Autoridades mantém investigação dos casos suspeitos de Ebola em SP e RJ

Casos suspeitos de contaminação pelo vírus recebem diagnósticos de meningite e malária, mas continuam sob investigação e isolamento para novos exames

31 maio, 2026
Casos suspeitos de Ebola no Brasil | Reprodução/Agência Brasil/Fernando Frazão
Casos suspeitos de Ebola no Brasil | Reprodução/Agência Brasil/Fernando Frazão

A doença causada pelo vírus Ebola foi identificada pela primeira vez em 1976, durante dois surtos simultâneos na atual República Democrática do Congo e no Sudão do Sul. Ao longo dos anos, os principais surtos da doença concentraram-se em países africanos, como Guiné, Libéria, Serra Leoa, Uganda e a própria República Democrática do Congo, sendo o último registrado em 2022, causado por uma variante em Uganda.

Atualmente, em 2026, a República Democrática do Congo e Uganda registraram novamente um surto da variante Bundibugyo, despertando a atenção e a urgência internacional da OMS. No Brasil, dois casos suspeitos de Ebola foram identificados, um em São Paulo e outro no Rio de Janeiro.

Ambas as suspeitas estão sob investigação das autoridades. Segundo informações fornecidas pelo portal G1, os pacientes suspeitos da doença tiveram contato com regiões afetadas pelo surto. Porém, após a realização de exames, os diagnósticos de meningite e malária foram confirmados neste sábado (30).

De acordo com as últimas atualizações, ambos apresentaram sintomas compatíveis com doenças infecciosas e permanecem isolados em suas respectivas cidades.

Suspeitas no Brasil

Após as investigações iniciais, foi possível identificar que o paciente em São Paulo é um imigrante da República Democrática do Congo, atual local do surto em 2026. O paciente é um homem de 37 anos que esteve no país recentemente e foi diagnosticado com meningite. Inicialmente, a suspeita de Ebola não foi descartada pelas autoridades responsáveis devido ao quadro clínico apresentado.

O homem, cuja identidade não foi divulgada, recebeu os primeiros atendimentos em uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e depois foi encaminhado ao Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Segundo informações divulgadas, ele apresentou febre alta, diarreia e desorientação, além de ter sofrido rápida piora clínica, sendo entubado e sedado.

O outro caso suspeito foi registrado no Rio de Janeiro e também envolve um homem, de origem belga, que esteve em Uganda. As últimas atualizações sobre seu estado de saúde apontam sintomas compatíveis com algumas doenças infecciosas e, por isso, ele permanece em isolamento e sob cuidados médicos. O paciente foi diagnosticado neste sábado (30) com malária, sem descartar a hipótese de contaminação pelo vírus Ebola. O caso segue em investigação e, segundo a Secretaria Municipal de Saúde, ainda não pode ser confirmado como o primeiro caso de Ebola no Rio de Janeiro.

Transmissão e sintomas da doença

De acordo com o Ministério da Saúde, a doença causada pelo vírus pode ser transmitida aos seres humanos por meio do contato direto com sangue, órgãos ou fluidos corporais de animais infectados. Os primeiros surtos confirmados na história foram associados à contaminação por chimpanzés, gorilas, morcegos-gigantes, antílopes e porcos-espinhos.


República Democrática do Congo (Foto: reprodução/Getty Imagens Embed/Michel Lunanga)


Os principais sintomas da infecção pelo vírus são: febre, cefaleia, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e manifestações hemorrágicas. O vírus possui um período de incubação que varia entre 2 e 21 dias, quando ocorre o desenvolvimento inicial da infecção no organismo e o surgimento dos primeiros sintomas. A partir da infecção, os anticorpos IgM atuam no combate ao agente invasor. Além disso, a transmissão entre seres humanos só ocorre após o aparecimento dos sintomas, por meio do contato com sangue, suor, vômito, fezes, saliva, urina, sêmen e outros fluidos corporais, bem como com objetos contaminados por esses materiais.

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