Trump declara ao New York Times que EUA supervisionarão Venezuela indefinidamente

Trump diz que pretende utilizar o petróleo venezuelano e que os Estados Unidos não tem previsão para deixar a Venezuela; Conversou também com Gustavo Petro

08 jan, 2026
Donald Trump discursando na Casa Branca | Reprodução/Alex Wong/Getty Images Embed
Donald Trump discursando na Casa Branca | Reprodução/Alex Wong/Getty Images Embed

Em uma entrevista ao famoso jornal americano “The New York Times”, realizada nesta quinta-feira (8), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, declarou que seu governo seguirá “administrando” a Venezuela “por muitos anos”. Trump disse ainda que o governo interino da Venezuela, chefiado por Delcy Rodríguez, vice-presidente de Nicolás Maduro, está sendo cooperativo e “está nos dando tudo o que consideramos necessário por enquanto”

“Mas vamos reconstruir a Venezuela de uma forma muito lucrativa. Vamos usar petróleo e vamos importar petróleo. Vamos baixar os preços do petróleo e vamos dar dinheiro à Venezuela, que precisa desesperadamente disso”, afirmou Trump.

Quando questionado sobre a duração da ingerência americana sobre a Venezuela, o presidente americano afirmou que durará “apenas o tempo necessário”.


Representante dos Estados Unidos, Mike Waltz, no Conselho se Segurança da ONU (Foto: reprodução/Spencer Platt/Getty Images Embed)


O que foi tratado na entrevista

A entrevista de Trump tratou de diversos temas e segundo o jornal ela foi “notável e ampla”. Foram abordados temas como a recente operação militar americana na Venezuela, o tratamento de imigrantes sob seu mandato e suas recentes ameaças de ação militar na Groenlândia.

Durante a entrevista os repórteres puderam acompanhar uma conversa telefônica entre Trump e o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, os dois líderes têm trocado hostilidades públicas ultimamente. O conteúdo da ligação não pôde ser reproduzido pelo jornal, entretanto, posteriormente Trump se pronunciou e afirmou que conversou com Petro sobre “a situação das drogas” e o presidente americano disse que espera encontrar com Petro pessoalmente “em um futuro próximo”.

Ao longo da entrevista, Donald Trump foi notificado sobre a morte de uma moradora de Minneapolis, que foi baleada por um agente do Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA (ICE, em inglês). O falecimento de Renne Nicole Good, de 37 anos, gerou indignação por todo o país e trouxe atenção para a violência dos agentes do ICE em abordagens. Sobre o ocorrido, Trump disse “que não gostaria de ver ninguém baleado”, mas acusou a vítima de “tentar atropelar um policial”.


Presidente da Colômbia discursando em manifestação (Foto: reprodução/Getty Images Embed/Andres Rot)


O governo Trump se distancia da ONU

Uma proclamação presidencial publicada nesta quarta-feira (7) determinou a retirada dos Estados Unidos de 66 organizações internacionais, sendo 31 delas vinculadas à ONU. Segundo a Casa Branca, a medida justifica-se no não alinhamento das operações dessas organizações com os interesses nacionais. Os principais alvos dessa medida são agências que tratam de temas como mudanças climáticas, questões trabalhistas, entre outras, que são consideradas “woke” pelo governo Trump.

Essa visão seletiva reflete uma estratégia na qual Washington escolhe financiar agências que considera alinhadas à sua agenda. Para especialistas, essas ações representam uma ruptura da tradição diplomática norte-americana e ações do tipo apresentam um risco à governança global.

A entrevista concedida por Donald Trump ao The New York Times reforça a postura intervencionista americana na América Latina e ao mesmo tempo realça o afastamento dos Estados Unidos da ONU e o tratamento violento de imigrantes sob a administração de Trump, deixando bem claro sua política externa unilateral.

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