Embaixada dos EUA em Brasília destaca vitória “definitiva” de Lula em documento oficial

Relatório diplomático afirma que votação foi pacífica e que ampliação de horário não alterou resultado, contrariando críticas de Trump

29 out, 2026
Presidente Lula com presidente dos Estados Unidos Donald Trump | Reprodução/X/@LulaOficial
Presidente Lula com presidente dos Estados Unidos Donald Trump | Reprodução/X/@LulaOficial

A Embaixada dos Estados Unidos em Brasília classificou a vitória de Lula como “definitiva” e “surpreendente” em relatório de 26 de outubro enviado a órgãos do governo americano, segundo o ICL Notícias e a Folhapress. O documento foi titulado “Eleições no Brasil: Lula é eleito em resultado surpreendente, mas definitivo; Flávio Bolsonaro considera resultado impossível de aceitar”.

A votação transcorreu de forma majoritariamente pacífica, de acordo com a avaliação diplomática. Problemas foram registrados em algumas regiões do país, mas observadores internacionais não manifestaram dúvidas sobre o resultado. A Embaixada destacou que não houve questionamento do processo eleitoral por parte de missões estrangeiras.

Vitória de Lula

Lula venceu Flávio por uma diferença de aproximadamente 4,4 milhões de votos. O segundo turno ocorreu de forma majoritariamente pacífica, conforme informou a Embaixada dos EUA. Foram registradas interrupções no transporte público e dificuldades de acesso a locais de votação no Nordeste e no Sul.


Embaixada dos EUA em Brasília reconhece vitória de Lula (Foto: reprodução/@folhadespaulo)


A ampliação do horário de votação foi o principal argumento de Flávio Bolsonaro para contestar a derrota. Tanto a campanha de Lula quanto a de Flávio apresentaram pedidos ao Tribunal Superior Eleitoral para a extensão do horário de funcionamento das seções. O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a extensão por duas horas após o encerramento previsto para as 17h. A medida provocou confusão em algumas seções eleitorais que não haviam recebido a determinação.

Apenas 34 mil votos foram registrados depois das 17h, correspondendo a aproximadamente 0,03% dos votos, segundo informações do TSE citadas no relatório da Embaixada. Esse número inclui eleitores que já estavam na fila no momento do encerramento. A margem é insuficiente para alterar a diferença entre Lula e Flávio.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, afirmou que o horário ampliado não teve influência significativa no resultado. Segundo sua avaliação, a ampliação não alterou a vitória de Lula.

Lula fez pronunciamento em São Paulo diante de apoiadores, prometendo governar para todos os brasileiros. Agradeceu especialmente aos idosos e jovens pela mobilização eleitoral. Flávio, por sua vez, condenou a decisão do Supremo de estender o horário de votação e se comprometeu a contestar o resultado, classificando-o como impossível de aceitar.

Outros líderes conservadores reconheceram publicamente a vitória de Lula, conforme relatado pela ICL Notícias. Integrantes do PL compartilharam de maneira reservada a preocupação de que a contestação de Flávio pudesse provocar uma crise política, apesar de uma diferença decisiva de votos e da ausência de fundamento jurídico.

Observadores internacionais acompanharam a votação. As missões estrangeiras caracterizaram a decisão de ampliar o horário de votação como mal administrada, mas avaliaram que a eleição ocorreu de forma organizada. Observadores da Organização dos Estados Americanos afirmaram não ter “nenhuma dúvida sobre os resultados”.

Lula havia sido reconhecido por pelo menos 54 países até o momento de elaboração do relatório, segundo a ICL Notícias. Exceções incluem Estados Unidos, El Salvador e Argentina. O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, reconheceu a vitória de Lula no dia da eleição.

A imprensa brasileira destacou a persistente polarização política, os problemas relacionados à decisão do Supremo, os possíveis desafios jurídicos ao resultado e as dificuldades que Lula enfrentará para governar com um Congresso de maioria conservadora, conforme registrou a Embaixada.

A avaliação da Embaixada contrasta com as declarações do presidente Donald Trump. Na segunda-feira (26), Trump afirmou que o pleito brasileiro parecia ter sido fraudado e questionou a ampliação do horário de votação. Declarou que não havia tomado partido na disputa e que mantém uma boa relação com Lula, mas questionou o processo eleitoral. “A impressão que passou para o mundo foi terrível. Eleições precisam ser indiscutíveis”, disse Trump em 26 de outubro.

Trump critica eleições brasileiras

Na quinta-feira (29), Trump voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro. “Vou falar com ele, mas acho que a eleição no Brasil foi uma vergonha”, disse Trump.

Questionado sobre quem considerava o legítimo vencedor, Trump evitou responder. Em outro momento, completou: “Não quero comentar, mas achei que a eleição foi um grande constrangimento para o povo brasileiro. O atual presidente me pediu para não tomar partido, e eu não tomei. Mas, quando vi o que aconteceu no Brasil, achei uma vergonha”.

O governo americano ainda não havia enviado uma mensagem formal de congratulações a Lula pela reeleição até quinta-feira (29). Trump evitou responder diretamente se reconhece o petista como vencedor legítimo da disputa.

Flávio Bolsonaro desembarcou em Miami na quarta-feira (28), após deixar o Brasil seguindo a derrota eleitoral. O Departamento de Estado confirmou a concessão de vistos para Flávio e seus familiares, conforme informou a ICL Notícias.

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