Flávio Bolsonaro reage a críticas sobre contas de “Dark Horse” e diz que Lula deve prestar contas

Senador afirma que produtora já prestou contas em documentos anexados a inquérito, mas recusa-se a exibir o contrato com o banqueiro Daniel Vorcaro

25 ago, 2026
Flavio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro
Flavio Bolsonaro | Reprodução/Instagram/@flaviobolsonaro

O senador e candidato à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, reagiu na noite de segunda-feira (24) aos questionamentos sobre a prestação de contas do filme Dark Horse. A cobrança ocorreu mais de três meses após o parlamentar afirmar que divulgaria os detalhes financeiros da produção em até 30 dias.

Flávio negou que tenha descumprido a promessa e afirmou que a produtora Go Up Entertainment já apresentou informações sobre os gastos. Durante um evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), porém, o senador elevou o tom ao ser questionado sobre a transparência dos documentos e direcionou as críticas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Flávio diz que contas já foram apresentadas

A promessa de divulgar os dados financeiros do filme foi feita em 19 de maio, após o vazamento de áudios que mencionavam a produção. Segundo Flávio, os documentos foram apresentados à imprensa e também fazem parte do inquérito conduzido pela Polícia Civil de São Paulo.

“Não houve recuo nenhum. Eu vi a prestação de contas no g1. Dá um Google vocês no g1. A prestação de contas tá lá na matéria do g1 dizendo que a produtora gastou mais até que recebeu de investimento [de Daniel Vorcaro].”

Na sequência, o senador afirmou que não seria responsável pela prestação de contas e associou o assunto ao governo federal.

“Da minha parte eu digo, não sou eu que tenho que prestar conta, é o Lula, porque fez reuniãozinha escondida com Augusto Lima e o Vorcaro.”

Apesar da afirmação de Flávio, um laudo produzido a pedido dos advogados de Karina Ferreira da Gama, presidente da Go Up Entertainment, aponta que não foram apresentados recibos ou notas fiscais para comprovar os gastos declarados pela produtora.


 Candidato a presidencia, Flávio Bolsonaro (Foto: reprodução/Getty Images Embed/MAURO PIMENTEL)


Laudo aponta gastos de R$ 75,1 milhões

Segundo o documento anexado ao inquérito, o filme Dark Horse teria custado pelo menos R$ 75,1 milhões. Desse total, aproximadamente R$ 54 milhões teriam sido gastos no exterior e R$ 20,9 milhões no Brasil.

O parecer foi elaborado pelo perito Anísio Costa Castelo Branco e também aponta que o longa foi vendido por US$ 13,39 milhões, embora tenha sido inteiramente filmado no Brasil.

O documento não apresenta comprovantes fiscais capazes de detalhar a origem dos R$ 20,9 milhões gastos em território brasileiro. O perito, no entanto, afirmou não ter identificado entradas de caixa provenientes de recursos públicos, repasses governamentais ou financiamentos.

A investigação da Polícia Civil de São Paulo e do Ministério Público busca justamente esclarecer se houve utilização de recursos públicos municipais relacionados ao contrato de instalação de pontos de wi-fi na periferia da capital paulista.

Senador critica questionamentos sobre o filme

Durante o evento da Fiesp, Flávio demonstrou irritação ao ser novamente questionado pelos jornalistas sobre a falta de comprovação dos gastos.

“Vocês vão parar no tempo? O Brasil tá lambendo em chamas, todo mundo endividado, Brasil quebrado… e vocês querem insistir com uma relação privada, de um filme privado que não tem partilha pública de nada?”

O senador também afirmou que não queria ser associado às investigações envolvendo a produção.

“Não adianta, vocês não vão me colocar na mesma página pública desse cara. Não vão me colocar. Hoje o governo Lula é que deve explicações. Vão cobrar explicações dele.”

Investigação apura possível relação com contrato de wi-fi

As investigações também analisam a relação entre a produção de Dark Horse e um contrato de R$ 108 milhões firmado para a instalação de pontos de wi-fi em regiões periféricas de São Paulo.

Daniel Vorcaro, apontado nas investigações relacionadas ao Banco Master, teria transferido R$ 61 milhões aos produtores do filme por meio de um fundo nos Estados Unidos. Segundo informações do The Intercept Brasil, Flávio Bolsonaro teria negociado um repasse de US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época, para financiar a produção.

A Go Up Entertainment não havia realizado anteriormente um filme no Brasil. O Instituto Conhecer Brasil, citado como beneficiário do contrato municipal de wi-fi, também não tinha histórico de execução de projetos semelhantes na periferia paulistana antes de firmar o acordo com a gestão de Ricardo Nunes, em 2024.

A presidente da produtora, Karina Ferreira da Gama, afirmou que Dark Horse está em fase de pós-produção e ainda necessita de recursos para ser concluído. O inquérito continua em andamento, e as autoridades buscam esclarecer se houve ou não desvio de recursos públicos municipais para financiar a produção.

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