterior tinha sido a revelação pelo site Intercept Brasil dos repasses de Vorcaro para o filme Dark Horse, em maio deste ano, com um total de 911.913 menções.

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