Brasil atinge menor taxa de desemprego em 14 anos

Brasil tinha 5,6 milhões de pessoas sem trabalho no terceiro trimestre; população ocupada chegou a 103 milhões, o maior da série histórica do IBGE

30 out, 2026
Desemprego no 3° trimestre deste ano é o menor para o período desde 2012 | Reprodução/Instagram/Alina Souza/@correiodopovo
Desemprego no 3° trimestre deste ano é o menor para o período desde 2012 | Reprodução/Instagram/Alina Souza/@correiodopovo

A taxa de desemprego no Brasil ficou em 5,2% no terceiro trimestre de 2026, o menor nível para o período desde 2012. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, divulgada nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O resultado ficou em linha com as expectativas do mercado. A mediana das projeções de analistas consultados pela Reuters também apontava uma taxa de 5,2%.

Além disso, o indicador apresentou melhora em relação aos períodos anteriores. No segundo trimestre de 2026, o desemprego estava em 5,4%, enquanto, no mesmo período de 2025, alcançava 5,6%.

Número de desocupados diminui

A queda de 0,2 ponto percentual (p.p.) em relação ao trimestre encerrado em junho representa uma redução de 0,4 p.p. na comparação anual.

Com isso, o Brasil registrou 5,6 milhões de pessoas desocupadas no trimestre encerrado em setembro. O contingente recuou 4% em relação ao trimestre anterior, o equivalente a 234 mil pessoas a menos. Na comparação com o mesmo período de 2025, a queda foi de 6,9%, ou 417 mil pessoas.


 

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 A taxa de desemprego ficou em 5,2% no terceiro trimestre de 2026 (Vídeo: reprodução/Instagram/@globonews)


População ocupada atinge recorde

A população ocupada chegou a 103,6 milhões de pessoas, o maior contingente da série histórica iniciada em 2012. O número cresceu 0,6% no trimestre, com a entrada de mais 581 mil trabalhadores, e avançou 1,2% em relação ao mesmo período do ano passado, um acréscimo de 1,2 milhão de pessoas.

Pelos critérios do IBGE, é considerada ocupada a pessoa que trabalhou pelo menos uma hora completa durante a semana de referência em uma atividade remunerada, em dinheiro ou benefícios, ou em um negócio familiar. A classificação também inclui quem estava temporariamente afastado do trabalho.

Entre as atividades econômicas, a construção se destacou, com crescimento de 2,8% na ocupação e a entrada de 210 mil trabalhadores no trimestre.

O número de empregadores também atingiu um recorde, chegando a 4,5 milhões de pessoas. O contingente aumentou 4,3% em relação ao trimestre anterior, com mais 184 mil trabalhadores, e 6,4% na comparação anual, um acréscimo de 272 mil pessoas.

Já o setor público registrou 13,2 milhões de trabalhadores, também o maior número da série histórica. O resultado ficou estável no trimestre, mas apresentou alta de 2,5% em relação ao terceiro trimestre de 2025, com mais 317 mil pessoas.

Apesar dos recordes, o ritmo de expansão das contratações foi mais moderado. Segundo o analista do IBGE William Kratochwill, as incertezas em torno das eleições podem ter influenciado as decisões dos empregadores.

Tradicionalmente, o terceiro trimestre marca o início de um período de aquecimento do mercado de trabalho, impulsionado pela proximidade das festas de fim de ano. Em 2026, entretanto, o movimento foi menos intenso.

“Alguns tomadores de decisão podem ter esperado um pouco mais, e por isso o crescimento não aconteceu em todos os grupamentos de atividade. Ele foi mais contido”, explicou Kratochwill.

Emprego formal permanece em nível recorde

O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado, excluindo os empregados domésticos, chegou a 39,4 milhões no trimestre encerrado em setembro. O resultado representa o maior contingente já registrado pela série histórica da PNAD Contínua.

Apesar do recorde, o indicador permaneceu estável tanto na comparação com o trimestre anterior quanto em relação ao mesmo período de 2025.

Outras categorias também não apresentaram variações significativas. O número de empregados sem carteira assinada no setor privado ficou em 13,7 milhões, enquanto os trabalhadores por conta própria somaram 26,1 milhões. Já o contingente de trabalhadores domésticos alcançou 5,4 milhões.

Os dados mostram que o mercado de trabalho brasileiro mantém níveis elevados de ocupação e emprego formal, embora o ritmo de crescimento das contratações tenha apresentado moderação no terceiro trimestre.

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