Dólar cai para R$ 5,19 e registra menor valor em quase dois anos

Moeda americana teve queda de 0,22%, com cotação em R$ 5,1940; Ibovespa, índice da bolsa brasileira, também apontou perdas no horário de fechamento

29 jan, 2026
Notas de dólar, a moeda americana | Reprodução/Pixabay
Notas de dólar, a moeda americana | Reprodução/Pixabay

O dólar teve queda histórica nesta quinta-feira (29). Cotado em R$ 5,19, o valor expressa a menor marca de fechamento desde o dia 28 de maio de 2024, quando alcançou a cotação de R$ 5,15. Isso acontece em meio a decisão do Banco Central do Brasil de manter a taxa Selic (taxa básica de juros) em 15% ao ano, e sinalizar que a redução de juros pode ocorrer na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para março. 

Cenário Brasileiro

A agenda econômica diária trouxe panorama do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), com balanço sobre o mercado de trabalho formal em dezembro. Segundo o Ministério do Trabalho e Emprego, o Brasil registrou  1,279 milhão de novos empregos com carteira assinada em 2025. Essa avaliação auxilia a calibrar as expectativas sobre a economia brasileira no início de 2026, e pode ser um importante indicador para possíveis cortes na Selic pelo Banco Central 


Brasil registra mais de 1 milhão de empregos formais (Foto: reprodução/Instagram/@agencia.brasil)


Em 2025, a taxa Selic fixada pelo BC subiu 2,25 pontos percentuais e, atualmente, registra o maior nível em quase 20 anos. Integrantes do governo defendem uma queda dos juros, justificando que taxas muito altas podem encarecer o crédito, desestimular consumo e ‘espantar’ investimentos – enfraquecendo a atividade econômica. Por outro lado, a avaliação econômica é de que reduzir os juros imediatamente pode ser precipitado, levando em conta as dúvidas em relação ao controle das contas públicas e também as incertezas no atual cenário externo.

Eua e Mundo

Nos Estados Unidos, o Fed (Federal Reserve) – Banco Central estadunidense, decidiu estabilizar a taxa básica de juros do país entre 3,50% e 3,75% ao ano – menor nível desde setembro de 2022. A decisão interrompe uma sequência de três reduções consecutivas nos juros e foi criticada pelo presidente Donald Trump. Em postagem no Truth Social, ele declarou que o presidente do Fed, Jerome Powell, não tinha razões para manter a taxa tão alta, afirmando que a decisão custa bilhões de dólares ao país e compromete a segurança nacional. Em comunicado, o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC) informou que, apesar do desemprego estar estável, o mercado de trabalho ainda apresenta pouca criação de vagas e inflação permanece um pouco acima do desejado, o que explicaria a cautela do banco central. 


 

Donald Trump crítica o presidente do Fed Jerome Powell por decisões do banco central (Foto: reprodução/Truth Social/@realDonaldTrump)


Em Wall Street, principal centro financeiro mundial, o mercado americano é influenciado pela decisão já esperada do Fed de manter os juros inalterados. Após as ameaças de Trump contra o Irã, o ouro teve alta de mais de 2% e chegou a se aproximar de US$ 5.600. Na Europa, o clima foi de cautela com os investimentos sobre empresas de tecnologia e inteligência artificial, e os destaques são o índice pan-europeu STOXX 600, que recuou 0,2%. Já na Ásia, o mercado anda de bom humor após as notícias de que a China deixaria de exigir indicadores financeiros chamados de “as três linhas vermelhas”, medida que controlava o endividamento excessivo no setor imobiliário e era vista como um gatilho para a crise de várias construtoras. 

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