Petroleiro Marinera é apreendido por governo americano

Embarcação venezuelana que era alvo de sanções americanas foi apreendida com a bandeira russa; governo afirma que ação violou direitos marítimos

08 jan, 2026
Casa Branca confirmou apreensão de embarcação venezuelana | Reprodução/Chip Somodevilla/Getty Images Embed
Casa Branca confirmou apreensão de embarcação venezuelana | Reprodução/Chip Somodevilla/Getty Images Embed

Nesta quarta-feira (7), a agência de notícias Reuters revelou que os Estados Unidos apreenderam o petroleiro venezuelano Marinera, antes chamado de Bella 1, navegando com a bandeira russa. A embarcação, que estava em operação desde 2002, tinha seu reservatório vazio no momento da apreensão.

Captura da embarcação

A tensão entre Rússia e Estados Unidos aumentou após a apreensão da embarcação que, segundo a agência de notícias Associated Press, tropas norte-americanas entraram no petroleiro que recebeu escolta de submarinos russos nos últimos dias na região do Atlântico Norte. O pedido que o governo russo fez à Casa Branca para que deixasse de perseguir os petroleiros só contribuiu com o aumento da tensão entre os dois países. O governo de Trump não comentou esse pedido.

A Casa Branca nomeou a Marinera como uma “frota-fantasma” e faz parte de uma campanha do governo americano para pressionar o regime de Maduro. Em dezembro, Trump colocou um “bloqueio total” em todos os petroleiros venezuelanos.

O Comando do Exército americano disse em um comunicado que a ação foi conjunta entre os Departamentos de Justiça e o de Segurança Interna com o Departamento de Guerra por violar as sanções impostas pelos Estados Unidos. A Casa Branca afirma que a apreensão respeitou os direitos internacionais, já que a embarcação estava navegando sob bandeira falsa. O governo russo repudiou a apreensão e deixou claro que os EUA violaram os direitos marítimos, afirmando que “não havia jurisdição para o uso da força”, além de pedir para o governo norte-americano tratar os tripulantes de maneira humana e digna.

O Reino Unido foi um grande apoio para os Estados Unidos na operação para apreender a embarcação. O secretário de Defesa britânico, John Healey, afirmou que o governo americano pediu a ajuda das Forças Armadas britânicas para dar um suporte operacional com o uso das bases de embarcações militares e apoio aéreo. Ele também afirmou que a embarcação petroleira tem um “histórico nefasto” e que tem uma ligação com as redes russas e iranianas para evitar as sanções.

Ainda nesta quarta-feira, os Estados Unidos anunciaram a apreensão de outro navio petroleiro chamado Sophia no Mar do Caribe. Segundo as autoridades americanas, essa embarcação também estaria ligada à Venezuela.


Embarcação Marinera, apreendida pelo governo americano (Foto: reprodução/Getty Images News/Getty Images Embed)


Petroleiro Marinera

A perseguição ao petroleiro Marinera iniciou-se no dia 16 de dezembro, quando a Guarda Costeira americana avisou que a embarcação estaria se aproximando da Venezuela e entrando em águas da América Latina. Mas militares dos EUA não conseguiram capturar a embarcação, já que a tripulação, ao resistir, mudou a rota seguindo a direção do Oceano Atlântico.

O jornal “The New York Times” apurou que a embarcação vinha do Irã e tinha destino à Venezuela visando fazer um carregamento de petróleo. E nos dias seguintes, o navio buscou uma proteção russa e chegou até a pintar uma bandeira no casco do navio e até informaram através do rádio que a autoridade da embarcação era russa. Foi nesse momento que ela deixou o Bella 1 e passou a ser chamada de Marinera. Autoridades afirmaram que não houve sinais de que as forças militares dos EUA e da Rússia tenham se enfrentado e que os navios militares russos estavam próximos ao petroleiro.

O Secretário de Guerra americano, Pete Hegseth, disse que os bloqueios dos petroleiros da Venezuela “continuam em vigor por todo o mundo”. A TV russa, “RT”, que recebe incentivo financeiro do governo, reproduziu imagens de um helicóptero, pertencente aos EUA, que estava tentando desembarcar tropas militares em um navio.

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