Após pesquisa eleitoral, Ibovespa alcança 190 mil pontos e bate novo recorde
Bolsa marcou 190 mil pontos ao longo da sessão, mas fechou com 189.699 pontos; o dólar recuou 0,18%, cotado a R$ 5,1869, menor nível desde maio de 2024
O IBOVESPA, índice da bolsa brasileira, encerrou em alta de 2,03 nesta quarta-feira (11), aos 189.699 pontos e marcou o 11º recorde em 2026. Ao longo do dia, chegou a ultrapassar os 190 mil pontos pela primeira vez na história. Já o dólar fechou em queda de 0,18%, cotado a R$ 5,1869 — menor marca desde maio de 2024.
Os movimentos de ascensão da bolsa e recuo da moeda estadunidense refletem forte investimento estrangeiro, contextualizado pela reorganização de carteiras dos gestores globais e reforço de posição em mercados emergentes, como o brasileiro. Destaques ficam para Petrobras e Vale, grandes exportadoras de commodities que subiram mais de 3% na sessão e para a TIM, que registrou lucro líquido de R$ 1,35 bilhão no último trimestre de 2025. Números puxaram o Ibovespa.
Pesquisa eleitoral movimentou mercado de investimentos
Nesta quarta, o noticiário político brasileiro ganhou peso sobre o humor dos investidores. Em pesquisa eleitoral Quaest divulgada às 14h, a diferença entre Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) numa possível disputa em segundo turno diminui para cinco pontos percentuais. No cenário estimado, Lula aparece com 43%, contra 38% de Flávio. A distância era de sete pontos em janeiro e dez em dezembro.
A pesquisa indica que o presidente Lula segue à frente em sete possíveis cenários de 2º turno com nomes da oposição, mas o senador Flávio Bolsonaro obtém agora a menor diferença, de cinco pontos, e aparece como principal candidato da oposição.
“A pesquisa revela uma diminuição residual da vantagem de Lula para Flávio. A diferença era de sete pontos no mês passado e passou para cinco”, afirma o diretor da Quaest, Felipe Nunes.
O resultado reforça para o mercado a percepção de maior competitividade eleitoral e de uma possível mudança presidencial, o que eleva os ânimos em relação ao futuro das contas públicas. Para o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o atual ambiente “incerto” no país e exterior reforça a necessidade da instituição esperar novos dados antes de reduzir a taxa de juros SELIC – atualmente em 15% ao ano. Mesmo assim, o mercado continua projetando o início do ciclo de cortes em março.
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Pesquisa aponta vitória de Lula em possível 2º turno contra Flávio Bolsonaro, com distância de cinco pontos (Foto: reprodução/Instagram/@icl.noticias)
Mercado americano e global
Nos EUA, os destaques ficam com o relatório de emprego (payroll), que mostrou a criação de 130 mil vagas em janeiro – número bem acima da expectativa do mercado, de cerca de 70 mil. Com isso, a taxa de desemprego caiu para 4,3% e os salários subiram 0,41% no mês e 3,71% em um ano. Os dados reforçam a interpretação de economia ainda aquecida, o que deve levar o Federal Reserve (Fed, banco central americano) a adiar os cortes de juros.
Mesmo sabendo que juros altos costumam pressionar os mercados, parte dos investidores decidiu adotar postura otimista e focar na força da atividade econômica – entendendo que isso amplia as perspectivas de resultados de empresas e sustenta o “apetite” por riscos, beneficiando também mercados emergentes. Os mercados americanos então fecharam em tímida queda, com a repercussão entre investidores do relatório de emprego de janeiro dos EUA.
Em Wall Street, centro financeiro global, o Dow Jones recuou 0,13%, enquanto o S&P 500 caiu 0,01%. O Nasdaq, por sua vez, recuou 0,16%. Na Europa, grande parte dos índices acionários fechou em baixa nesta quarta-feira, reflexo da preocupação ainda constante dos investidores com os impactos da IA em diversos setores.
Entretanto, o índice pan-europeu STOXX 600 fechou em recorde, com alta de 0,10%, aos 621,58 pontos, com ações ligadas a commodities compensando as perdas do segmento de tecnologia. Entre os demais indicadores, o alemão DAX recuou 0,53%, enquanto o CAC 40, na França, perdeu 0,18%. O FTSE 100, do Reino Unido, destoou do movimento e subiu 1,14%.
Na Ásia, o dia foi estável na China, onde altas do setor metalúrgico compensaram as quedas das companhias de semicondutores. O mercado também reagiu ao banco central chinês, que prometeu aumentar o apoio financeiro para estimular a demanda interna, em meio a preocupações com excesso de produção e consumo fraco.
No encerramento, Xangai registrou leve alta de 0,09%, aos 4.131 pontos, enquanto o CSI300 caiu 0,22%, para 4.713 pontos. Em Hong Kong, o Hang Seng aumentou 0,31%, aos 27.266 pontos. Seul avançou 1,00%, alcançando 5.354 pontos; Taiwan ganhou 1,61%, aos 33.605 pontos; e Cingapura teve alta de 0,41%, para 4.984 pontos. Já Tóquio não abriu nesta sessão.
