Marabraz entra com pedido de recuperação judicial após acumular dívida de R$ 140 milhões

Perda de acesso a imóveis que garantiam crédito, somada a juros altos, forçou a tradicional rede de móveis e eletrodomésticos a buscar proteção da Justiça

17 ago, 2026
Loja Marabraz | Reprodução/X/@lavras24horas
Loja Marabraz | Reprodução/X/@lavras24horas

A Lojas Marabraz, tradicional rede de móveis e eletrodomésticos com presença forte em São Paulo, protocolou pedido de recuperação judicial para renegociar R$ 140 milhões em dívidas. Cinco empresas do conglomerado assinam o pedido, protocolado na 3ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo. A crise foi desencadeada por disputas familiares que cortaram o acesso a garantias imobiliárias que historicamente sustentavam as linhas de crédito da empresa, agravada por juros elevados e inadimplência no varejo.

O que é recuperação judicial

Recuperação judicial é um mecanismo previsto em lei para empresas em dificuldades financeiras renegociarem suas dívidas sob supervisão da Justiça. O objetivo é evitar falência e manter as atividades em funcionamento. Na prática, significa que a Marabraz pode alongar prazos, reduzir juros e reorganizar seus débitos com credores. As lojas continuarão funcionando normalmente durante o processo.

“As disputas societárias e familiares alteraram substancialmente o modelo de financiamento que, durante décadas, sustentou a operação das Requerentes”

Essas palavras saem da petição inicial da empresa à Justiça. Historicamente, a Marabraz acessava linhas de crédito usando imóveis da família controladora como garantia. Quando as disputas familiares explodiram, a empresa perdeu o acesso a esses imóveis. Sem essa segurança, bancos e investidores ficaram receosos em emprestar. A liquidez da empresa caiu, e renovar ou contratar financiamentos virou extremamente difícil.

A resposta foi pragmática e perversa. Os administradores cessaram o controle sobre as sociedades donas do patrimônio imobiliário. A Marabraz começou a canalizar uma parcela cada vez maior do caixa para pagar obrigações de curto prazo. Linhas de crédito que antes existiam foram substituídas por operações bem mais caras. Era um remendo que piorava a ferida.


Marabraz entra com pedido de recuperação judicial (Vídeo: eprodução/YouTube/@morningshow)


Crise no varejo

A Marabraz não sofre sozinha. O ambiente de juros elevados pressionou o caixa de toda a cadeia varejista. A inadimplência disparou no período. Um dia depois da Marabraz, a Casas Bahia protocolou sua própria recuperação judicial com dívidas de R$ 17 bilhões, sinalizando que o setor inteiro está em aperto.

Os principais credores da Marabraz são, segundo Capital Aberto, a Caixa Econômica Federal, Intrabank, FIDC Multicred, Intrabank, FIDC Intrabank e Banco Industrial do Brasil. Esses quatro juntos respondem por quase metade da dívida total.

A empresa foi fundada na década de 1950, inicialmente como Credi-Fares. É uma das tradicionais redes de móveis e eletrodomésticos do país, com forte presença em São Paulo e foco no público de renda média e baixa. Agora enfrenta o maior desafio de sua história: preservar empregos, manter relação com clientes e fornecedores, e criar condições para retomar o crescimento. O processo na Justiça dirá se consegue.

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