Trump alega que Irã mudou de ideia ao acordo que estava quase fechado
Não há previsão para acordo mesmo com negociações ocorrendo desde o mês de abril; Irã já se prepara para um novo confronto contra os americanos
O presidente Donald Trump manifestou sua insatisfação com o progresso dos acordos de paz durante as negociações com o Irã para encerrar a guerra. Em uma conversa com jornalistas no Salão Oval em Washington, o presidente informou que os iranianos “mudaram de ideia” quando parecia que um acordo estava prestes a ser alcançado entre as partes. De acordo com o líder americano, já teve que lidar com os representantes do Irã entre três e quatro vezes, e, em todas essas ocasiões, sempre houve uma mudança de ideias.
Trump também chamou os líderes iranianos de muito “desonestos”, porém destacou que as pessoas que sucederam o antigo líder supremo são bastante “razoáveis”. No entanto, isso não resulta em um acordo entre as partes.
Para concluir, ele afirmou que, embora tudo parecesse estar de acordo, no dia seguinte seria necessário enviar um documento. Em vez de levar vinte minutos, o trajeto levava cerca de cinco dias. De acordo com o presidente, o ofício era simples.
Repercussão no Irã
Com as negociações em curso, porém sem qualquer acordo, a possibilidade de um novo conflito entre os países se torna cada vez mais concreta. Diversos jornais iranianos, em suas principais notícias, consideram como fato o retorno dos conflitos entre as duas nações.
A maioria dos jornais destaca a preparação militar do Irã, que pode ter implicações importantes para Washington, além da persistência do país diante de intensa pressão.
Alguns jornais do país avaliaram a situação do conflito. Reconhecido como um dos veículos conservadores mais influentes do país e estreitamente vinculado ao falecido líder supremo aiatolá Ali Khamenei, o Kayhan destacou em sua manchete: “Mísseis e drones da IRGC (Guarda Revolucionária Islâmica do Irã) estão apontados para navios e bases inimigas”.
Por outro lado, o Resalat, de origem conservadora islâmica pró-Khamenei, destacou em sua manchete que “a máquina de guerra americana” não consegue resistir “à poderosa onda da defesa ofensiva do Irã no Golfo Pérsico”.
Donald Trump e o vice-presidente, J.D. Vance (Foto: reprodução/Anna Rose Layden/Getty Images Embed)
Situação
Quem está intermediando as conversas entre os países é o Paquistão. Apesar de um período de cessar-fogo entre Estados Unidos e Irã, no mês de abril, na semana passada os iranianos, por meio dos paquistaneses, enviaram uma contraproposta para os americanos.
Na lista constavam itens “não negociáveis” para o acordo prosseguir, mas a lista foi recusada por Donald Trump e seus ministros. Havia a expectativa de que uma comitiva americana viajasse para o Paquistão com o intuito de continuar as conversas sobre o assunto, mas o presidente cancelou a viagem.
