Irã volta a comercializar petróleo em dólar após flexibilização dos EUA

Negociações técnicas entre os dois países devem continuar ao longo desta semana, segundo informaram os mediadores envolvidos nas tratativas

23 jun, 2026
Petróleo cai após sinalização de acordo entre EUA e Irã | Reprodução/X/@leiamoneytimes
Petróleo cai após sinalização de acordo entre EUA e Irã | Reprodução/X/@leiamoneytimes

Os preços do petróleo registraram queda nesta segunda-feira (22) após o avanço das negociações entre Estados Unidos e Irã sobre a situação no Oriente Médio. As conversas, classificadas como construtivas pelos mediadores, foram concluídas no fim de semana na Suíça e terão continuidade nos próximos dias por meio de reuniões técnicas. O movimento aumentou as expectativas de uma redução das tensões na região e trouxe reflexos imediatos para o mercado internacional de energia.

A mudança ocorre em meio a uma decisão considerada histórica: os Estados Unidos autorizaram o Irã a voltar a comercializar petróleo em dólares pela primeira vez em décadas. A medida faz parte das negociações em curso entre Washington e Teerã para consolidar um cessar-fogo após meses de tensão militar no Oriente Médio.

O acordo também está diretamente ligado à reabertura do Estreito de Hormuz, uma das rotas marítimas mais estratégicas para o comércio global de energia. A passagem é responsável pelo transporte de aproximadamente 20% de todo o petróleo consumido no mundo, tornando qualquer instabilidade na região capaz de provocar impactos significativos nos preços internacionais da commodity. Além disso, as negociações incluem discussões sobre o programa nuclear iraniano, tema que há décadas ocupa o centro das tensões diplomáticas entre os dois países.

Alívio econômico para Teerã

A autorização representa um importante alívio econômico para o Irã, que enfrenta restrições impostas por sanções internacionais há décadas. Com a mudança, compradores internacionais poderão voltar a realizar pagamentos pelo petróleo iraniano diretamente em dólares, moeda dominante no comércio global de energia.

Na prática, a decisão facilita o retorno das receitas obtidas com as exportações de petróleo ao sistema financeiro iraniano e reduz a dependência de mecanismos alternativos criados para contornar as sanções econômicas. Com maior acesso ao sistema bancário internacional, o país ganha mais flexibilidade para movimentar recursos provenientes da venda da commodity, fortalecendo sua capacidade de financiamento e impulsionando setores estratégicos da economia.

A flexibilização anunciada por Washington representa uma mudança significativa em relação à política adotada nos últimos anos. Desde a reimposição das sanções americanas, o Irã passou a depender de uma complexa rede de intermediários, empresas de fachada e embarcações operando fora dos sistemas tradicionais de rastreamento para manter suas exportações de petróleo. Grande parte desse comércio era direcionada à China, principal compradora do petróleo iraniano durante o período de restrições.

Segundo especialistas em sanções internacionais, a nova autorização representa uma ruptura relevante com a estratégia de isolamento econômico adotada pelos Estados Unidos ao longo das últimas duas décadas. Além de permitir transações em dólar, a medida reduz barreiras financeiras que dificultavam o acesso do país ao mercado global de energia.


Reportagem sobre a suspensão das sanções ao petróleo iraniano por parte dos EUA (Vídeo: reprodução/YouTube/CNN Brasil)


Impacto no mercado global de petróleo

A suspensão temporária de parte das sanções também alcança o setor de transporte marítimo. Embarcações que anteriormente estavam incluídas em listas restritivas passam a poder participar legalmente do comércio de petróleo iraniano durante o período de vigência da medida, facilitando o escoamento da produção e ampliando a oferta da commodity no mercado internacional.

Os investidores acompanham atentamente os desdobramentos das negociações em torno da reabertura do Estreito de Hormuz. Dados da plataforma MarineTraffic, analisados pela CNN, apontam um leve aumento no fluxo de embarcações pela hidrovia nas últimas 24 horas.

Após o encerramento das negociações realizadas no domingo (21), na Suíça, Catar e Paquistão informaram que Irã e Estados Unidos estabeleceram um canal de comunicação voltado ao Estreito de Hormuz. A medida reforçou as expectativas de uma possível normalização do tráfego e de maior estabilidade em uma das passagens marítimas mais importantes para o comércio mundial de petróleo.

O mercado interpretou os avanços diplomáticos e a flexibilização das sanções como sinais de que a oferta global de petróleo poderá aumentar nos próximos meses. Como consequência, os preços da commodity operaram em queda. Por volta das 13h15 (horário de Brasília), o petróleo Brent, referência global, recuava mais de 3%, cotado a US$ 77,35 o barril, enquanto o WTI, referência dos Estados Unidos, registrava queda próxima de 3%, negociado a US$ 73,64 o barril.

Analistas avaliam que, caso as negociações avancem e as medidas sejam mantidas, o cenário pode contribuir para reduzir os riscos geopolíticos no Oriente Médio e trazer maior previsibilidade para os mercados globais de energia.

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