Pão de Açúcar apresenta plano de recuperação extrajudicial para renegociar dívidas de R$ 4,5 bilhões
Ações do GPA despencam mais de 5% na B3 após anúncio; Ação da rede de mercados exclui dívidas com fornecedores, parceiros e obrigações trabalhistas.
A rede de supermercados Pão de Açúcar, controlada pelo Grupo Pão de Açúcar (GPA), declarou nesta terça-feira (10) que fechou um acordo com seus credores para um plano de recuperação extrajudicial. O grupo acumula cerca de 4,5 bilhões em dívidas e a medida tem como objetivo reorganizar as finanças da empresa sem a necessidade dela recorrer a uma recuperação judicial, processo que tende a ser mais longo e complexo.
Como a GPA chegou até aqui
As dificuldades financeiras enfrentadas pelo GPA não são nenhuma novidade, sendo o reflexo de uma série de fatores que impactaram negativamente a situação financeira da companhia ao longo do tempo.
A baixa demanda, a alta na inflação de alimentos, o alto nível de juros, mudanças internas na gestão, pagamentos de dívidas fiscais e trabalhistas e o baixo desempenho de lojas são alguns dos fatores que contribuem para o endividamento do grupo.

A baixa demanda é uma das causas do endividamento do GPA (Foto: reprodução/X/@derechosdigital)
Em uma nota explicativa divulgada pela companhia, o grupo informou que apresentou um déficit de cerca de 1,2 bilhão ao final do ano passado. “Essas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia”, disse a empresa em nota.
No ano passado, a companhia registrou um prejuízo líquido em suas operações de 657 milhões, elevando a sua dívida líquida para 2 bilhões e sua dívida bruta total para 4,2 bilhões.
O que é e como funciona o acordo do GPA com os credores
A recuperação extrajudicial ocorre quando uma empresa renegocia suas dívidas diretamente com os credores, sem precisar recorrer à justiça. O objetivo do processo é prolongar o prazo de pagamento ou conseguir melhores condições de pagamento.
O acordo firmado entre o Grupo Pão de Açúcar e seus credores antevê a suspensão temporária do pagamento das dívidas com o objetivo de conceder ao grupo tempo de negociar novas condições de pagamento de suas dívidas

Ações do grupo sofrem baixa no mercado (Foto: reprodução/Instagram/@rbatvoficial)
Dívidas do grupo com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não estão incluídas no acordo, portanto, não serão afetadas. O plano tem um prazo inicial de 90 dias e efeito imediato. Apesar das negociações, as lojas da companhia continuaram a funcionar normalmente.
O plano de recuperação extrajudicial protocolado pelo GPA conta com o apoio de 46% dos credores da companhia, ultrapassando a porcentagem mínima para sua aprovação. A reação do mercado ao plano foi imediata, com as ações do grupo caindo 5% na B3.
