Flávio Bolsonaro opta por manter escolta da Polícia Legislativa e rejeita proteção da PF

Pré-candidato desconfia da corporação federal. Aliados mais pragmáticos do PL alertam riscos na campanha presidencial de 2026

20 jul, 2026
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro
Flávio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, decidiu recusar a escolta oferecida pela Polícia Federal aos postulantes ao cargo e seguir apenas com a proteção da Polícia Legislativa, que o acompanha desde 2019. A decisão provocou preocupação entre correligionários que temem deixá-lo exposto a situações de risco durante a campanha de 2026, segundo informações obtidas.

Flávio baseia sua escolha na desconfiança quanto à atuação isenta da Polícia Federal. O senador entende que a corporação está aparelhada pelo governo Lula. Sua pré-campanha defende que a Polícia do Senado dispõe de qualificações superiores para o trabalho.

Preocupação com segurança e estratégia divide aliados

Segundo a campanha de Flávio Bolsonaro, “a essência da Polícia do Senado é justamente a proteção a autoridades, função na qual a instituição é reconhecida como uma das forças mais bem preparadas e especializadas do país, utilizando inteligência, monitoramento, equipamentos de ponta, veículos blindados e armamentos de grosso calibre para suas atividades”.

Integrantes do partido com maior pragmatismo atacam a decisão com dureza. Eles apontam inconsistência na análise de Flávio sobre a atuação institucional da PF e questionam seu diagnóstico dos perigos em uma disputa marcada pela polarização extrema. Para este grupo, a recusa constitui um erro tático.

Um interlocutor próximo a Flávio contesta a premissa. “Mais da metade da PF é bolsonarista”, afirmou, ao rejeitar a ideia de que a corporação seria um bloco monolítico ligado ao PT. Ele apontou que durante o governo Bolsonaro o ministro Alexandre de Moraes abriu investigação com base em denúncias do juiz Sergio Moro.

Entre as preocupações principais de Flávio estão o vazamento de cronogramas e táticas de campanha. Ele também teme a exposição de diálogos privados na disputa eleitoral. Na avaliação do senador, manter a escolta sob controle do Senado reduz essas vulnerabilidades.

Precedente da proteção federal

Jair Bolsonaro aceitou escolta da Polícia Federal e estava acompanhado por agentes da corporação quando foi alvo de atentado à faca em Juiz de Fora (MG), durante as eleições presidenciais de 2018. A proteção federal funcionou naquele contexto crítico.

Segundo especialistas, a Polícia Federal dispõe de experiência superior à Polícia Legislativa para identificar cenários de perigo. A corporação está melhor equipada para garantir segurança em eventos de grande porte e mais preparada para proteção de proximidade com eleitores, situação frequente em campanha presidencial.

Edvandir Paiva, presidente da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal, sustenta que “a Polícia Federal tem todo o aparato e expertise para a segurança de dignatários, promovendo cursos de capacitação técnica para seus quadros permanentemente”.

Aliados manifestam temor com as repercussões políticas caso ocorra algum evento adverso com Flávio. “Se acontecer algo ruim contra o Flávio, e a gente torce para que não ocorra, qual vai ser o argumento do Lula? De que o Flávio decidiu abrir mão da escolta e quis correr riscos por conta própria”, declarou aliado que solicitou anonimato.

A Polícia Federal não se manifestou sobre a opção de Flávio Bolsonaro. A corporação comunica que não divulga detalhes sobre procedimentos de segurança, justificando o sigilo pela proteção das autoridades. Táticas, protocolos e informações sobre recursos seguem confidenciais para não comprometer a integridade das pessoas sob sua responsabilidade.

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