Medicamento experimental para tratamento de Lito Sousa chega ao Brasil em operação especial
Receita Federal e Anvisa liberaram a substância que perde potencial terapêutico rapidamente. Medicamento foi transportado de Nova York e levado de helicóptero ao Einstein
O medicamento experimental ALN-6457 chegou ao Brasil na madrugada de sábado, 12 de setembro, destinado ao influenciador Lito Sousa, diagnosticado com Doença de Creutzfeldt-Jakob. A substância foi transportada de Nova York até o Aeroporto Internacional de São Paulo em Guarulhos, onde Receita Federal e Anvisa coordenaram uma operação de liberação rápida.
Logo após o desembarque, o medicamento foi transferido para um helicóptero e levado direto ao Einstein Hospital Israelita. A Receita Federal informou que o “despacho aduaneiro foi concluído em poucos minutos após a chegada ao país”, segundo a Veja.
A rapidez da operação foi resultado da atuação coordenada entre a Receita Federal e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O planejamento prévio entre as equipes possibilitou a antecipação dos procedimentos necessários para a liberação da carga, garantindo que o medicamento seguisse seu trajeto sem atrasos.
A urgência no transporte se justifica pela natureza do medicamento. A Receita Federal classificou a carga como “medicação de uso urgente” porque seu “potencial terapêutico diminui rapidamente com o passar das horas”. O planejamento prévio entre Receita e Anvisa permitiu antecipar os procedimentos necessários para a liberação.
A Anvisa autorizou a importação e uso excepcional do medicamento em 4 de setembro. Lito foi aceito em um programa de uso compassivo, destinado a pacientes com doenças graves que não dispõem de alternativas terapêuticas disponíveis no mercado. O medicamento ainda não foi testado em humanos e é produzido pela Regeneron Pharmaceuticals.
Lito (Vídeo: reprodução/YouTube/SBT Brasil)
O que é a Doença de Creutzfeldt-Jakob
A Doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ) faz parte do grupo das doenças priônicas, condições neurodegenerativas raras causadas por príons, que são partículas infecciosas proteicas. Os príons surgem quando proteínas normais alteram seu formato e se aglomeram no cérebro, causando doenças que afetam humanos e animais. A origem da proteína anormal permanece desconhecida em muitos casos.
A DCJ é uma Encefalopatia Espongiforme Transmissível (EET), termo que refere-se às alterações no tecido cerebral, que passa a apresentar um padrão esponjoso. É a forma mais comum de doença priônica em humanos e ocorre a uma taxa de 1 ou 2 novos casos por milhão de pessoas a cada ano em todo o mundo, segundo o Ministério da Saúde.
Os sintomas iniciais são variáveis e inespecíficos, podendo ser confundidos com Alzheimer ou doença de Huntington. O quadro inicial inclui demência associada a sinais neurológicos como:
- Desordem cerebral
- Perda de memória
- Tremores
- Ataxia (perda do equilíbrio motor) e afasia (dificuldade na fala)
- Falta de coordenação motora
- Distúrbios visuais
- Espasmos musculares (mioclonia)
- Alterações de comportamento
- Insônia, depressão, ataques epiléticos e paralisia facial em casos de progressão
A piora é rápida e progressiva após o início dos sinais e sintomas. A degeneração psicomotora em DCJ é mais acelerada do que em outras demências, deixando menos tempo para intervenção terapêutica.
Entre 2005 e 2021, foram registradas no Brasil 1.576 notificações de casos suspeitos de DCJ, segundo o Ministério da Saúde. Os registros foram mais frequentes nas regiões Sul, Sudeste e Nordeste. A chegada do medicamento experimental em operação de emergência reflete a gravidade da doença e o caráter excepcional do uso compassivo, que permite acesso a tratamentos ainda em desenvolvimento para pacientes sem outras opções.
