Lula cobra igualdade nas relações com os EUA após novas tarifas
Lula pede relações equilibradas com os EUA após tarifa de 10% anunciada por Trump e diz que encontro bilateral deve tratar comércio e cooperação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou neste domingo (22) que espera que o Brasil seja tratado de forma justa e sem distinções pelos Estados Unidos, após o governo de Donald Trump anunciar uma tarifa adicional de 10% sobre importações. A declaração foi feita durante agenda oficial em Nova Delhi, na Índia, onde Lula participou de compromissos diplomáticos e conversou com jornalistas sobre o cenário internacional e as relações comerciais. De acordo com o presidente, o Brasil pretende conduzir sua política externa com foco no diálogo e na cooperação, mantendo canais abertos com diferentes parceiros e evitando alinhamentos automáticos. Lula afirmou que a prioridade é garantir relações equilibradas e respeitosas, sobretudo em um momento em que decisões econômicas podem afetar o fluxo do comércio internacional.
Tarifas e postura brasileira
Ao falar sobre a medida anunciada pelos Estados Unidos, Lula disse que o governo brasileiro optou por agir com cautela diante das mudanças nas regras tarifárias americanas, acompanhando o cenário antes de tomar novas decisões. Ele destacou que parte das medidas já havia sido revista anteriormente pelo próprio governo americano e mencionou a recente decisão da Justiça dos EUA que alterou pontos relacionados ao chamado “tarifaço”.
O presidente também afirmou que não cabe ao Brasil fazer juízo sobre decisões internas de outros países, reforçando a importância de respeitar a soberania institucional. Para Lula, a prioridade é acompanhar os desdobramentos e defender os interesses nacionais por meio do diálogo diplomático.

Presidente dos Estados Unidos e Presidente do Brasil (Foto: reprodução/Instagram/@lulaoficial)
Agenda internacional e encontro com Trump
Durante a viagem à Índia, Brasil e o país anfitrião firmaram seis memorandos de entendimento em áreas como saúde, tecnologia, comunicações e pesquisa científica, além de um acordo voltado à cooperação em minerais críticos e terras raras — tema estratégico para a transição energética e para cadeias produtivas globais. Lula confirmou ainda que deve se reunir com Donald Trump em março, encontro no qual pretende discutir uma agenda ampla que inclui comércio, investimentos, a situação de brasileiros que vivem nos Estados Unidos e temas relacionados à segurança e à América Latina.
Integrantes do governo avaliam que a conversa será uma oportunidade para fortalecer o diálogo bilateral e buscar avanços em questões pendentes. O presidente afirmou que o relacionamento entre os dois países atravessa um momento de normalidade institucional e reiterou a disposição do Brasil em manter canais abertos de negociação, defendendo soluções que preservem a cooperação e a estabilidade nas relações internacionais.
