Negociação nuclear avança com divergências entre EUA e Irã, diz site
Impressões de presentes da Casa Branca devem determinar a possibilidade de Trump ordenar ou não um ataque; novo encontro será na próxima semana, na Áustria
A avaliação dos Estados Unidos sobre as negociações com o Irã nesta quinta-feira (25), em Genebra, foi positiva, de acordo com o portal de notícias norte-americano Axios. De início, os enviados Jared Kushner e Steve Witkoff, conselheiros especiais sobre Oriente Médio do governo Trump, estavam “decepcionados” com a primeira parte do encontro.
Segundo a reportagem, porém, a etapa seguinte da reunião que começou por volta das 6h15 e terminou às 15h30 (horário de Brasília), com intervalo entre 9h e 14h, pode ter determinado a mudança no quadro.
Boa impressão da negociação
De acordo com as informações do site Axios, o relato do ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, foi de que o encontro encerrou com um “bom progresso” da situação. O ministro das Relações Exteriores de Omã, Badr bin Hamad Al-Busaidi, compartilhou do entusiasmo e disse que houve um “progresso significativo“. Ainda segundo o Omanense, um novo encontro para “discussões técnicas” foi acordado entre EUA e Irã. Reunião deve acontecer na próxima semana em Viena, na Áustria, e não deve ser a última conversa entre as delegações, já que os mediadores pretendem voltar a se reunir dias depois.
O Irã, segundo o Axios, apresentou uma proposta preliminar de acordo nuclear na primeira metade do diálogo. Negociadores americanos eram favoráveis à flexibilidade, desde que Teerã, capital iraniana, comprovasse não ter intenção de construir uma bomba nuclear. Após a primeira etapa da reunião, uma autoridade iraniana informou à agência de notícias Reuters que as conversas com os EUA têm sido “intensas e sérias” e que “algumas divergências permanecem“. A fonte disse ainda que “as conversas levantaram novas ideias que exigem consulta com Teerã“.
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Mediadores de conflito nutrem boas expectativas para próximas negociações (Foto: reprodução/Instagram/@brasildefato)
Reivindicações de ambos os lados
A troca desta quinta-feira é considerada determinante para o caso entre EUA e Irã. De acordo com o jornal britânico The Guardian, o presidente Donald Trump provavelmente decidirá sobre um possível ataque ao país se baseando no resultado do encontro. Já é a terceira vez só neste mês que as nações se reúnem para negociações, envolvendo pontos como:
- O desejo dos EUA de que o Irã interrompa o enriquecimento de urânio, pelo temor da construção de uma bomba nuclear iraniana.
- A justificativa do governo iraniano, que declara que o programa é pacífico e voltado à produção de energia.
- A narrativa da imprensa americana, que relata que os EUA querem restringir o alcance dos mísseis balísticos iranianos e acabar com o apoio a grupos armados no Oriente Médio.
- A defesa do Irã, que afirma que as negociações devem se limitar ao programa nuclear e diz ainda estar disposta a reduzir o enriquecimento de urânio pelo fim de sanções.
Possibilidade de ataque
Segundo fontes ouvidas pelo The Guardian, Trump, em conversa com assessores, teria considerado ataques limitados para pressionar o Irã e ampliar campanha para derrubar o governo do aiatolá Ali Khamenei. As informações do The New York Times sobre são complementares: o jornal afirma que um possível bombardeio mais amplo, para derrubada de Khamenei, aconteceria apenas nos próximos meses, se primeiras investidas não funcionassem.
O CBS News, por outro lado, informou que Trump tem se frustrado com as limitadas opções militares do momento. De acordo com a imprensa americana, o presidente teria sido alertado sobre os riscos de tal movimentação pelo chefe do Estado Maior Conjunto, o general Daniel Caine. Uma reportagem do The Washington Post ouviu fontes que afirmaram que os EUA podem sofrer dificuldades devido ao limitado estoque de munição, em baixa por conta do apoio americano a Israel e Ucrânia. A matéria diz, ainda, que Caine estaria preocupada com o risco de mortes de americanos e de uma guerra generalizada. O presidente Donald Trump nega as informações.
“Não existe ataque limitado. Um ato de agressão será considerado um ato de agressão. Ponto final”, afirmou o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmail Baghaei, na última segunda.
O Irã prometeu resposta “feroz” a qualquer ataque dos EUA, mesmo de nível ‘limitado’. O governo iraniano já sinalizou que pode contra-atacar atingindo bases militares americanas no Oriente Médio.
