Colômbia registra 256 mortos e 973 desaparecidos na guerra entre Rússia e Ucrânia

Balanço da chancelaria colombiana registra centenas de mortos e desaparecidos na guerra e alerta para o recrutamento de cidadãos no exterior

30 out, 2026
Militares se emocionam em despedida | Reprodução/X/@EFEnoticias
Militares se emocionam em despedida | Reprodução/X/@EFEnoticias

A guerra entre Rússia e Ucrânia também tem deixado marcas em países distantes da região do conflito. O governo colombiano informou, nesta quinta-feira (29), que recebeu registros de 256 cidadãos mortos e 973 desaparecidos em meio aos combates. Os dados foram divulgados pelo Ministério das Relações Exteriores e correspondem a informações encaminhadas por canais diplomáticos e consulares.

Entre os registros de mortes, 162 foram comunicados a partir da Ucrânia e 94 da Rússia. Já os casos de desaparecimento somam 676 notificações recebidas do território ucraniano e outras 297 do lado russo.

A chancelaria também contabilizou 1.927 solicitações de assistência consular relacionadas ao conflito. Desse total, 1.013 estão associadas a casos envolvendo a Rússia e 914 a situações ligadas à Ucrânia.

O ministério ressalta que os números estão sujeitos a atualizações, conforme as informações sejam verificadas e novos registros sejam recebidos. Portanto, o balanço representa os relatos encaminhados às autoridades colombianas, e não necessariamente o total definitivo de vítimas.

Colômbia acompanha casos e mantém contato com familiares

Por meio de suas representações diplomáticas e consulares, o governo colombiano afirma acompanhar as ocorrências, manter comunicação com as famílias e realizar gestões para prestar orientação e assistência aos cidadãos envolvidos no conflito.

O vice-ministro de Assuntos Migratórios, Consulares e Proteção Internacional, Pedro Agustín Roa Arboleda, afirmou que o país continua adotando as medidas diplomáticas disponíveis para atender às solicitações recebidas e acompanhar os familiares.

A atuação, no entanto, enfrenta limitações próprias de regiões em guerra, onde as condições de segurança e o acesso às informações podem dificultar a localização de pessoas e a confirmação de mortes.

Recrutamento de colombianos acende alerta

A participação de cidadãos colombianos em conflitos armados no exterior também preocupa as autoridades. A experiência militar adquirida por muitos ex-integrantes das Forças Armadas durante décadas de conflito interno no país tornou esses profissionais alvos de redes internacionais de recrutamento.

Em março de 2026, o Grupo de Trabalho das Nações Unidas sobre o uso de mercenários estimou que mais de 10 mil colombianos haviam sido recrutados para atuar em guerras no exterior, incluindo os conflitos na Ucrânia, no Sudão e na República Democrática do Congo.

O cenário levou a chancelaria a reforçar o alerta sobre propostas de trabalho fora do país, especialmente aquelas relacionadas a atividades militares, segurança e apoio operacional. O governo recomenda que os cidadãos verifiquem cuidadosamente as condições dos contratos e os riscos envolvidos antes de assumir qualquer compromisso.


Repercussão dos dados do governo colombiano (Foto: reprodução/X/@UHN_Plus)


Governo pede medidas a Rússia e Ucrânia

O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o governo colombiano não promove, patrocina nem participa do recrutamento de seus cidadãos para conflitos armados internacionais. A pasta também informou ter encaminhado solicitações formais às autoridades russas e ucranianas para que adotem medidas destinadas a evitar a incorporação de colombianos às respectivas forças armadas.

A chancelaria esclareceu ainda que não tem competência para rescindir ou modificar contratos particulares firmados com forças militares estrangeiras. Apesar disso, mantém as ações de orientação e assistência consular dentro de suas atribuições.

O ministério também enviou informações à Procuradoria-Geral da Nação para conhecimento e possíveis providências relacionadas a mecanismos de captação e ofertas de emprego enganosas.

Com centenas de mortes comunicadas, quase mil desaparecimentos e milhares de pedidos de assistência, o balanço evidencia o impacto do conflito sobre cidadãos colombianos e os desafios enfrentados pelas autoridades para acompanhar os casos e prestar apoio às famílias.

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