Europa enfrenta sua 4ª onda de calor desde maio
Sequência de temperaturas extremas começou ainda na primavera no Hemisfério Norte e já provocou recordes, mortes em excesso e grandes incêndios na Europa
Incêndios de grandes proporções, cidades evacuadas, aumento de mortes relacionadas ao calor e queda nos níveis de rios revelam que a quarta onda de calor que atinge a Europa já provoca impactos além das temperaturas extremas.
Espanha, Portugal e França são os países mais afetados neste início de semana, com temperaturas próximas ou acima dos 40°C. O calor deve avançar para o centro e o leste do continente nos próximos dias, atingindo também regiões do Reino Unido, Itália e Bálcãs.
Incêndios avançam pelo continente
O aquecimento global tem contribuído para que esses episódios se tornem mais frequentes, longos e intensos. A Europa é o continente que mais aquece rapidamente no planeta, e especialistas alertam para o aumento das mortes associadas ao calor extremo.
O calor não inicia todos os incêndios, mas transforma a vegetação seca em combustível para a propagação das chamas. França, Espanha e Portugal estão entre os países com maior risco, enquanto Reino Unido e Irlanda também monitoram áreas vulneráveis.
Ventos fortes dificultam o combate ao fogo e podem espalhar brasas para regiões distantes. Além dos danos ambientais, os incêndios já causaram mortes, destruíram imóveis e obrigaram milhares de pessoas a deixarem suas casas.
Homem tenta apagar incêndio florestal com um galho de árvore em Trancoso, Portugal (Foto: reprodução/Getty Images Embed/PATRICIA DE MELO MOREIRA)
Impactos na saúde e infraestrutura
O calor extremo aumenta os riscos de desidratação, insolação e agravamento de doenças cardiovasculares, respiratórias e renais. Idosos, crianças, pessoas com doenças crônicas e trabalhadores expostos ao sol estão entre os grupos mais vulneráveis.
As noites quentes agravam o problema, pois impedem a recuperação do organismo após dias seguidos de temperaturas elevadas. Em cidades, o concreto, o asfalto e o vidro acumulam calor e mantêm as áreas urbanas mais quentes durante a madrugada.
A onda de calor também afeta a produção de energia e os transportes. A redução dos níveis de rios prejudica usinas hidrelétricas e pode limitar o funcionamento de centrais que dependem de água para resfriamento. Ao mesmo tempo, o aumento do consumo de eletricidade com ventiladores e ar-condicionado pressiona os sistemas energéticos.
No transporte, trilhos podem sofrer deformações pelo calor, estradas podem apresentar problemas no asfalto e rios com menor vazão prejudicam a navegação. O Danúbio e o Reno, importantes rotas comerciais europeias, já registram impactos devido à redução dos níveis de água.
Quarta onda desde maio
A atual onda de calor é a quarta registrada na Europa desde maio. A primeira ocorreu no fim da primavera, seguida pelo episódio mais intenso no fim de junho e por um novo período prolongado de calor em julho.
Embora não exista uma contagem oficial única para todo o continente, devido aos diferentes critérios dos serviços meteorológicos, o cenário reforça uma sequência de eventos extremos que afetam a população, a economia e a infraestrutura europeia.
Nos próximos dias, o calor deve continuar concentrado no oeste da Europa, especialmente em Espanha, Portugal e França, antes de avançar para outras regiões do continente.
